A crise de 1929 (ou a Grande Depressão)

por - domingo, maio 10, 2020

História


Uma crise econômica não é exclusividade de um único país, ainda mais pensando no conceito de economia globalizada. A relação entre as economias de diferentes países existe há muitos anos, sendo um clássico exemplo a crise de 1929. Por meio deste artigo, você vai saber um pouco mais desse episódio histórico que teve origem na Primeira Grande Guerra e na economia dos Estados Unidos da América, que já eram a maior economia do planeta.


https://www.oblogdomestre.com.br/2020/05/GrandeDepressao.CriseDe1929.Historia.EUA..html
[Bandeira estadunidense. Imagem: Free-Photos/Pixabay]



 O PERÍODO PÓS-GUERRA


Os Estados Unidos viveram os anos 1920, até o começo da crise em 1929, em uma realidade político-econômica que parecia ser extremamente próspera. A produção industrial e o comércio cresceram de forma vertiginosa por conta das vendas efetuadas à Europa em reconstrução, bem como pela manutenção de um estilo de vida fortemente consumista (o American way of life).

Para se ter uma ideia, segundo dados apresentados pelo Historiador Daniel Neves, no portal Brasil Escola, no período de 1923  a 1929, a taxa de desemprego era de 4 %, o comércio aumentou cinco vezes o faturamento, a indústria automobilística aumentou a produção em 33 % e o dado mais imponente: 42 % de todas as mercadorias produzidas no mundo eram de produção estadunidense. Nem toda a matéria-prima necessária para toda essa produção era nacional, havendo importações.

O QUE LEVOU À CRISE?


Três fatores são apontados como causas para a crise de 1929:

- Política de extremo liberalismo econômico.
- Recuperação econômica europeia.
- Especulação financeira e a quebra da bolsa de valores.

A política econômica dos governos estadunidenses era de liberalismo econômico. É interessante, para a economia de um país, que não haja excesso de intervenção do governo na economia, mas a falta de regulação também possui efeitos prejudiciais, como a crise de 1929 pôde demonstrar. Havia um grande mercado descontrolado, capital liberado e poucas regras.

Os Estados Unidos tiveram um ganho de demanda forte na recuperação da Europa arrasada pela Primeira Grande Guerra, mas essa produção de bens diversos passou a ficar encalhada com a recuperação europeia. A indústria precisa de sincronia entre consumo e demanda, pois estoques são acúmulo de espaço e capital – necessários, mas no mínimo possível – e começaram a crescer.

Não só as mercadorias estadunidenses começaram a se acumular, mas o mercado financeiro também sofreu um grande baque. Nas bolsas de valores, as próprias frações de empresas (chamadas de ações) sofreram valorização que não condizia com o crescimento econômico. Houve especulação financeira (o que denomina práticas que envolvem compra e venda de ações com valorização rápida) e posterior queda dos preços das ações por conta do efeito manada de venda com a crise (com destaque para 24 de outubro de 1929 - a quinta-feira-negra). Muitos investidores tiveram prejuízos e alguns chegaram a sacrificar a própria vida. Um ano após, a bolsa de valores se reergueu, e muitas outras pessoas já sentiam efeitos como falência e desemprego.

DEPOIS, O QUE ACONTECEU?


O então presidente Herbert Hoover não tomou quaisquer medidas econômicas que visassem reverter os graves efeitos da crise econômica. Tal postura fez com que se adiasse a retomada do crescimento econômico considerando, obviamente, condições mais realistas. Outro efeito foram as crises econômicas que ocorreram em países europeus e latino-americanos, incluindo o Brasil.

Naquela época, já era necessária a intervenção estatal, que é indesejável em momentos de economia próspera, mas fundamental para a saída de crises. Lições daquela época justificam os movimentos para estímulo à economia com transferência de renda que ocorrem atualmente nos Estados Unidos, Brasil e outros países em função da pandemia de coronavírus.

REFLEXOS NO BRASIL


O Brasil possuía uma economia baseada na produção agrícola, com destaque para a produção de café. Os EUA compravam a maior parte da produção brasileira de café, cenário que se reverteu com a grande depressão.

No Brasil, Getúlio Vargas despontou no cenário político e teve de tomar medidas de cunho econômico para reverter o cenário de crise. A cafeicultura envolvia muitos produtores e empregos. Durante um prazo de três anos, foram proibidas novas plantações.

Parece difícil falar em destruição de alimentos, mas isso acabou ocorrendo. Com a superprodução de café, o governo comprou oitenta milhões de sacas de 60 kg para queimar e assim forçar uma subida de preços.

A volta à normalidade nos preços do café só viria a ocorrer no final da década de 1930. Durante esse tempo, os cafeicultores decidiram mudar seus investimentos e passaram a investir em novas indústrias nacionais, alavancando o setor no Brasil.

COMO OS EUA SE RECUPERARAM?


Com o fim do governo de Hoover, Franklin Delano Roosevelt assumiu a presidência dos Estados Unidos da América, com uma proposta extremamente oposta à do antecessor, fruto do momento que o país enfrentava. Surgiu o New Deal, que era um conjunto de políticas intervencionistas para reverter os efeitos da grande depressão.

O setor de construção civil envolve uma grande quantidade de mão de obra por ser extremamente artesanal, principalmente nas economias menos desenvolvidas. A industrialização da construção é tendência para o futuro, mas em um cenário há quase cem anos, era diferente, mesmo nos EUA. Roosevelt, dessa forma, promoveu grandes obras públicas estatais, o que aumentou a demanda por mão de obra, gerando empregos e estimulando a economia por meio da construção civil pesada.

Além das obras, o governo também começou a controlar os preços de produtos no mercado, a fim de controlar a perda desenfreada do poder de compra, isto é, a inflação. Fazendeiros estadunidenses puderam participar de um programa de empréstimos para que pudessem ser pagas as dívidas e retomados o crédito e a produção.

Ao final dos anos 1930, houve um novo impulso à indústria estadunidense. O processo de desenvolvimento armamentista da Segunda Guerra Mundial gerou um crescimento muito rápido, e os EUA permaneceram como a maior economia mundial. Não houve batalhas em solo americano, diferentemente da Europa, novamente arrasada por uma guerra.




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