História
Em 2008, a pior crise do capitalismo mundial desde 1929 iria ocorrer. Nela, houve como marco a falência do tradicional banco Lehman Brothers e o chamado estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos. Globalmente, crises e desemprego afetaram mais países, visto que o comércio mundial, com a globalização, é fortemente conectado.
No Brasil, os efeitos foram menores, mas sentidos. Vamos relembrar como tudo ocorreu?
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[O mercado imobiliário estava cheio de investimentos sem fontes de receita. Imagem: Kindel Midia / Pexels | Reprodução] |
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AS HIPOTECAS PODRES
As hipotecas subprime, ou hipotecas podres, haviam sido concedidas a juros altos para pessoas físicas com elevado risco de crédito. O risco deixou de ser apenas risco e virou calote.
O Federal Reserve (Fed), equivalente ao Banco Central nos EUA, e o Banco Central Europeu (BCE) injetaram bilhões de dólares/euros na economia e baixaram as taxas de juros. Esse tipo de medida visa aumentar investimentos e o consumo. Mesmo assim, a questão ainda era difícil e passados dez anos, ainda havia resquícios.
Os bancos estavam com produtos que se baseavam em crédito a pessoas com renda incompatível com as prestações, passado recente de inadimplência, falta de documentação, ou ainda sem patrimônio, trabalho ou qualquer tipo de fonte de renda. Algumas chegavam a ter renda, mas em trabalhos com más condições sanitárias, falta de seguro médico ou outras violações legais, além de pagamento abaixo do salário mínimo.
Não se pensava em quem iria pagar. Vendia-se a dívida num produto de rendimento mais elevado.
Como o crédito era muito fácil, o mercado habitacional era puxado num ritmo desproporcional. Isso levou a uma crise de liquidez e confiança de solvência das entidades. Esse crédito era representado por novos títulos como hipotecas subprime, títulos garantidos por Dívidas (CDOs sintéticos), veículos especiais de investimento (SIV) e veículos estruturados.
As crises como essa têm seus aspectos comuns. Bancos investem em ativos de alto risco porque são mais rentáveis. Quando alguém percebe os problemas, perdem valor e liquidez. Muitas pessoas tentam recuperar o dinheiro ao mesmo tempo, acelerando o processo. Por fim, bancos ficaram sem capital para absorverem as perdas.
O maior banco da Europa era o HSBC. Ele era um dos mais agressivos no mercado imobiliário estadunidense. Em fevereiro de 2007, o HSBC anunciaria que as perdas em dívidas hipotecárias seriam acima do esperado, com despejos em velocidade elevada, e sem uma previsão de quantos proprietários não conseguiriam pagar suas dívidas.
Na época da crise, as taxas de juros estavam em 5,25 %. O HSBC teria misturado essa dívida com outra entre 2005 e 2006, em pleno auge imobiliário. Um mês depois de reconhecer os problemas a empresa New Century Financial, especializada nesse mercado, foi à falência.
Em junho daquele ano, os primeiros fundos estruturados com hipotecas subprime explodiram no Bear Stearns. Os problemas se propagaram para grandes financeiras também (Merrill Lynch, JPMorgan Chase, Citigroup e Goldman Sachs). Logo mais, o banco francês BNP Paribas anunciaria o fim das atividades em três fundos especializados em dívida hipotecária porque ficaram insolventes.
Houve duas estratégias principais para agir contra a crise. A primeira foi a intervenção para socorrer as instituições sistêmicas, incluindo empresas não supervisionadas pelo Fed, como a AIG e o Bear Stearns. Depois, vieram mecanismos para aumentar a liquidez de que os operadores financeiros precisavam para manter suas atividades e fazerem o dinheiro chegar à economia.
Em dois dias o Fed injetou US$ 87,5 bilhões, e o BCE, outros US$ 156 bilhões. Numa semana, a taxa de juros foi cortada em meio ponto, e pela primeira vez foi reconhecido que o risco era real. Esse rapido pessimismo levou o banco central a reduzir o preço do dinheiro em mais meio ponto, o que levou a taxa a 4,75 % em 18 de setembro.
NA BOLSA
Em Wall Street, os sinais foram prontamente sentidos. O índice Dow Jones, em 8 de agosto de 2007, fechou com a maior queda em quatro anos. Esse índice chegou a 13.270 pontos durante a crise, passando de 22.000 pontos dez anos mais tarde. O S&P 500, índice das ações mais valorizadas dos EUA, perdeu 50 % de seu valor.
MAIS REFLEXOS NOS EUA
Parte das empresas do mercado financeiro pagou caro pela imprudência. Houve o desaparecimento do banco de investimentos Bear Stearns, dos fundos do BNP Paribas, de bancos hipotecários dos EUA e problemas na maior seguradora do mundo, a AIG.
Para a população, foram efeitos ao longo de mais de um ano e meio, com oito milhões e setecentos mil empregos perdidos, mais de metade dos adultos passaram pela perda do empregou ou por corte no salário ou tiveram que trabalhar em tempo parcial. O consumo e o PIB encolheram por uma escassez de crédito (diferente do período anterior, a concessão virou mais rigorosa) e ao aumento do custo dos empréstimos.
E NO BRASIL, O QUE HOUVE?
Apesar de que nosso presidente à época falasse que o tsunami viria como uma marolinha, houve efeitos no Brasil. A solidez dos bancos brasileiros — historicamente mais concentrados que em outros mercados, em oligopólio — foi, de início, um diferencial para barrar a crise internacional. Depois disso, a queda de demanda por produtos agrícolas (commodities) afetou nosso mercado e desacelerou a economia.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), hoje B³, encerrou 2008 com baixa de 41,22 %, em 37.550 pontos — a segunda maior queda histórica, atrás apenas da ocorrida em 1972. Quebraram cinco anos consecutivos de alta expressiva.
O HSBC também deixaria o Brasil, porém mais tarde e em outras circunstâncias. Por aqui, seria vendido ao Bradesco em 2015.
NA EUROPA
Houve a quebra do euro, a crise da dívida grega e o começo da ideia do Brexit (saída britânica da União Europeia). Diversos países viram crescer o populismo.
PODE SE REPETIR?
As medidas que os bancos centrais europeu e estadunidense fizeram não frearam o colapso. Na segunda-feira, 17 de setembro de 2007, milhares de clientes do Northern Rock, banco inglês especializado em hipotecas, fizeram fila para sacar seu dinheiro. O banco não suportou as retiradas, e o Governo decidiu nacionalizá-lo em fevereiro de 2008.
O Bear Stearns acabou sendo adquirido pelo JPMorgan em março de 2008 para evitar sua quebra, como antessala do desastre de 15 de setembro de 2008, a queda do Lehman Brothers e a compra do Merrill Lynch por parte do Bank of America.
Não é impossível uma crise acontecer, mas o sistema está mais seguro, devido aos colchões de capitalização exigidos dos bancos. Passados dez anos da crise, a economia estadunidense passou a crescer em ritmo mais lento.
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