História
Não é apenas ficção: houve uma mulher cujo apelido foi Dona Beja, que fez história no Brasil. Vamos descobrir o que fez e por quais transformações ela passou?
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| [Dona Beja. Imagem: Aventuras na História | Reprodução] |
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RESUMINDO DONA BEJA
Ela foi símbolo de beleza, independência e de uma vida considerada escandalosa nos padrões da sociedade da época. No Brasil Império, século XIX, foi uma cortesã que conquistou poder numa sociedade com domínio pelos homens.
Dona Beja era o apelido de Anna Jacintha de São José. Ela nasceu em 2 de janeiro de 1800 na cidade mineira de Formiga.
Mais de uma vez, residiu em Araxá (antiga freguesia de São Domingos do Araxá) e ganhou notoriedade ainda jovem, depois do episódio do sequestro pelo ouvidor do rei. Mesmo analfabeta, construiu fortuna e influência social, incomuns para mulheres da época. Eram comuns saraus com autoridades e coronéis de diferentes regiões que foram promovidos por ela.
Anna Jacintha acumulou propriedades, terras e grande prestígio em Minas Gerais. Dentre as propriedades, a Chácara do Jatobá ou Chácara da Beja.
Apesar do perfil distinto de sua época, inclusive sendo mãe solteira, houve uma profunda mudança de estilo de vida. Depois de anos em Araxá, Dona Beja se mudou para um lugar a mais de 100 km dali, fechando um ciclo de paixões intensas e uma vida mais dedicada à fé católica e à família.
A FILHA DO PADRE
Mais do que ser mãe solteira, imagine: quem era o pai da primeira filha de dona Beja?! As crianças brincam com a estória da mulher-do-padre, e nesse caso era a filha do padre.
Após ser raptada em 1814 pelo ouvidor Joaquim Inácio Silveira da Mota a Paracatu (MG) – inclusive virando mulher dele –, Dona Beja teve duas filhas. A primeira foi Thereza Thomazia da Silva, filha do vigário Francisco José da Silva.
Houve, inclusive, formalização documental da paternidade, com registro no Arquivo Público de Araxá e originais no acervo do museu dessa mesma cidade. O batismo de Thereza aconteceria em 1819, quando Ana Jacintha retornou a Araxá.
A segunda filha de Dona Beja foi Joana de Deus de São José. O pai era João Carneiro de Mendonça, médico e filho de fidalgo.
Joana mudou-se para o município de Estrela do Sul e se casou com Clementino Martins Borges. Ele foi o primeiro agente executivo da cidade mineira de Estrela do Sul (então chamada Bagagem). Isso trouxe influência política para Beja.
A MUDANÇA PARA BAGAGEM/ESTRELA DO SUL
Dona Beja também moraria em Estrela do Sul, passando seus últimos trinta anos de vida. Esse município ganhou esse nome por causa da descoberta de um diamante de 250 ct, que fora considerado um dos maiores do mundo (naquela época).
Mais do que uma nova cidade e possíveis interesses econômicos, Beja pode viver uma vida mais discreta. Em suas pretensões religiosas, quis poder acompanhar de casa a procissão de Nossa Senhora Mãe dos Homens, padroeira local.
Nisso, ela financiou uma ponte sobre o rio Bagagem. Hoje, essa obra-de-arte-especial já não existe, pois desabou após constantes inundações após elevadas vazões no rio, nos anos 1980.
O financiamento foi de Anna, mas depois, ela cobraria dos políticos e administradores locais. Claro que a iniciativa a pôs em crédito na comunidade e foi um marco da nova fase. A vida era mais pacata e religiosa, e as finanças eram mais modestas do que antigamente.
ÚLTIMOS DIAS E O FUTURO
Mesmo depois da morte, Dona Beja representa um símbolo cultural e é uma personagem histórica marcante, pelos fatos aqui relatados e outros. A reinvenção e a trajetória inspiraram historiadores e o mundo da dramaturgia.
Na política, ela também teve influência e foi financiadora. A ajuda com dinheiro foi destinada a políticos de Araxá que se envolveram na Revolução Liberal de 1842 (Minas e São Paulo contra o governo imperial de Pedro II, dois anos após seu início).
Em 20 de dezembro de 1873, Anna Jacintha faleceu por uma complicação renal por nefrite. O cemitério onde foi enterrada não existe mais, e fica onde hoje é a praça da matriz de Estrela do Sul.
Tentou-se identificar os restos mortais, inclusive com pedidos para buscá-los numa casa que também fica na região da praça. Os proprietários alegaram que não havia certidão de óbito. Nisso, o Ministério Público buscou vias legais de emitir a certidão de óbito mesmo sem o conhecimento exato de onde está o corpo. A certidão foi emitida em 2024, quando completou o sesquicentenário do óbito.
Alguns objetos e detalhes da história de Dona Beja foram preservados. O Museu de Araxá possui fotos dela. Além disso, resguardada a licença poética, a dramaturgia também seguirá contando sua história, uma trajetória singular.
E MARIA QUITÉRIA, QUEM FOI?
Outra história singular foi a de Maria Quitéria, que desafiou o tradicional e se tornou a primeira militar brasileira 👇🏻:
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