História
Diante de um assunto que se tornou
fortemente discutido em nossa sociedade, principalmente durante e após as
últimas eleições presidenciais, até quem não pensava sequer estar falando em
"doutrinação" passou a se deparar com esse tema tão controverso.
Mais do que discutir sobre doutrinação, é
importante entender como os sistemas socio-político-econômicos funcionam e,
como as pessoas pensam, agem ou sentem sob determinados aspectos.
[Imagem: KokomoCole/pixabay] |
Então, para não se pautar em simples
pensamentos vagos, vamos começar falando sobre capitalismo, socialismo e
doutrinação. Começando pelo capitalismo, esse é um sistema onde cada ente visa
o lucro ou superávit, ou seja, cada indivíduo exerce uma atividade e, com ela
concluída, recebe um montante de dinheiro, normalmente maior do que veio a
aplicar, ou por remuneração de sua força de trabalho, no caso dos assalariados.
Em geral, o capitalismo ideal apresenta
vantagens como remunerar maior esforço (com certo limite) com maiores ganhos,
permitir ascensão social de quem se destacar, gerar melhorias nos processos e
produtos pela competitividade, dentre outras. Em contraponto, pode haver
pessoas que vivam em ciclos viciosos de pobreza, não por não trabalharem, mas
por ganharem salários insuficientes para prosperar. As próprias questões de mercado podem gerar
vícios como produtos ruins que atendem fracamente o que se propõem, ou se
aceitar situações degradantes em troca de pagamento. Ainda há o fato da
disparidade no tratamento do Estado, na forma de investimento, taxações e
benefícios estatais, cuja visão e objetivos não são unânimes.
No socialismo, buscou-se uma ausência de propriedade
privada e concentração de todos os setores da sociedade nas mãos do Estado, que
teria por base a propriedade e administração por trabalhadores. A finalidade,
portanto, deixou de ser o lucro.
Como vantagens, o socialismo ideal permite
dar oportunidade a todas as pessoas de terem estudo e trabalho. Como deixa de
existir a obrigação de lucro, você pode pensar mais no que a sociedade precisa,
com adultos com boa formação educacional. Mas, por outro lado, aspectos como a
não-religião ou a obsolescência pela falta de melhoria contínua motivada são
desvantagens claras do socialismo. Se todos têm o mesmo, para quê se esforçar
mais?
Nem o socialismo, nem o capitalismo são
bolhas estanques e são adotados na integralidade em países ao redor do mundo.
Em alguns casos, são disfarçados com ditaduras. O socialismo russo, por
exemplo, foi um governo que socializava o trabalho e passou a dar mais para
alguns de seus indivíduos, quebrando seus princípios. Já o capitalismo passou a
contar com vertentes sociais, onde se buscou dar assistência a quem pode pouco
para inseri-lo na vida comum, por meio de atendimentos de saúde, educação
gratuita e outros programas.
A tão falada doutrinação recai nessa briga
utópica entre os dois sistemas socio-político-econômicos na forma de uma
"direita" e uma "esquerda". Enquanto que todos devem
desejar crescer e prosperar, é difícil pensar que alguém possa não ter o mínimo
para sua sobrevivência, como comida e moradia (não se falando em luxo ou
vida-mansa, apenas o mínimo).
A doutrinação, em teoria, seria fazer alguém
pensar como você e lhe inserir ideias, deixando sem pensamento crítico e lhe
induzindo. Ela poderia ocorrer em gestos, atitudes e falas, explícita ou
implicitamente. Para alguns especialistas, em textos lidos e entrevistas vistas
pelo autor desse post, seria impossível não doutrinar, pois uma pessoa sempre,
de um modo ou de outro, passa suas convicções de vida e seus valores ao falar.
É por isso que, ao invés de discutir
doutrinação, como propõem projetos como o Escola sem partido, busca-se
desenvolver pensamento crítico nas pessoas, para que aprendam algo e reflitam
sobre aquilo. Não se pode demonizar o capitalismo nem a ideia de promover
mecanismos de inclusão social. Sem patrões e capital não há emprego, mas em
sociedade fortemente desigual a marginalidade e criminalidade se manifestam.
O
fato de colocar a educação à prova em um movimento como o que se vê atualmente
se deve justamente pela natureza da educação. Educar significa transformar,
desenvolver, pôr na luz do conhecimento. Isso significa estar aberto, dentro de
alguns valores pessoais, a mudar de opinião e rever conceitos, e ter humildade
para corrigir-se.
Isso pode parecer uma coisa muito ruim,
principalmente para quem não quer remover viéses ideológicos, mas mudar pelos
seus. E também significa não confiar em nada no senso crítico dos outros.
Pensando no que seria socialismo de verdade
(e não o que se falou ao longo das eleições por ambos os lados), o Brasil nunca
teve qualquer experiência recente nesse estilo. Apenas a sociedade liderada por
Antônio Conselheiro, que gerou a revolta de Canudos (não foi guerra, não eram
dois países diferentes), teria ideia assemelhada, que foi fortemente reprimida.
Muitos estudantes nem chegaram a refletir a
fundo sobre socialismo (e nem porque seria bom ou ruim) porque nunca viveram
nele. E o capitalismo sempre foi sua rotina natural, mesmo que também não se
apresente na sua forma pura, pois o Brasil é inchado em estatais que ocupam
setores não essenciais à sociedade.
Antes de voltar o foco a uma suposta
doutrinação, nosso país precisará se transformar, tanto na educação, como em
outros setores. Será preciso deixar de ver política de forma apaixonada,
observar todos os lados e refletir o que é melhor em cada situação específica.
Enquanto assuntos periféricos tomam conta, como o que seria capitalismo ou
comunismo ou socialismo ou petismo ou bolsonarismo, a sociedade se deseduca, e
os professores, na sua missão de trazer clareza, ficam na escuridão.
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