Cultura e Comportamento
Boa parte da Filosofia se dedica a discutir sobre qual o sentido da vida, para que ela serve? Na corrente do Hedonismo, afirma-se que o prazer é algo máximo a buscar e seria a finalidade da vida humana. Ao longo deste post, vamos saber e entender melhor o hedonismo, saindo da sua história aos dias atuais.
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[Vida jovem e instagramável. Imagem: Ron Lach / Pexels | Reprodução] |
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O QUE É O HEDONISMO?
Como mencionado há pouco, hedonismo possui foco no prazer. A etimologia da palavra explica: é um termo de origem grega que une "hedon" (prazer, desejo) a "ismo" (sufixo para doutrina).
Visando a felicidade, o hedonismo se sustenta na busca do prazer e na negação do sofrimento. Nos dias atuais, a roupagem do hedonismo aparece nas vidas dedicadas ao prazer em excesso e vidas pautadas no consumismo desenfreado – cujas consequências se refletem no próprio ser, em seus semelhantes e até no meio ambiente.
AS VISÕES NA GRÉCIA ANTIGA
Ao falar em hedonismo, dois grandes filósofos gregos se destacam: Epicuro de Samos (341 a.C.-271 a.C.) e Aristipo de Cirene (435 a.C. - 356 a.C.). Apesar de que o título de pai-do-hedonismo seja atribuído ao segundo, Epicuro repercute mais sobre o tema até hoje.
Ambos acreditavam que a felicidade surgia da supressão da dor e do sofrimento da alma, levando ao prazer e, por conseguinte, à felicidade. Apesar disso, tinham diferenças, o que fez surgir duas subcorrentes:
• Escola Cirenaica ou Cirenaísmo (séc. IV e III a.C.): de Aristipo, centrava-se no prazer do corpo. Essas necessidades, sendo resolvidas, trariam mais felicidade.
• Epicurismo: de Epicuro, dizia que prazer rra paz e tranquilidade, não necessariamente imediatista e individualista, como o hedonismo da escola Cirenaica.
Epicuro ponderava mais o que seria prazer. Ele considerava que havia coisas que poderiam dar prazer, mas tinham efeito-colateral e vinham carregadas de sofrimento.
Além disso, Epicuro estabeleceu o que seriam as três premissas para a vida feliz:
1 – Amizade, vivendo cercado de amigos, com relação cotidiana e duradoura.
2 – Autodeterminação, onde a pessoa deve ser capaz de trazer seu sustento, e não depender de outras pessoas ou mesmo de um patrão. É preciso, porém, dar limites a si, pois a busca incessante de bens materiais impede de chegar à felicidade.
3 – Autoconhecimento, pois saber suas próprias necessidades e o que traz prazer ajuda a direcionar esforços. Uma mente leve e calma parte do autoconhecimento.
Sintetizando o Hedonismo em sua forma de Epicurismo, Epicuro de Samos afirma que "O prazer é o princípio e o fim de uma vida feliz."
HEDONISMO NOS DIAS ATUAIS
Da Grécia para cá, as formas do Hedonismo mudaram. Na pós-modernidade (período atual), o ser humano tende a ser bem individualizado e focado em prazeres efêmeros. Muitos desses prazeres giram em torno de adquirir bens de consumo.
Nessa busca de prazer, a ideia de qualidade de vida individual se sobrepõe até a alguns princípios éticos. Esse prazer se associa a ideias baseadas no consumo e no egoísmo.
Outra face do hedonismo pós-moderno é a juventude prolongada ou até eterna. Os jovens passaram ao protagonismo no entretenimento (artes, música, novela, filmes...) e no dia-a-dia são vistos como quem tem liberdade, disposição, capacidade de inovar e beleza.
Diante de tantos atributos, quem não quer ser jovem?
Tudo isso começou a partir do final da Segunda Guerra Mundial. Os EUA foram berço e o resto do mundo ocidental e capitalista acabou adotando a ideia depois.
A ideia da juventude "empoderada", sem espaço para sofrimento e culpa, altamente hedonista e individualista, caiu muito bem na filosofia capitalista. Jovens viraram o centro do consumo. O prazer vale a todo momento e a qualquer custo, mesmo que venha da bebida ou das drogas.
No passado, a ideia de jovem ou de adolescente era de alguém desencaixado, pois era maduro demais para ser criança, mas ainda não era adulto. O adolescente era um ser desajeitado, antissocial e até malcuidado.
Atualmente, o jovem é visto como um modelo de sensualidade. Ser jovem é visto tão bem que todos querem, de forma eterna. Fato é que mesmo que aparência ou os sentimentos se mantenham, o tempo passa.
Nos países ocidentais, há uma mudança de cultura que abarca a juventude prolongada:
• A vida estudantil é mais prolongada.
• A entrada no mercado de trabalho ocorre mais tarde.
• Os jovens ficam por mais tempo na casa dos pais.
O jovem ainda fica dependente da família, mesmo que a vida adulta lhe traga algum crescimento econômico. Ainda assim, ganham alguma liberdade da vida adulta. Isso não é uma regra, claro: nas camadas sociais mais pobres, pode ser questão de sobrevivência, pois é caro crescer.
Como a cultura jovem pressiona por uma vida cheia de brilho e movimento, com festas e vida social intensa, isso vira uma pressão. Apesar de que pareça bom, e até que alguns pais achem que seus filhos estão bem e realmente sabem aproveitar-a-vida, nem tudo vai tão bem assim.
Mesmo nesse modelo mais hedonista de viver, os jovens sofrem. Existe um aumento da ansiedade e depressão juvenis, angústias diante das expectativas e uma solidão paradoxal (mesmo que vivam cercados de gente).
A entrada no mundo adulto também gera pânico. Faltam modelos sólidos para seguir, e até os pais são mais "jovenzões" e amigões.
A RELIGIÃO E O HEDONISMO
O hedonismo acaba sendo contrário a muito do que as religiões pregam. A religião tenta focar em virtudes, que podem surgir da resiliência e de momentos de dificuldade, os quais seriam picotados em prol do prazer.
A tradição judaico-cristã se alinha ã filosofia de Platão. Nela, corpo e alma seriam separados, o corpo seria o lugar do erro, enquanto a alma carregaria a pureza e a imortalidade.
Dedicar-se aos prazeres do corpo seria afastar-se da alma, o que poderia ser um pecado. O filosofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) – que tinha família religiosa – criticava a religião por buscar controlar o prazer.
O HEDONISMO E O UTILITARISMO
Se o Hedonismo se baseia no privilégio do prazer, o Utilitarismo no fato de a ação útil ser considerada a mais correta. Essa corrente filosófica foi criada no século XVIII pelos filósofos britânicos Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1873). Outro grande nome é Henry Sidgwick (1838-1900).
Na associação com o hedonismo, a ação que causa prazer é aquela que será útil. O utilitarismo se alinha ao chamado "princípio do bem-estar máximo".
ALÉM DO HEDONISMO: AS CORRENTES FILOSÓFICAS
Não caberia num único post o entendimento da Filosofia. Você pode saber ainda mais lendo este post 👇🏻:
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