Viagem
As empresas podem ter nichos de negócios que são bem diferentes daqueles que conhecemos, como algumas empresas de pneus automotivos. A Pirelli, por exemplo, não fazia só pneus antes da Prysmian, e a Michelin também atua em indicações de restaurantes e viagens. Nisso entram as estrelas Michelin, que fazem parte de um sistema de associados e indicações de roteiros em restaurantes e hotéis de todo o mundo. Ficou curioso? Vamos conhecer!
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| [Placa indicativa. Imagem: g1 | Reprodução] |
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O GUIA MICHELIN E O GUIA MICHELIN PLUS
O guia surgiu de forma muito simples em 1900. Era gratuito para clientes de pneus Michelin e indicava postos de gasolina, hotéis e restaurantes.
Pode parecer desconexo uma empresa de pneus falar em restaurantes, à primeira vista, mas não é. Viagem é experiência, e quando envolve carros ou ônibus, lá estão os clientes de pneus.
Com o passar dos anos, o guia foi se sofisticando. Existe uma versão de comunidade gratuita do Guia Michelin, e também a versão plus, baseada em assinatura anual. Nela, são inclusos benefícios nos hotéis do guia (como café da manhã ou check-in tardios), assistência especializada em viagem, dentre outros.
Em 2026, no Brasil, a assinatura anual é de R$ 499,00. Pode parecer salgado, mas é proporcional aos produtos e nicho de mercado a que o Guia Michelin costuma atender.
O guia é disponível em apps para Android e iOS. Além disso, os restaurantes são divulgados no site.
E SOBRE AS ESTRELAS MICHELIN?
Quando se fala em experiência, além das viagens, comer em restaurante é outro ponto que faz parte de uma viagem e permite construí-la. De acordo com a Michelin, a estrela é dada a um restaurante com cozinha excepcional, definida por cinco critérios:
• Qualidade dos ingredientes.
• Harmonia dos sabores.
• Domínio das técnicas culinárias.
• Como a personalidade dos chefs se reflete nos pratos.
• Consistência no nível de serviço.
Nesse último critério, destaca-se a ideia de que uma refeição excepcional pode vir ao acaso. Apesar disso, um restaurante com Estrelas Michelin deve sempre ser maravilhoso.
Há um processo de seleção anual dos restaurantes, reavaliando os já classificados e considerando novos. Isso inclui pedidos dos restaurantes ou indicação dos leitores do guia.
Mudanças no chef, com a promoção de um sous-chef, podem ou não influir nas estrelas. A classificação é do restaurante, não do chef, e se o nível da comida se mantiver, nada muda. A tendência é que, ao ser classificado um restaurante, seu chef ganhe renome.
O significado das estrelas Michelin, de acordo com os organizadores é o seguinte:
⭐"restaurantes que utilizam ingredientes de primeira qualidade e preparam pratos de sabores diferenciados e um padrão consistentemente elevado."
⭐⭐"restaurantes onde a personalidade e o talento da equipe se refletem em pratos executados com mestria, com uma cozinha simultaneamente refinada e inspiradora."
⭐⭐⭐"a mais alta distinção do Guia. [...] elevar a culinária à categoria de arte, com pratos destinados a tornar-se clássicos."
Essa hierarquia só veio trinta e um anos depois do surgimento do guia, e a descrição também era outra:
⭐ indicava estabelecimentos que valiam a pena serem visitados.
⭐⭐ recomendavam desviar do caminho até eles
⭐⭐⭐ significavam que o estabelecimento valia toda uma viagem.
AMBIENTE E SERVIÇO DOS RESTAURANTES
Apesar de parecer que o ambiente também possa agradar, a organização das Estrelas Michelin afirma que não impacta na avaliação. Eles afirmam que tanto restaurantes muito bem ambientados como locais de comida de rua (mas que atendam à qualidade gastronômica) são contemplados.
Outro item que não teria peso seria o tipo de serviço. Independe ser serviço de balcão ou até algo coreografado. A carta de vinhos também não é considerada.
OS AVALIADORES
Os avaliadores são inspetores que viajam todo o mundo, em cidades de diferentes tamanhos e distâncias aos grandes centros, para testarem os restaurantes. Eles têm experiência em restaurantes e hotelaria.
A compreensão de um restaurante não vem uma vez só, e o número de visitas pode variar. Podem vistoriar sozinhos, ou em grupo, ao longo das estações do ano.
A escolha do prato pelos inspetores também não é padrão. Busca-se variar todos os elementos para reduzir os vieses de avaliação.
Um inspetor não dá feedback aos restaurantes avaliados. O guia, inclusive, recomenda que atenção ao cliente seja a melhor forma de fazer isso. E eles costumam notar que em momentos de restaurante mais cheio é que surgem pratos melhores.
QUANTOS RESTAURANTES RECEBEM ESTRELAS POR ANO?
Não existe limite, um número mágico. São muitos restaurantes avaliados ao longo do ano, e alguns vão ser desclassificados, naturalmente.
Há um número misterioso de inspetores que avaliam mais de quarenta mil restaurantes, em mais de trinta países. Na França, por exemplo, são seiscentos e trinta e nove restaurantes com estrelas Michelin, sendo setenta e cinco com duas e trinta com três. O consumidor consegue identificá-los por meio de uma placa na porta.
MAIS PRÊMIOS ALÉM DAS ESTRELAS MICHELIN
O foco das estrelas Michelin está em restaurantes alto padrão, mas não é a única classificação feita pelos inspetores do guia. Existe o Bib Gourmand, que é um reconhecimento de custo-benefício, em cozinhas simples, mas que são muito boas e merecem os Bibs.
DICAS DA ORGANIZAÇÃO PARA POSTULANTES ÀS ESTRELAS MICHELIN
Os próprios organizadores apontam três dicas de ouro para chefs que desejem elevar seus restaurantes às estrelas Michelin:
1. Grandes ingredientes fazem uma grande cozinha – sempre devem ser usados os melhores produtos, como um tomate na safra ou o frango do sítio próximo.
2. A estrela não é fim, é consequência – e você deve cozinhar pensando em seus clientes, sempre.
3. Coma fora e termine seus pratos – isso permite entender outros sabores e o que pode estar faltando nos seus. É o benchmarking da cozinha.
O PRESTÍGIO E O MISTÉRIO, NA REALIDADE E NA FICÇÃO
Vimos que existem essas dicas e pontos que norteiam o Guia Michelin, mas 100 % de seus detalhes não estão bem claros. Não existe um gabarito e uma lista de notas, onde cada um saiba qual sua posição.
Isso mexe com o imaginário. Na ficção, numa temporada de Emily in Paris, o chef Gabriel ambiciona conquistar uma estrela para o seu restaurante. Há menção também no filme The Menu e na série The Bear. Elas exploram a pressão e o simbolismo por trás dessa consagração.
No mundo real, os chefs têm a premiação como misteriosa. Apesar disso, diz-se que eles ainda tenham alguma noção maior do que o resto do mundo.
RESTAURANTES COM ESTRELAS MICHELIN PELO MUNDO
Há restaurantes com estrelas Michelin em quatro continentes e cinquenta países. A experiência internacional é bem avaliada no restaurante, e os critérios são uniformes pelo mundo – como vimos, a estrela significa o mesmo em quaisquer lugares.
Um dos países com o maior número de estrelas é o Japão. Um dos restaurantes estrelados é o Oryori Hanagaki, em Nara, liderado pelo chef Toshihiko Furuta, apaixonado por utensílios de serviço tradicionais.
Outro restaurante estrelado é o Jay Fai, em Bangkok (capital tailandesa), de street food. Já na Malásia, o primeiro a conquistar as duas estrelas foi o Dewakan, em Kuala Lumpur.
Em Portugal, por sua vez, o restaurante Vila Joya é o que há mais tempo detém duas Estrelas Michelin. Também duas estrelas, mas em New Orleans, EUA, o Emeril’s se dedica à cozinha crioula.
O Trèsind Studio, em Dubai, marcou por ser o primeiro de cozinha indiana a conquistar três Estrelas. Falamos de vários países, mas e os restaurantes brasileiros?
Na edição mais recente do Guia Michelin, anunciada em abril de 2026, o Brasil também chegou às três estrelas com os restaurantes Evvai e Tuju, ambos em São Paulo. São os primeiros latino-americanos a alcançarem tal feito. Nisso, eles se tornaram referências globais em gastronomia.
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FALANDO EM INGREDIENTES REFINADOS
As fazendas urbanas, principalmente as de microverdes, trazem uma alternativa para ingredientes frescos, refinados e próximos ao ponto de consumo e aos restaurantes, tenham eles estrelas Michelin ou não. Quer saber como elas funcionam 👇🏻?
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👉 Como funcionam as fazendas urbanas?
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