História

 

Se hoje vemos cidades com congestionamentos enormes, e o trânsito, algo que deveria ser associado à mobilidade, sendo a raiz do nosso tempo perdido, tudo isso é fruto de escolhas e formatos de deslocamento que foram escolhidos lá no passado. Uma mudança radical seria complexa, mas já vem acontecendo nos últimos anos, em exemplos como a cultura neerlandesa das bicicletas.

 

O modelo com uma pessoa dentro de um carro parece algo incoerente quanto a espaço, tempo e emissão de poluentes, mas nem sempre foi assim. Construiu-se uma cultura de status associado ao carro.

 

Um episódio na história que ajuda a entender alguns aspectos de mobilidade e modos de transporte serem escolhidos ou preteridos foi o escândalo dos bondes estadunidenses, ou “Great American Streetcar Conspiracy”. Vamos entender um pouco mais sobre esse escândalo e seus contrapontos, com informações dos portais ArchDaily, The Guardian e CBS News, e aspectos levantados aqui pelo Blog, com base em conhecimentos de urbanismo e transporte.

 

 

Olhe o bonde vindo!
[Linha antiga de bonde em São Francisco (EUA). Imagem: David Mark / Pixabay]


 

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COMO TUDO ACONTECEU?

 

Voltando aos anos 1930, temos o cenário dos EUA com 90 % da população se deslocando nas cidades por meio de bondes elétricos, ante 10 % que usavam seus próprios carros, ou ônibus motorizados. Empresas associadas ao setor de automóveis não viam essa realidade com bons olhos.

 

Uma década antes, já havia registro de prejuízos na GM, e a empresa tomou medidas para, a partir daquele momento, reverter o prejuízo e aumentar seu mercado consumidor. O grande adversário, naquela época, era o sistema de bondes.

 

 No intervalo entre os anos de 1936 a 1950, foi criada a National City Lines (NCL), empresa com composição societária formada pela GM, Firestone, Standard Oil e outras, e essa empresa atuou ativamente na conversão do transporte público à cultura do particular. A NCL comprou linhas de bondes de quarenta e cinco cidades, como New York e Detroit, desativou, e inseriu os ônibus urbanos como meio de transporte coletivo.

 

CONSPIRAÇÃO OU MUDANÇAS DE MERCADO?

 

Na atuação da NCL, vamos encontrar um pouco de cada. Do ponto de vista da estratégia de mercado da GM e parceiras, houve até julgamento por órgão antitruste nos EUA, mas com pagamento de multas irrisórias. Com base em documentos dos anos 1950, a GM teria comprado mil bondes e substituído 90 % deles por veículos motorizados.

 

O preço dos carros, com a popularização, teria baixado, e mais pessoas passaram a optar pelo carro próprio, em detrimento do veículo coletivo. Também ocorreu a expansão das cidades, e, com essa expansão, seria mais fácil ampliar a capacidade de sistemas de ônibus, por mais pontos, ao invés de sistemas fixos, como os bondes.

 

OS PADRÕES DE MOBILIDADE ATUAIS

 

Passam os anos, a população mundial vai aumentando e se aglutinando em cidades. Esse processo não acontece apenas do campo para a cidade, mas das cidades menores para as maiores. Se cada pessoa resolve sair com seu carro de manhã e voltar à noite, torna-se impossível andar, e aí não temos padrões de mobilidade, mas de imobilidade.

 

O formato que se difundiu nos EUA, também se espalhou em outros países, e já demonstra suas fragilidades. Não importando se o transporte é de cargas, ou de pessoas, os veículos motorizados vêm se apresentando como um grande problema, e estamos em vias de buscar a reversão desse modelo.

 

A resposta pode não estar apenas na troca de combustível, passando para veículos elétricos, mas na forma com que esses veículos são usados, aproveitando mais a ociosidade em termos de tempo ou nas viagens (compartilhamento), por exemplo. Também é preciso pensar em abrir mão do transporte individual e usar opções coletivas, mas isso exige abrir mão de algumas coisas, como o transporte porta-a-porta, e o horário certo e delimitado para partir e chegar.

 

A OPÇÃO PELO CARRO

 

A opção pelo carro mudou as cidades, fazendo-as serem voltadas para esse modo de transporte. Uma cidade com bondes, por exemplo, precisava ter vias e linhas para isso, também. É válido, idem, pensar assim para opções como trens de superfície, ciclovias e outros modos de transporte.

 

Nas cidades, vemos vários exemplos dessa opção pelo carro, como na capital federal, Brasília, onde há esquinas com ângulos mais suaves, nada de calçadas e itens interrompendo as vias, lá no planejamento da cidade.

 

Nos EUA, o alinhamento com o carro fez surgirem coisas como o comércio voltado ao carro, e até a venda de dentro do carro (drive-thru). Ideias políticas alinharam-se a usos ineficientes de solo.

 

Se a opção pelo carro muda as cidades, também muda os hábitos cotidianos das pessoas. Um transporte de carro próprio parece ser conforto, independência e chegar e partir do ponto desejado ao outro ponto desejado, sem cortes ou interrupções. Isso é válido, mas só até o momento em que você une a sua liberdade a outras tantas, e ninguém sabe mais a que horas vai chegar.

 

PENSANDO NAS CIDADES

 

Existem algumas formas de melhorar a circulação nas cidades, como se fossem algumas pílulas para resolver os problemas de mobilidade. Na sugestão da linha azul 👇🏻, separamos um post sobre algumas dessas soluções que, polêmicas ou não, fazem parte de uma lista de possibilidades nesse sentido:

 

 

 

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