Curiosidades
Diz a lenda que uma cidade perdida teria existido em meio à Amazônia. Seu nome era Ratanabá. Vamos descobrir mais sobre toda essa estória?
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| [Uma cidade escondida. Imagem: Olhar Digital | Reprodução] |
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QUANDO TUDO SE ESPALHOU? QUAL É A ESTÓRIA?
Em 2022, várias pessoas fizeram se espalhar pelas redes sociais a estória de Ratanabá. Esse local teria sido uma civilização secreta no meio da Amazônia.
Postagens virais no TikTok, no Twitter e no Instagram, diziam que Ratanabá seria maior que a Grande São Paulo, ou a capital-do-mundo e que esconderia muita riqueza, como esculturas de ouro e tecnologias avançadas de nossos ancestrais.
Volta e meia essas ideias retornam. Durante o BBB 26, por exemplo, Tia Milena e Ana Paula discutiam, em meio ao zilhão de conversas no confinamento, sobre Ratanabá.
Alguns posts iam além. Tal civilização explicaria supostos interesses estrangeiros e de homens poderosos na Amazônia. Até o crime da morte do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira foram envolvidos em meio aos posts.
E muito além. Supostamente, Ratanabá teria três pirâmides cobertas pela vegetação. Os construtores? Os nefilins, seres gigantes anteriores ao dilúvio bíblico.
É FATO OU FAKE?
Em reportagem do g1, alguns elementos dessa história foram discutidos pelo arqueólogo Eduardo Goés Neves, professor do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo (USP). Ao longo de sua explicação, ele destaca os seguintes pontos:
• Cidades perdidas: havia uma dúvida sobre cidades antigas e mesmo entre pesquisadores, essa visão foi mudando. Apesar disso, essas pesquisas não têm relação com Ratanabá ou tesouros perdidos.
• População: a grande São Paulo fica na marca de vinte e dois milhões de habitantes. No século XVI, as cidades atingiam valores muito menores. Istambul, na Turquia, e Tenochtitlán, no México, eram grandes cidades e tinham cinquenta a no máximo duzentas mil pessoas habitando. Na chegada de Pedro Álvares Cabral, estima-se dez milhões de indígenas em toda a Amazônia, muitos dizimados com a chegada europeia. Portanto, improvável que Ratanabá atingisse milhões de habitantes, ainda mais sendo "tão antiga".
• Datas: falando em antiguidade, os posts falavam de uma Ratanabá que existira entre trezentos e cinquenta a seiscentos milhões de anos atrás. Os dinossauros existiam há trezentos e cinquenta milhões de anos, e nossos ancestrais, há cerca de seis milhões de anos. O Homo sapiens sapiens, nossa espécie, há trezentos e cinquenta mil anos, surgida na África. A ordem de grandeza entre as civilizações humanas possíveis é muito menor do que os números nos posts.
• Linhas retas: uma linha reta é incomum mesmo na natureza. Algumas delas viriam da região do Forte Príncipe da Beira, em Rondônia, que era um posto colonial português. Há túneis, feitos durante as disputas de fronteira entre Espanha e Portugal nas proximidades do rio Guaporé ao longo do século XVIII. Outra possibilidade está na região próxima da fronteira entre os estados do Mato Grosso, Pará e Amazonas. Haveria uma formação natural de calcário ou algum tipo de rocha que segue um padrão linear perpendicular nesses locais.
• Culto ao descrédito (ou coisa mais grave): colocar que existiam civilizações avançadas há milhões de anos tira o crédito aos povos indígenas que vivem e sabem como é a Amazônia. É algo similar às pirâmides, onde se tira o crédito dos egípcios para atribuir aos extraterrestres. Além do descrédito, existem tons de epopeias mirabolante, como a cidade Eldorado, feita de ouro. Em meio a todos esses pontos, ideias de ocupação inadequada do território amazônico e interesses econômicos põem cortina-de-fumaça usando estórias como Ratanabá.
Diante de toda a argumentação do arqueólogo, ficou claro que Ratanabá é fake! A história real dos povos da Amazônia é muito bonita, e ela sim vale conhecer.
QUEM TERIA SIDO O CRIADOR DAS TEORIAS DE RATANABÁ
O criador de Ratanabá teria sido o mesmo do ET Bilu: Urandir Fernandes, conforme trazem veículos de imprensa como UOL, Folha e O Globo. Mais precisamente a Dakila Pesquisas, de Urandir, teria criado Ratanabá. A instituição não possui vínculo com universidades ou institutos de pesquisa reconhecidos.
FALANDO EM INDÍGENAS E AMAZÔNIA
A cultura amazônica real deve ser fortalecida e valorizada. Na ABL, visando também trazer esse mundo, Ailton Krenak se tornou o primeiro acadêmico indígena. Confira algumas ideias vindas dele 👇🏻:
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