Vocabulário


Uma língua é um ente vivo, onde surgem expressões a todo momento e outras perduram por muitos anos, perdendo-se o senso completo de seus significados. Se hoje falamos tranquilamente que algo foi feito nas coxas, na época de origem da expressão, houve cunho racista.

Em algumas expressões, esse contexto se perdeu, enquanto que outras permanecem sendo racistas, devendo ser evitadas. Vamos ver mais a seguir?

https://www.oblogdomestre.com.br/2019/12/ExpressoesRacistas.Vocabulario.LinguaPortuguesa.html
[Imagem: Pexels/Pixabay]



AS EXPRESSÕES


Ovelha-negra: seria aquele indivíduo que destoa dos demais por algum defeito. Esta expressão coloca a ovelha branca como algo normal e a cor negra como sendo pejorativa, prejudicial.

Nas-coxas: é a expressão para algo feito às pressas, malfeito. Durante a existência da escravidão de negros no Brasil, utilizava-se as próprias coxas das pessoas como formas para telhas capa e canal. Cada pessoa possui dimensões corporais diferentes, o que levava à produção de telhas ruins e desparelhas.

Mulato(a): é o animal resultante de jumento x égua ou cavalo x jumenta. Sendo uma mistura de "raças", passou a significar também pessoas com pai de uma cor de pele e mãe com outra cor de pele.

Meia-tigela: é aquela pessoa que é incompetente, que faz pouco naquilo que faz. A origem está no trabalho dos escravos nas minas de ouro, que recebiam apenas meia tigela de comida quando o desempenho do trabalho era "insatisfatório".

Inveja-branca: seria uma "inveja boa", "inveja do bem", como se espelhar em alguém que prosperou e fazer igual. Novamente a cor branca vira algo "bom", e negro vira "ruim", de forma similar à expressão denegrir.

Da-cor-do-pecado: um elogio para pessoas negras, principalmente mulheres. A expressão firmou um imaginário sexualizado dos negros, com o pecado em meio à sociedade religiosa.

Preto-de-alma-branca: associa a cor branca como sendo algo melhor, mais valioso, ou num contexto mais profundo, como "cidadão-de-bem". Nesta expressão, claramente racista, fica a pergunta: alma tem cor?

QUAIS DELAS EVITAR?


As expressões que não falam diretamente da cor já ficaram incorporadas ao nosso vocabulário. Seria um desafio enorme pensar nelas fora de nossa língua, até mesmo porque hoje não são mais pensadas em um contexto racista como "meia-tigela" ou "nas-coxas". Mas se você se sentir desconfortável ao saber destas origens, pode ser importante buscar outras expressões para usar.

Por outro lado, falar em mulata, da-cor-do-pecado, ovelha-negra, preto-de-alma-branca e outras menções diretas à cor não deixarão de se inspirar em conceitos racistas nunca. O senso de significado não se perde e, deste modo, evitar é o melhor caminho.




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