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Os laboratórios de Terras Raras em Minas Gerais (MG)

 Ciência & Saúde

 

Minas Gerais abrigou alguns marcos históricos brasileiros, principalmente na era da mineração, no ciclo do ouro do século XVIII. Hoje parece que outros minerais valiosos entraram na mira e serão explorados no estado, como as chamadas terras raras. 2025 teve alguns marcos nesse sentido, os quais vamos rememorar a seguir.

 

 

Algumas amostras desses minerais de terras raras

[Fragmentos de Terras Raras. Imagem: NeoFeed | Reprodução]


 

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O QUE SÃO TERRAS RARAS?

 

O nome de terras raras é dado a um grupo de elementos químicos que, curiosa e paradoxalmente, são abundantes na natureza. Pensando na tabela periódica dos elementos, incluem o escândio, o ítrio e os quinze elementos da série dos lantanídeos:

 

• Lantânio.

• Cério.

• Praseodímio.

• Neodímio.

• Promécio.

• Samário.

• Európio.

• Gadolínio.

• Térbio.

• Disprósio.

• Hólmio.

• Érbio.

• Escândio.

• Túlio.

• Itérbio.

• Lutécio.

• Ítrio.

 

As terras raras possuem magnetismo intenso. São resistentes a altas temperaturas.

 

O apelido de raras não é pela não abundância, mas porque é difícil a separação desses elementos químicos em sua forma pura dos minerais onde estão acumulados. Isso torna a extração e separação complexas e custosas. Mesmo assim, existe interesse na extração pelos diversos usos práticos das terras raras.

 

QUAIS OS USOS?

 

Já que citamos que eles existem, vamos além. Os usos das terras raras incluem a fabricação de ímãs permanentes, catalisadores, componentes eletrônicos, iluminação, superligas, cerâmicas avançadas, aplicações médicas e supercondutores. 

 

Alguns dispositivos demandam as terras raras:

 

• Televisores de tela plana.

• Monitor de smartphone.

• Monitor de notebook.

• Lâmpadas de LED.

• Equipamentos de raio-x e tomografia para a área médica/odontológica.

• Mísseis teleguiados.

• Ímãs de motores elétricos.

• Turbinas eólicas.

 

E muito mais. As terras raras, portanto, são centrais em tecnologias estratégicas como a geração de energia limpa, mobilidade elétrica, defesa e eletrônica. Por elas passa, portanto, a tão falada transição energética.

 

O PANORAMA MUNDIAL

 

Para todas essas aplicações, há jazidas de terras raras em alguns países do mundo, inclusive no Brasil. Nosso país concentra 23 % das reservas que se conhece no mundo.

 

As jazidas brasileiras são encontradas nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas e Bahia. A exploração delas garantirá empregos e geração de riquezas, sendo estratégica no desenvolvimento nacional e fortalecimento global.

 

Instituições brasileiras e empresas globais estão alinhadas para desenvolver a extração. O CIT Senai ITR de Minas Gerais, por exemplo, firmou Memorandos de Entendimento (MoUs) com importantes empresas nacionais e internacionais, como Meteroric, Viridis, Viridion, Aclara, BBX, ST George e AXEL REE. A partir desses memorandos e acordos, haverá o desenvolvimento conjunto de tecnologias, testes industriais e práticas sustentáveis de exploração.

 

CALDAS E POÇOS DE CALDAS

 

Uma jazida mineira de terras raras fica onde há um vulcão inativo ao sul do estado. Esse vulcão foi extinto há cento e vinte milhões de anos. Alguns apelidos da área são Planalto de Poços de Caldas ou Cratera de Poços de Caldas.

 

A área dessa jazida contempla todo o município de Poços de Caldas (MG), além de Caldas (MG), Andradas (MG) e o município do estado vizinho de Águas da Prata (SP), o que corresponde a 750 km². O geólogo Álvaro Fochi foi o responsável por encontrar a jazida no início dos anos 2010.

 

Na jazida, existe uma camada de solo rica em argila iônica – onde estão as "terras raras". A posição é de superfície, aproximadamente 30 m de profundidade. Essa posição tira a necessidade de perfurações profundas ou explosivos, comuns em outros tipos de extrações como as minas subterrâneas.

 

Apenas 15 % da jazida, em área, passou por estudos, os quais lançaram o cálculo do potencial de dois bilhões de toneladas de argila com íons de terras raras. Extrapolando aos 100 % da jazida, pode-se chegar a dez bilhões de toneladas no total, ou anualmente a produção de dezoito mil toneladas. 

 

Esse potencial leva a jazida do Projeto Caldeira, de Poços de Caldas a ser competitiva em volume e custos com a mineração realizada na China, que lidera a exploração de terras raras desde o ano de 1990. Para se ter mais uma ideia, a jazida mineira pode atender 20 % da demanda global.

 

Antes de explorar a jazida, foi inaugurado em 2025 um laboratório. Como os processos de extração de terras raras podem envolver radioatividade – esses minérios podem conter elementos radioativos como urânio e tório – as atividades realizadas nesse laboratório serão acompanhadas pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). Testes anteriores feitos na Austrália apontaram muito baixa radioatividade e a ANSN seguirá monitorando.

 

O laboratório inaugurado em Poços de Caldas (MG) possui estrutura para processar 500 kg de carbonato misto de terras raras por ano. Como um protótipo, permitirá ajustar pontos na produção e garantir qualidade. Segundo a Meteoric, mineradora envolvida, será a primeira iniciativa nacional que envolve o refino.

 

Esse laboratório teve licença ambiental aprovada e resulta de um investimento de um milhão e meio de dólares. A área da jazida é mais crítica, o que resulta em maior espera da votação da licença ambiental, adiada duas vezes no Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam).

 

O atraso mencionado acontecera tanto no pedido da Meteoric (Caldas) quanto no da Viridis (Poços de caldas). Questionamentos de segurança ambiental e interações com comunidades e entorno foram temas de análise mais densa. Ajustes e reanálises são necessários e fazem parte do processo de aprovação legal, que precisa ser criterioso.

 

Há mais demandas ambientais na região visando aprovações de exploração.. Entre 2023 e 2024, a Agência Nacional de Mineração (ANM) recebeu mais de uma centena de pedidos de pesquisa de terras raras na cratera e seu entorno, o equivalente a um terço de todas as autorizações de pesquisa para esses minérios concedidas para Minas Gerais no período.

 

LAGOA SANTA

 

Também em Minas Gerais, na cidade de Lagoa Santa, foi inaugurado o primeiro laboratório-fábrica de ímãs e ligas de terras raras do hemisfério sul, o Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR). Lagoa Santa fica na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

 

A implantação foi feita pela Codemge entre 2015 e 2023, e em dezembro de 2024, passou a ser operado pela FIEMG, com gestão integrada ao CIT Senai. Veja que, diferentemente dos outros laboratórios mencionados, existe DNA nacional na iniciativa, dentro do sistema S.

 

Faz bastante sentido também, no contexto do Senai de pesquisa e extensão. Nele, há outros laboratórios em áreas como química, metalurgia, processamento mineral, ligas especiais e meio ambiente.

 

Pelo projeto estruturante MagBras, com vinte e oito empresas e seis Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), além do próprio CIT Senai ITR, a instituição quer dar um passo além. A iniciativa cria uma rede robusta de pesquisa e desenvolvimento com foco em soberania tecnológica, inovação industrial e sustentabilidade.

 

SAINDO DAS TERRAS RARAS PARA AS PEDRAS PRECIOSAS

 

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