Cultura e Comportamento
O efeito Dunning-Kruger reúne os dois nomes dos psicólogos estadunidenses que primeiro o definiram: David Dunning e Justin Kruger. Esse efeito explica duas consequências distintas em relação à percepção das pessoas quanto à competência, as quais vamos entender melhor a seguir.
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[Saindo do escuro com conhecimento. Imagem: Dayan Rodio / Pexels | Reprodução] |
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O QUE É O EFEITO DUNNING-KRUGER?
Antes de falar desse efeito, cabe relembrar alguns fenômenos que têm se intensificado nos últimos anos. Um deles é um movimento de descrença na ciência e no conhecimento baseado em estudos e análises científicas, o que alimenta movimentos como terraplanistas ou antivacinas. Muitas pessoas desses movimentos parecem firmes em acreditar que conhecem muito mais do que especialistas da área.
Robert Cialdini fala um pouco disso em seu livro sobre persuasão (veja nas sugestões de leitura). Pode ser um viés de autoridade achar que especialistas sempre estejam certos porque, por vezes, pode ser algum charlatão apenas vestido bem: a pessoa vestida de médico sem ser. Na internet, muitos falam que as universidades não centralizam todo o conhecimento do mundo – ok, isso é verdade, mas é preciso ter o mesmo cuidado para conclusões fora delas, rigor e dados robustos para conclusões confiáveis, o que costuma faltar nos conhecimentos mirabolantes. Só a opinião ou experiência de uma pessoa ou apenas de seu grupo particular de nada valem.
As redes sociais, por entregarem conteúdo baseado em interesses do usuário, saturam as pessoas do que elas já são ou gostam, gerando vieses. Com isso, todo o mundo parece ter opinião de tudo, desde o diagnóstico do coronavírus até a solução dos conflitos do Oriente Médio.
Apesar de falarmos do fenômeno a partir das redes sociais, foi algo pensado antes. O efeito Dunning-Kruger fora definido em 1999, com base nos estudos dos estadunidenses David Dunning e Justin Kruger.
Eles publicaram um artigo onde descrevem que algumas pessoas superestimam suas capacidades em algumas áreas ou tarefas, inclusive quando têm pouca ou nenhuma competência nelas. Para essas pessoas, não caberia nunca a máxima da modéstia de Sócrates (470 a.C. a 399 a.C.): "Só sei que nada sei".
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[Os extremos entre ignorância e subestimação a partir das competências. Imagem: Jornal da USP | Reprodução] |
Surgem duas consequências a partir do efeito Dunning-Kruger. Uma delas (i) é de pessoas que realizem igual ou pior uma tarefa do que os demais, porém achem que possuem mais conhecimentos, superestimem-se. Do outro lado (ii), pessoas de vasto conhecimento tendem a se verem como limitadas em determinados assuntos.
FALANDO MAIS SOBRE AS CONSEQUÊNCIAS
Pensando na consequência (i), a falta de conhecimento sobre limitações próprias afeta a capacidade de quem se superestima de melhorar. Essas pessoas não conseguem se regular e aprenderem com os próprios erros ou observando o dos outros. Isso tende a criar ignorância em looping.
Existiu um estudo que visualizou o efeito Dunning-Kruger a partir de um teste humorístico. Quem não arrancou risadas de todos foi quem achou que era melhor. Além da ignorância, surgem sentimentos como constrangimento social, recriminação, decepção, insucesso e até o sentimento de injustiça, já que a pessoa acredita que possui forte competência nessa área.
Já para a consequência (ii), é interessante observar que a pessoa pode ter conhecimento amplo, mas ainda apresenta capacidade de crescer. O estudo frequente auxilia em dar um pouco mais de confiança. Por outro lado, há quem se subestime de forma mais ferrenha, por conta de complexos de inferioridade, humildade muito forte ou constrangimento perante o reconhecimento.
COMO FUNCIONA ESSE EFEITO?
Várias hipóteses buscam explicar o efeito Dunning-Kruger. A melhor considera que ele está ligado a um processo que passa pela memória, pela linguagem, pela inteligência e pelo juízo. Associa-se a uma metacognição – a capacidade de aprender ao fazer, pensar sobre o pensamento, ter memórias sobre a memória, ter imaginações sobre a imaginação. Quem explora a metacognição tende a melhorar sua posição de apreciação dos próprios resultados.
Quem tem noção de sua própria ignorância, desenvolvendo a metacognição, evita cair nas consequências do efeito. Se a ignorância é conhecida, a busca por conhecimento surge.
O efeito Dunning-Kruger acaba sendo mais fácil de aplicar e identificar em atividades "práticas" e esportivas. A comparação direta com outras pessoas é mais clara nesses casos, por meio de rankings, posição em competições ou resultados. Tudo isso transparece capacidades e permite motivar mudanças a quem entender como desafio a possibilidade de melhorar.
DUNNING-KRUGER NO MEIO ACADÊMICO
O meio acadêmico envolve prática associada ao conhecimento, que precisa ser bem sedimentado para que a prática faça sentido. Existem rankings, notas e mecanismos para medir desempenho, mas existe também um avesso a tudo isso pelas pessoas – pois manter alto desempenho acadêmico é muito difícil.
Alunos precisam entender suas limitações. Isso favorece que estudem mais ou melhor e até que busquem ajuda, sem subestimar cada desafio. Leituras iniciais e começo de curso não querem dizer sucesso absoluto em todo o resto. É preciso absorver conceitos complexos, fazer atividades extraclasse (mesmo as que possam parecer óbvias) e ter paciência pois aprender é um processo – e continua sendo mesmo perante resumos, videoaulas e outros atalhos fáceis.
No caso dos professores, eles precisam entender seus níveis de capacidade de ensino. Também precisam entender que mesmo com experiência de ensino, não podem subestimar a dificuldade dos alunos e buscarem meios de melhorarem nisso. As avaliações precisam ser calibradas ao nível que os alunos que estudem bem possam resolver com os subsídios dados.
OS ESTUDOS SOBRE DUNNING-KRUGER NO MEIO ACADÊMICO
Depois de 1999, novos estudos sobre autopercepção foram feitos. Há alguns vieses importantes neles, em função da construção do método.
Em alguns estudos, não houve uma avaliação separada de cada um e depois a verificação da autopercepção. Além de se autoavaliar, cada entrevistado avalia o que imagina ter sido o desempenho dos demais, o que também pode sofrer distorções. O caráter qualitativo dessas avaliações, portanto, também exige parcimônia ao concluir em cima desses estudos.
FALANDO EM ENSINO E CAPACIDADES
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