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Quem são os aiatolás?

 História

 

Com a guerra que envolve Israel, Estados Unidos e Irã, muito se fala no regime de governo iraniano, incluindo o assassinato de quem foi o líder supremo nas últimas décadas. O que significa ser um aiatolá? Quando isso se associou à política?

 

Ali Khamenei, um famoso nome entre os aiatolás iranianos

[Ali Khamenei, antigo aiatolá iraniano. Imagem: BBC | Reprodução]




 

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O QUE É UM AIATOLÁ?

 

Aiatolá é uma palavra de origem árabe que significa "sinal de Deus", usada para designar um título religioso. Esse título é concedido para clérigos muçulmanos xiitas, que depois de estudos densos em teologia e direito islâmico, estudos esses que duram anos, atingem maturidade plena na interpretação da sharia, a Lei religiosa. Trata-se, portanto, de título intelectual e religioso, que não teria, originalmente, cunho político.

 

Parte dos religiosos do xiismo são reconhecidos como líderes e intérpretes da Lei Islâmica. No século XX, o topo da hierarquia se consolidou como sendo dos aiatolás. Há milhares deles por lá.

 

A RELAÇÃO COM A POLÍTICA

 

Nem todos os aiatolás existentes conquistam projeção nacional, muito menos atuação política. Para haver mais essa vivência, é preciso que haja prestígio no clero, apoio institucional e articulação com as elites do regime político. Toda essa combinação virou algo decisivo a partir da Revolução de 1979.

 

Foi em 1979 que o aiatolá Ruhollah Khomeini liderou o movimento que culminou na queda do xá Mohammad Reza Pahlavi. Em substituição, surgiu a República Islâmica, onde existem elementos como eleições e parlamentos, bem como uma autoridade religiosa, sendo um híbrido. O líder supremo, cargo previsto na constituição e autoridade máxima iraniana é reservado a um aiatolá.

 

O líder supremo, não apenas por coincidência do nome, é mais autoridade do que o presidente, o judiciário e o parlamento. A constituição iraniana define que ele possui como atribuições:

 

• Comandar as forças armadas.

• Definir as diretrizes gerais do Estado.

• Declarar guerra e paz.

• Nomear chefes do Judiciário.

• Indicar a chefia da mídia estatal.

• Usar, se desejar, o poder de veto nas decisões presidenciais e do parlamento.

 

 O presidente, um nível abaixo do aiatolá líder supremo, é eleito por voto popular em mandatos de quatro anos, podendo se reeleger uma vez. Temas cotidianos como políticas econômicas, coordenação de ministérios, implementação de programas públicos, negociação de acordos e representação do país no exterior são de atribuição presidencial. Eles não podem contrariar as diretrizes do líder supremo dentro dos temas estratégicos.

 

QUEM É O ATUAL AIATOLÁ E LÍDER SUPREMO IRANIANO?

 

O cargo mudou algumas poucas vezes, conforme as circunstâncias. O maior nome foi Ali Khamenei, mas ele não iniciou a trajetória política como líder supremo.

 

Ali Khamenei foi fundamental na Revolução Islâmica de 1979, atuando na militarização do Estado Iraniano e na consolidação de uma autoridade quase absoluta no gabinete do líder supremo, após a deposição do Xá. Ele foi um confiável confidente do primeiro líder iraniano, Ruhollah Khomeini, e membro do conselho revolucionário. Num contexto de guerra fria, o Irã era hostil tanto aos EUA quanto à União Soviética.

 

Khamenei teve dois mandatos como presidente, de 1981 a 1989. No ano de 1989, Khomeini faleceu e outro aiatolá assumiria o poder. Ali Khamenei não tinha as qualificações formais, mas tinha força política a ponto de assumir como líder supremo e moldar o regime à sua forma. Sua definição partiu dos clérigos xiitas seniores da Assembleia de Especialistas do Irã.

 

No Oriente Médio, além do regime fundamentalista dentro do Irã, o aiatolá Khamenei e seu governo quiseram influenciar nos demais governos próximos. O Irã se tornou um dos maiores patrocinadores de terrorismo no mundo. Isso perdurou mesmo com a perda de força do Hamas – resultante das represálias de Israel em resposta ao ataque de 7 de outubro de 2023 –, dos reveses do Hezbollah após os ataques de Israel no Líbano e da queda de Assad em 2024.

 

Buscando o enfraquecimento do programa de enriquecimento nuclear iraniano, os EUA impuseram sanções e tiveram acordos anteriores, desrespeitados pelo Irã. Em 2025, EUA e Israel fizeram bombardeios visando destruir as instalações nucleares iranianas, mas não foi uma campanha totalmente efetiva, apesar dos anúncios otimistas de Donald Trump.

 

O clima interno no Irã também já não era bom. Mesmo com a imprensa limitada e o país sendo fechado, sabe-se que a economia foi se deteriorando e o povo saiu às ruas para se manifestar. Num regime autoritário, porém, isso pode custar a vida. Estimam-se trinta mil ou mais manifestantes mortos, maior número da história iraniana moderna.

 

O fim de seu governo dentro da república fundamentalista islâmica iraniana ocorreu em 2026, após um novo e intenso ataque aéreo no Irã promovido por Israel e pelos EUA. Levou algum tempo para que fosse confirmada a morte de Ali Khamenei pela imprensa.

 

Após nova deliberação, passados quase quarenta anos, foi definido como novo líder supremo o filho do líder anterior, Mojtaba Khamenei. O aiatolá já assumiu num país em guerra e restringe suas aparições públicas. No ocidente, especula-se que ele esteja ferido ou mesmo desfigurado.

 

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