Cultura e Comportamento

 

Um assunto que sempre chama a atenção é o chamado conflito de gerações. Uma pessoa mais nova e outra mais velha acabam se opondo em algum aspecto da vida cotidiana, decisões e posturas. Será que isso significa que alguma coisa está dando errado? Ou que estamos ficando piores? Vamos refletir mais a respeito nas próximas linhas.

 


A cara de um conflito
[Algo tá estranho aí, em conflito! Imagem: Steve Buissinne / Pixabay]


 

DEPOIS, VOCÊ PODE LER TAMBÉM

» Ser o que se é

 

» Como besteiras como o desafio quebra-crânio ainda pegam?

 

» A nomofobia: um mal dos nossos tempos

 

O QUE DIZIAM SÓCRATES E HESÍODO

 

Duas expressões interessantes para começarmos as discussões são atribuídas aos filósofos Sócrates e Hesíodo. Sócrates (470 – 399 a.C.) teria dito que “os jovens de hoje gostam do luxo. São mal comportados, desprezam a autoridade. Não têm respeito pelos mais velhos e passam o tempo a falar em vez de trabalhar” e Hesíodo (750 - 650 a.C.) teria falado: “Não vejo esperança para o nosso povo, se ele depender da frívola mediocridade de hoje, pois todos os jovens são indizivelmente frívolos... quando eu era menino, ensinavam-nos a ser discretos e a respeitar os mais velhos, mas os moços de hoje são excessivamente sabidos e não toleram restrições”.

 

O que ambos quiseram frisar parece que foi dito ontem por um pai, tio ou avô de nossa família, mas é datado de antes de Cristo, pelo menos dois mil e quatrocentos anos atrás. Isso significa que conflitos entre gerações e visões de mundo diferentes não são exclusividade dos nossos tempos.

 

O QUE DIFERENCIA AS PESSOAS MAIS JOVENS DAS GERAÇÕES ANTERIORES?

 

Basta olhar a evolução da humanidade, e a nossa História mundial. Os costumes de diferentes países mudaram, as populações migraram para as cidades, o campo se tornou latifúndio e a floresta reduziu. As cidades não são mais estados independentes, as fazendas não são feudos, a Igreja possui o pequeno território do Vaticano como seu país-sede. O Brasil não é só dos índios, e eles já andam por aí com calça, camisa ou vestido. Não usamos mais telegramas ou orelhões.

 

O mundo é dinâmico, e novas pessoas nascem o tempo todo. Cada pessoa acaba sendo fruto do mundo em que vive, da educação que recebe, das escolhas que faz. A forma com que jovens e adultos agem diante do mundo externo também vai mudando: jovens são mais arriscados, apostam mais e acreditam ter todo o tempo. Pessoas mais velhas colocam toques de cautela em suas ações, aprenderam a assimilar melhor coisas como hierarquias e regras, e não apostam muito quando acham que podem perder o que tiveram dificuldade em conquistar.

 

Naturalmente, pela forma diferente de verem o mundo, os mais jovens e mais velhos entram em conflito. Mesmo os mais velhos, sem perceber, agem com paixão de um mundo de outrora, e os jovens de seu mundo, e sábio é quem consegue enxergar isso.

 

ENXERGANDO O QUE ACONTECE COM O PASSAR DOS ANOS

 

Na visão de um mundo dinâmico, não estamos perdidos, mas estamos mudando. Quando ocorrem mudanças, novos desafios surgem e posturas novas acabam sendo exigidas das pessoas.

 

Um jovem brasileiro da década de 1920 poderia estar pensando em seu casamento e como tocar sua vida em seu sítio. Teve de trabalhar arduamente para sustentar a si e a sua família, seu orçamento era restrito e, em caso de doença, tinha que arcar com custos muito elevados, quando conseguia chegar a tempo num hospital. Nossa postura com o meio ambiente era de derrubar qualquer árvore para abrir pastagens, e esse jovem fez isso até chegar a sua velhice.

 

Já um jovem de 2020 tem pleno acesso a variedade em alimentos e acesso universal a tratamentos médicos pelo SUS. Hoje ele sabe que é preciso reflorestar e não dá mais para viver desmatando. Por outro lado, consome delivery com papéis e plásticos que não podem ser reciclados porque ficam cheios de resquícios de comida. A informação está a um palmo de distância, tecnologia e trabalho remoto lançam novas oportunidades de trabalho. Pessoas já tendem a não querer andar de carro, mas usam ar condicionado o dia todo.

 

Se a gente observar esses dois jovens, ambos vão estranhar suas gerações futuras, e nenhum deles viveu em um mundo perfeito. O jovem de 1920 mudou o espaço e desrespeitou a natureza, mas tinha dificuldade de acesso à saúde e educação. O de 2020 disfruta de facilidades que surgiram ao longo dos anos, entende que algumas não fazem tanto sentido, mas ainda peca com outras posturas. E o que vivemos em 2020, definirá o que os próximos jovens irão viver.

 

A CRENÇA NO FIM DOS TEMPOS

 

Quando falamos no conflito de gerações, há posições mais radicais ainda. Há quem acredite que a mudança de posturas com o passar dos anos e esses conflitos sejam um sinal do fim dos tempos. Será que é bem assim? Será que só os mais velhos são mais céticos? No link da linha azul 👇🏻, você confere um outro artigo onde falamos sobre isso:

 

 

 

E AINDA MAIS PARA VOCÊ:

👉 A pandemia é mesmo um sinal do fim dos tempos?

 

 

GOSTOU DESTA POSTAGEM ? USANDO A BARRA DE BOTÕES, COMPARTILHE COM SEUS AMIGOS 😉!