Carros

 

Quando se fala em FNM, ou FêNeMê, muitas lembranças afetivas dos brasileiros são ativadas, principalmente dos amantes de caminhões. Mesmo que se considere os caminhões Iveco/Fiat como sucessores, não se associa os caminhões de lá do passado com os modelos com novo nome e marca.

 

Isso pode mudar, com uma novidade que veio entre 2020-2021. Uma iniciativa trouxe de volta a marca FNM, com uma proposta moderna, a de caminhões elétricos! Vamos relembrar a história da FNM e como ela ressurgiu agora?

 

 

Logotipo no caminhão FNM
[Logo antigo (e quase o atual) da FNM. Imagem: Museu de Caculé / Reprodução]


 

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A FÁBRICA NACIONAL DE MOTORES: O BERÇO DOS FENEMÊS

 

A partir de agora, vamos relembrar um pouco do histórico da FNM, com base em informações da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A Fábrica Nacional de Motores não foi criada para ser fabricante de caminhões, mas como uma empresa que envolvia capital estatal (federal) e privado, fabricante de motores para avião, no ano de 1942. A criação ocorreu em meio a Segunda Guerra Mundial, para fornecimento de guerra.

 

A FNM começou por motores de avião (em modelos já obsoletos na época), passando por peças de indústria têxtil e de geladeiras, até tampas de garrafa. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, acabara o interesse estadunidense, e a fábrica perdeu recursos e mudou de rumo. Passou a fabricar tratores e, em 1946, caminhões.

 

Esses caminhões eram um misto de produto nacional e importado. Em 1948, o caminhão FNM D-7.300 surgiu da parceria com a italiana Isotta-Fraschini, vendendo duzentas unidades até a falência dessa parceira italiana, em 1951. No ano seguinte, fez-se uma parceria com outra italiana, a Alfa Romeo.

 

A FNM, como empresa estatal de economia mista, rumou segundo as políticas dos governos de Getúlio Vargas e outros do período Liberal-Populista. Lá pelo ano de 1956, as políticas públicas foram se direcionando a estimular empresas privadas nacionais e estrangeiras, e não lançou novas ideias como a FNM. Também nesse ano, o governo federal reduziu sua participação na FNM para 51 %.

 

A COMPRA PELA FIAT E ALFA-ROMEO

 

Pelo ano de 1959, surgiram novas fábricas no Brasil, como Scania-Vabis e Mercedes-Benz, o que mudou as forças de mercado no Brasil. A FNM foi sobrevivendo, mas com dificuldades, o que a fez encerrar a produção de tratores em 1961 e passar por trocas de direção. Até o Governo de João Goulart (1961-1964), ainda houve interesse de manter a fábrica.

 

Já no período de Ditadura Militar, as práticas de desestatização de alguns setores afetaram a FNM, que foi transferida ao setor privado em 1967. Já no ano de 1973, a companhia era dividida em Alfa Romeo (51 %), Fiat (43 %) e outros acionistas diversos. Nos anos 1980, Fiat e Alfa Romeo já eram a mesma empresa, houve modelos com nome FNM, Fiat Diesel e, já em 1985, apenas sob a marca Iveco.

 

A marca Iveco em si é associada à Fiat, e uma série de fusões, divisões e trocas de nomes de empresas desfizeram essa associação nos últimos anos. Atualmente, está nas marcas da CNH Industrial, detentora das marcas Case e New Holland também.

 

FNM EM 2020: UMA STARTUP E A MISTURA DO NOVO COM O SAUDOSISMO

 

Como foi comentado logo no começo, Iveco ficou, mas nunca é lembrada como a FNM e, em 2020, esse icônico nome surgiu, dessa vez de algumas iniciativas privadas, para novos caminhões. A FNM atual corresponde à sigla Fábrica Nacional da Mobilidade. Essa startup parte de um programa da Ambev para a redução de emissões de CO2, com a compra de caminhões elétricos.

 

A Ambev adquiriu caminhões elétricos Volkswagen e da nova FNM. Esses caminhões FNM estão sendo produzidos na empresa Agrale, fábrica gaúcha de caminhões da cidade de Caxias do Sul. A FNM possui vários empresários como sócios, inclusive um acionista da também caxiense Marcopolo, tradicional no mundo dos ônibus. As baterias são importadas dos EUA e os implementos já saem da fábrica caxiense Randon.

 

A sede da empresa FNM é no Rio de Janeiro, mas a fabricação e todos os detalhes são caxienses, como se pode observar. O registro da marca aconteceu anos antes, no INPI, para viabilizar esse retorno.

 

Olhando o caminhão novo, percebe-se os traços dos antigos FNMs na grade, logotipo e faróis, e traços modernos com para-brisa único, porta que traz as linhas dos modelos Agrale, e para-choque com relevo em destaque nas duas laterais, uma característica marcante em caminhões mais novos. Veja como ficou e compare com a foto a seguir:

 

Meio moderno e meio retrô, está aí o novo FNM
[Novo FNM. Imagem: Blog do Caminhoneiro / Reprodução]

 

Traços muito antigos acabaram sendo removidos, como se observa nesses modelos de lá de antigamente
[FNM dos tempos antigos. Imagem: Evolua 32 / Reprodução]

 

OUTRAS REINVENÇÕES E PARCERIAS DA AGRALE

 

A Agrale existe desde 1962, e atua em segmentos como carros utilitários 4 x 4, grupos geradores, tratores, caminhões e chassis para ônibus. Em 1998, além de sua marca, fez um acordo similar aos que a FNM antiga fazia, sendo a responsável pela montagem dos caminhões International (da estadunidense Navistar) no Brasil, acordo que durou até 2013. Assim como existem fenemês até hoje, também existem esses caminhões com pinta de filme (da International) circulando por aí.

 

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O nome FNM possui seu peso histórico, mas estamos falando de futuro. Na sugestão de post da linha azul 👇🏻, você consegue entender melhor algumas características de carros elétricos:

 

 

 

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