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Chuveiro elétrico: criação tipicamente brasileira

 Curiosidades

 

Muitos de nós temos chuveiros elétricos em casa, mas não sabemos que essa é uma invenção tipicamente brasileira. Isso não é nenhum demérito, e é algo que funciona, com os devidos cuidados, muito bem. Vamos descobrir várias curiosidades ao longo deste post.

 

Caixas de chuveiros de Francisco Canhos

[Modelos de chuveiros produzidos pela primeira empresa fabricante. Imagem: g1 | Reprodução]


 

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IDEIAS PARECIDAS

 

Aquecer a água para o banho não foi a novidade do invento. No Egito e na Grécia Antiga, já havia aparelhos com esse propósito.

 

A grande sacada que veio no chuveiro elétrico foi de aquecer a água quase instantaneamente. As soluções grega e egípcia do passado envolviam aquecer água separadamente. No Brasil, havia uma espécie de balde, parecido com regador, em que se inseria água já aquecida.

 

Na Europa, o aquecimento mais comum é por um sistema de passagem (ou de acumulação) por gás. No Brasil, há casas e estabelecimentos maiores com sistemas similares. Outra inovação foi o uso da eletricidade, que faz sentido no nosso contexto nacional, de país quente.

 

A INVENÇÃO DE FRANCISCO CANHOS

 

Francisco Canhos inventou o chuveiro elétrico nos anos 1930. A ideia partiu dos cuidados com o pai doente.

 

Com menos de vinte anos de idade, ele morava no município de Jaú (SP). Não tinha formação técnica ou acadêmica, mas foi uma pessoa criativa.

 

O pai de Francisco Canhos tinha uma doença reumática, e precisava de banhos quentes com frequência. Por não poder tomar banhos gelados, Francisco esquentava água no fogão à lenha todos os dias e colocava a água naquele balde para banho.

 

O ferro elétrico já existia, mas não era automático. Francisco Canhos desmanchou um e viu como funcionava, olhando tudo, principalmente o resistor elétrico. Colocou esse resistor num tubo e ligou. Houve vezes que funcionou, mas queimou algumas vezes. Foi na tentativa e erro.

 

A invenção ficou famosa em Jaú, e ele começou a vender informalmente, de porta em porta. O modelo de chuveiro ainda não era automático: precisava acionar um seletor assim que a água começasse a passar pelo tubo.

 

Dava para aprimorar, e isso foi feito. A entrada de água pelo diafragma o faz subir e realizar contato do resistor com o restante do sistema. Isso tornou o aquecimento automático.

 

Tudo foi crescendo e chegou a se transformar numa fábrica. Ela foi montada no bairro Jardim Santo Antônio, onde hoje uma avenida leva o nome do inventor. Os chuveiros eram vendidos para todo o Brasil, com o nome F. Canhos.

 

Em paralelo, as indústrias foram criando outros eletrodomésticos com aquecimento. Resistores entraram na churrasqueira elétrica, torrador de café e outros tantos. O chuveiro persistiu até hoje, além dessas opções.

 

O chuveiro de Canhos ainda era metálico. Os chuveiros com corpo plástico viriam apenas trinta anos após.

 

PERDA DE PATENTE E CONCORRÊNCIA

 

A família se descuidou e deixou vencer a patente do chuveiro elétrico. Anos depois, essa patente passou a ser da empresa italiana Lorenzetti. 

 

Ela e outros fabricantes passaram a fazer chuveiros automáticos, parecidos com o de Canhos. A Fame, por exemplo, contratou um ex-funcionário da fábrica de Canhos, como contou a família do inventor, em entrevista ao g1.

 

A fábrica perdurou até 2019, tendo também uma unidade em São José do Rio Preto (SP). Depois, uma das filhas de Francisco Canhos arrendou a fábrica. Ele já havia falecido há trinta e um anos quando isso aconteceu, na cidade de Jaú, em maio de 1988.

 

MOTIVOS DO SUCESSO

 

Em 1930, o Brasil estava passando por um rápido processo de urbanização. Isso facilitava disseminar alguns tipos de produtos.

 

Outro aspecto é ser um sistema fácil de implantar. As tubulações de água não precisam ser mais complexas para acrescer o mecanismo de aquecimento. Quanto à operação, o bom é que aquece apenas a água necessária, perto do ponto de consumo.

 

SEGURANÇA

 

O chuveiro funciona pelo efeito Joule. Ao passar pelo resistor, ocorre um efeito de resistência de passagem à corrente elétrica, gerando aquecimento. Para favorecer isso, alguns dispositivos usam resistores em mola, enquanto outros têm formatos em ziguezague, aumentando ao máximo o percurso dos elétrons.

 

Ao mesmo tempo que corrente elétrica passa pelo resistor, a água que passa no resistor vai sendo aquecida. A imersão na água é um ponto que pode assustar as pessoas.

 

O volume de água em contato com as partes energizadas está no mesmo potencial elétrico da pessoa que está tomando banho. Isso faz com que não aconteçam choques.

 

Além disso, cuidados são necessários para segurança. Aterramento, DR e outros aspectos fazem parte de um projeto elétrico e são fundamentais. Um Engenheiro Civil, Arquiteto ou Engenheiro Eletricista podem auxiliar no projeto e indicar como devem ser esses elementos. Na instalação e manejo do chuveiro, contratar pessoas capacitadas também é muito importante.

 

Na Europa, o chuveiro do modelo brasileiro é proibido. Lá, o resistor precisa ser blindado, isto é, isolado do contato direto com a água.

 

E A INVENÇÃO DOS DIFERENTES TIPOS DE RELÓGIO?

 

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