Cultura

 

Nos últimos anos, tem sido frequente a discussão sobre representatividade. Esse termo costumava ser extensivamente trabalhado nas campanhas políticas, onde candidatos diziam que atuariam em prol de uma região ou de uma categoria. Mais tarde, o que se viu foi o pensamento em representatividade como uma coisa mais ampla, a ser pensada de coisas simples até cargos e funções, onde as diferentes pessoas que compõem a sociedade são consideradas. Vamos dar uma pequena pincelada nisso a seguir, confira!

 

 

Barack Obama em meio a outras lideranças
[Barack Obama é um dos novos exemplos de representatividade. Imagem: janeb13 / Pixabay]


 

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COISAS SIMPLES PENSADAS EM TODAS AS PESSOAS

 

Há algumas coisas que parecem simples e que, com o tempo, até deixam a pergunta de por que não surgiram antes. Um exemplo claro é um produto de maquiagem que foi lançado há alguns meses com tons de marrom, afinal, se existem mulheres negras e que queiram se sentir mais bonitas com a maquiagem, é necessário algo condizente com a pele delas, para que não esbranquice demais, corrija tonalidades na medida certa.

 

Com isso, tanto mulheres brancas e amarelas, como negras, conseguem cuidar da beleza, não se restringindo a apenas um grupo. É simples, mas existem autoestimas por trás disso.

 

Um outro exemplo está nos personagens clássicos das estórias infantis. Papai Noel, príncipes, ´princesas e outros sempre foram representados por pessoas brancas. Lógico que não deixaram de ser mágicos pela cor, mas falta identificação se você nunca encontra um personagem negro também, e as crianças notam isso.

 

Uma campanha lançada para o Natal de 2020 abordava um pouco disso. Na primeira fase, o personagem negro se perguntava: “Com tanto Papai Noel no mundo, por que nenhum era como eu?” e, no futuro, ele se tornou esse Noel. Pois bem, em 2020, já existe o Pequeno Príncipe Preto, livro de Rodrigo França, lançado pela editora Nova Fronteira. Antoine de Saint-Exupéry era uma criança imaginativa, com sonhos, e Rodrigo trouxe a versão dele, onde não temos o pequeno pé de rosa, mas uma árvore baobá, que é típica da África, com espécies brasileiras. Além do personagem principal, a presença dessa árvore e outros elementos criam uma atmosfera que une as crianças negras às origens, sendo bem simbólico.

 

Um outro exemplo envolvendo crianças, e que nos conecta ao mundo adulto, está na inspiração. A menina Maria Alice, de Floriano-PI, via “seu cabelo e sua roupa” em Maju Coutinho, durante uma edição do Jornal Hoje, e vibrava, em um vídeo que viralizou nas redes. Se quando pequena a menina conseguira se enxergar na apresentadora, mesmo que na aparência, no futuro pode sonhar com o que quiser.

 

PESSOAS DE TODOS OS JEITOS OCUPANDO CARGOS

 

Pensando no exemplo da Maria Alice e da Maju é que podemos imaginar a representatividade aos seus últimos níveis. Já se vê uma transformação na sociedade em possuir pessoas negras integradas, mas é preciso evoluir e ultrapassar a síndrome do negro único. Se pessoas negras, mulheres e outros grupos conseguem ocupar diferentes posições, isso motiva outras a participarem em todos os estratos da sociedade, sendo muito benéfico.

 

Nos EUA, país que se movimentou fortemente contra o racismo no ano passado, apesar de ser um momento perigoso por conta do novo coronavírus, foi eleita a primeira mulher e negra como vice-presidente(a), Kamala Harris. Com o exemplo dela, e do primeiro presidente negro estadunidense, Barack Obama, certamente mais pessoas irão se sentir inspiradas e seguir esse caminho: não que todas cheguem à Casa Branca, pois são mandatos longos e um pequeno número de pessoas que ocupam esse cargo, mas se vários pensarem em entrar na política e fazer história, alguns deles terão chances no futuro.

 

Somente com pessoas das diferentes vertentes da sociedade, com suas trajetórias de vida e experiências, que conhecem os desafios trilhados por si e seus semelhantes, é que é possível construir relações mais justas de emprego e na sociedade, políticas inclusivas e muito mais. Quem não sofre os efeitos da segregação em seu dia-a-dia, talvez não enxergue certas situações como problema, então é preciso que os reais envolvidos sejam ouvidos.

 

QUAL O EFEITO DISSO?

 

Além do progresso pelo exemplo e a possibilidade de fazer um futuro mais justo, o maior pertencimento à sociedade ajuda a quebrar preconceitos. Muitas pessoas ainda enxergam o negro como pobre e criminoso, apesar de que essas duas características não tenham cor: a pobreza e a criminalidade são coloridas, embora a riqueza seja, infelizmente, predominantemente branca.

 

Não é possível que se saia da situação de pobreza e de condições difíceis se a sociedade não der a oportunidade de crescimento, de inclusão, de olhar para o outro como irmão. Mais pessoas negras, mulheres e outros tantos grupos em cargos diversos não acabam com o racismo, mas descontroem visões equivocadas e o enfraquecem. Somente num cenário que inclui a todos é que se pode pensar na liberdade pelo mérito, tão defendida, mas que só funciona em uma sociedade igual, com representatividade.

 

JUCA PIRAMA E OS HERÓIS BRASILEIROS

 

Vimos que existe a estória do Pequeno Príncipe Preto, onde se busca a representatividade. Esse aspecto já foi trabalhado pensando em outras etnias, mas de forma equívoca, como no caso do livro “Juca Pirama”, do qual falamos no post em destaque na linha azul 👇🏻:

 

 

 

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