História
Os beatniks representam um movimento que envolveu arte, cultura e comportamento nos Estados Unidos. Ao longo deste post, a gente vai entender melhor como funcionou, quem foram os maiores nomes e aquelas polêmicas históricas que chamam a atenção de quem lê no futuro.
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| [Reunião de beatniks. Imagem: Elena Batalla | Reprodução] |
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O MOVIMENTO BEAT
A geração ou movimento Beat foi um grupo de jovens intelectuais estadunidenses – o que inclui poetas, escritores, dramaturgos e boêmios – que decidiram revolucionar, digamos assim. O contexto nas décadas de 1940 e 1950 era de pós-guerra, com vida ordenada e idolatria à vida suburbana. Ambientes lotados por jazz, drogas, religiões orientais, sexo livre e pé-na-estrada inspiraram essa revolução cultural no movimento Beat, principalmente pela Literatura. Era a contracultura.
Os membros foram chamados por algumas pessoas de hipsters, e influenciaram os hippies, que viriam mais tarde. O pessoal da geração Beat buscou se expressar livremente e contar suas histórias, o que levou a um grande número de livros naquela época.
BEAT E BEATNIK
Não apenas hipsters eram nomeados os representantes dessa vertente. O nome dos membros vinha do jazz, de onde surgiam novas gírias. Beat (do inglês, que significa batida) era relacionada à batida do jazz, que inspirou Jack Kerouak a chamar sua geração assim.
Se "beat" tinha essa origem, o que seria "nik"? Esse sufixo veio do satélite soviético Sputnik, lançado no ano de 1957. Juntando esses termos, beatnik surgiu, sendo aquele escritor independente e arrojado, pronto para dar vida às palavras com uma linguagem inovadora. Essa inovação surgiria a partir de:
• Proximidade com a realidade.
• Poesia mais urbana.
• Estilo de escrita único.
Além disso, o termo beatnik acabou se estendendo. Ele virou um termo depreciativo, usado pela mídia da época para designar jovens alinhados ao estilo beat.
PRINCIPAIS AUTORES E FIGURAS
Dentro dos beatniks, pode-se citar alguns exemplos marcantes dessa geração:
• Allen Ginsberg – O uivo (Howl, 1956), Kaddish (1960);
• Jack Kerouac – Pé na estrada (On the Road, 1957);
• William Burroughs – Junkie ("viciado", em português - 1953) e Almoço Nu (The Naked Lunch, 1959);
• Gregory Corso – "Marriege" (1960) e Gary Snyder – Riprap (1959).
No contexto literário, o movimento beat ocorreu entre 1944 a 1959. Também atingiu outras formas de arte, com menos impacto. Vamos ver um pouco mais de alguns desses ícones do movimento beat:
Jack Kerouac (1922 - 1969)
A principal obra de Jack Kerouac foi "On the Road", de 1957. Ela se tornou a “Bíblia hippie”, onde ele fala sobre sua viagem de sete anos cruzando os EUA, com idas frequentes ao México.
Quando falamos em ritmo frenético de escrita, você pode ter ideia por aqui. Kerouac redigiu esse livro em três semanas, com uma máquina de escrever e dois rolos de papel. Ele usou rolos porque não queria ter de inserir as folhas uma a uma dentro da máquina.
Esse estilo de escrita também foi impulsionado pela ação da droga benzedrina, um tipo de anfetamina. Era de suas ideias voando por ação da droga que saía sua escrita frenética.
Allen Ginsberg (1926 - 1997)
A principal obra de Allen foi "Uivo e Outros Poemas" (1955-1956). Ele era poeta convicto, e na composição, provava todo tipo de droga – chegando a distribuir LSD nas ruas. Depois, ele mudou e se viciou em outras coisas, como yoga e meditação.
Ele foi ideólogo e agitador do movimento, provocando a expansão até por gerações futuras. Seu visual com cabelo comprido, barba e batas indianas coloridas teriam inspirado o típico visual hippie.
Allen era ativista LGBTQIA+. Em suas andanças, mesmo depois do fim do movimento beatnik, teve contato com pessoas do mundo artístico, principalmente musical.
Em 1969, numa lancheria de New York, confundiu uma moça de penteado diferente com um rapaz. Pagou-lhe um sanduíche, querendo flertar. Era Patti Smith, a cantora e compositora considerada madrinha do punk.
Já em 1974, Ginsberg recebeu uma fita com uma canção ainda incompleta. Era "Because The Night", de Bruce Springsteen, que ele finalizaria. O envio foi culpa de Jimmy Lovine.
Naquela década de 1970, Allen foi Engenheiro de Gravação de Springsteen e produtor de Patti. Mais tarde, nos anos 2000, associou-se ao rapper Dr. Dre, fundando a Beats Eletronics, fabricante de headphones, e que carrega o nome do movimento Beat até hoje. Ele já não é mais proprietário da marca e da empresa.
William Burroughs (1914 - 1997)
Dos citados aqui, foi quem mais sofreu com as drogas, passando por vários tratamentos. Chegou a estar na América do Sul para estudar o alucinógeno ayahuasca.
Na literatura, começou e deixou inacabados diversos manuscritos sobre homossexualidade. Sua principal obra foi "Almoço Nu", de 1959.
Mais doido que tudo isso, foi o modo com que perdeu sua esposa, em viagem ao México. Com um copo na cabeça dela, atirou e acabou a matando, naquela brincadeira-boba quando as pessoas querem se aparecer com armas.
Lawrence Ferlinghetti (1919 - 2021)
De Lawrance, a principal obra literária foi "Um Parque de Diversões da Cabeça", de 1958. Sua vida foi muito longa, principalmente por não ter o mesmo estilo de vida dos colegas.
Foi a editora de Lawrance, a City Lights, que publicou as principais obras dos beatniks. Isso lhe rendeu algumas dores-de-cabeça, como o livro "Uivo", para o qual houve uma acusação de obscenidade e consequente prisão.
Gregory Corso (1930-2001)
Ele teve uma triste história de vida, sendo abandonado pela mãe quando recém-nascido e passando por vários lares adotivos e orfanatos. Na adolescência, foi preso por furto e, estando preso, tornou-se autodidata e descobriu o caminho da literatura. No ano de 1960 escreveu sua principal obra literária, Bomb.
O mais jovem beatnik foi afetado psicologicamente por seu contexto de vida. Mais de uma vez, ele foi internado num hospício.
O MARCO INICIAL E O CONTEXTO HISTÓRICO
O começo dos beatniks é considerado como sendo um recital gratuito na Six Gallery, próxima aos guetos de San Francisco. Havia negros, latinos e imigrantes.
Os poemas tinham cunho político e contestador quanto aos acontecimentos do pós-guerra nos EUA. O contexto era de forte paranoia anticomunista, inclusive com perseguição. Sessões similares aconteceram, mas o clima era desfavorável, conservador e de forte repressão.
Obras consideradas subversivas faziam os autores terem de ir às cortes para responderem a processos. Um exemplo é "Almoço Nu", citado há pouco, de William Burroughs.
A ideia de reprimir os beatniks não foi bem-sucedida. A imprensa divulgava os processos e isso trazia popularidade ao movimento Beat, mesmo que isso fosse indesejado pelo governo. O público médio não sabia de todos os segredos dentro dos livros, enquanto hoje são considerados ícones.
CARACTERÍSTICAS DA OBRA
Na obra literária dos beatniks, é possível ver alguns traços específicos, como:
• Temas, personagens e estilo narrativo muito intensos.
• A escrita era compulsiva (lembre o livro de Jack em três semanas).
• O fluxo de pensamento era desordenado, por vezes caótico.
• A linguagem tinha muitas gírias e palavrões: o chamado hip talk, que era o vocabulário do submundo marginal de New York.
• Valorizava-se a transmissão oral.
• Trocas culturais entre etnias, miscigenação e visões igualitárias recebiam apoio.
INFLUÊNCIA
Com essas características, os beatniks influenciaram:
• Os movimentos estudantis e a onda hippie dos anos 1960, que herdaram causas ecológicas e de amor livre.
• A liberação feminista e o movimento homossexual, a partir da luta beat pela liberdade sexual.
• Canções de Bob Dylan e Jim Morrison e filmes de Wim Wenders e Jim Jarmusch.
• O punk rock, pois o espírito beat era de entusiasmo selvagem, espontâneo e contestatório.
NO CINEMA
O diretor brasileiro Walter Salles, de "Ainda Estou Aqui", também foi diretor fora do Brasil. No filme "On the Road", com Kristen Stewart (que já atuou na saga "Crepúsculo") e Kirsten Dunst (que esteve em "Homem-Aranha"), é retratado o movimento Beat, onde eles viajam pelos EUA, fugindo de qualquer tipo de monotonia.
Walter Salles tentou captar o estilo beatnik. Ele fez o roteiro do livro homônimo "On the Road", de Jack Kerouac.
OS BEATNIKS BRASILEIROS
No Brasil, um grupo vocal e instrumental de rock, formado no ano de 1965, em São Paulo, capital, foi batizado como "The Beatniks". Apesar do nome, não eram cantores de jazz, mas seguiam um rock inglês ao estilo Rolling Stones, Beatles e The Kinks. O grupo acompanhou vários artistas da Jovem Guarda, como Roberto Carlos, que os chamava de “o mais perfeito Liverpool sound do Brasil”, em shows, apresentações na televisão e gravações.
NO BRASIL TAMBÉM HOUVE PERÍODOS DE REPRESSÃO
A ditadura militar foi um período mais duro, assim como na época dos Beatniks estadunidenses, para artistas brasileiros. No Brasil, Chico Buarque chegou a usar um pseudônimo. Relembre essa história 👇🏻:
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