Masdar City e a proposta da cidade sustentável

watch_later 23 de maio de 2016
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Ciência & Saúde

Masdar City é uma cidade que está sendo construída, com algumas etapas já concluídas, nos Emirados Árabes Unidos. Criada para ser um modelo de cidade sustentável, ela foi construída no meio do deserto, o que leva a duas correntes de pensamento distintas: como pode ser sustentável uma cidade que veio do dinheiro do petróleo e que exige muito mais recursos em condicionamento de ar, irrigação, importação de alimentos... e, sendo uma cidade ‘sustentável’ no meio do deserto, em outros locais mais favoráveis também é possível ter iniciativas sustentáveis.

Para financiar tudo, o investimento de US$ 22.000.000.000,00 (vinte e dois bilhões de dólares) veio de recursos cuja origem está na produção de petróleo, oposta à teoria carbono zero. Pode-se ter um local de emissões reduzidas, mas não inexistentes.

Emirados Árabes Unidos
[Imagem: E-ARCHITECT]


Sob o ponto de vista arquitetônico-urbanístico, o uso de transporte público subterrâneo favoreceu a redução das ruas (onde veículos não circulam) a espaços mais estreitos, o que diminui, juntamente com brises e outros elementos, a incidência solar sobre as edificações e melhora seu desempenho térmico. Observando ventos predominantes e características de posicionamento, outro aspecto positivo é a orientação direcional das edificações, com destaque às direções nordeste e sudeste.

Uso de água e energia, pontos importantes em mais de uma esfera da sustentabilidade, possuem um manejo que envolve muito controle, com sistemas que podem cortar o fornecimento quando ocorrer algum desperdício – este é um ponto positivo por influir no fator usuário, mas gera insatisfação do mesmo: estudantes costumam reclamar da temperatura do sistema único de ar condicionado. Ocorre o reuso de águas cinzas e negras e a produção de alimentos se baseia em fazendas verticais. Novamente a dualidade aqui se apresenta: busca-se produzir localmente, o que reduz impactos com transporte, mas a disponibilidade de alimentos é restrita e, na produção de novas unidades de hortaliças, por exemplo, é preciso trazer sementes de outros locais.

Sob o ponto de vista econômico, buscou-se expandir os benefícios de uma filosofia sustentável por meio de um centro de referência em tecnologia, com cursos de mestrado no MIST (Extensão masdariana do MIT). Com isso, vai-se propagar conhecimento na área e ampliar o desenvolvimento de tecnologias e soluções mais sustentáveis – o que faz com que a construção de Masdar tenha um alcance maior do que simplesmente sua fronteira física. Por outro lado, seja por este centro, seja pela própria cidade em si, gera-se um polo de atratividade de tráfego – pode-se chegar em Masdar por meio de metrô, mas há outras formas de lá chegar – e isso gera emissões de CO2, o que também põe em questão a etiqueta de ‘emissão zero’. A valorização imobiliária interna pode agravar o problema, por ‘expulsar’ a mão-de-obra para regiões vizinhas.

Em relação ao uso e ocupação do solo, o projeto foi concebido com movimentação de terras para a geração de galerias subterrâneas que atendem ao fornecimento de energia, saneamento básico e transporte. Porém ela se justifica pela redução das áreas de circulação entre edificações antes mencionada. A acessibilidade aos meios de transporte ficou garantida por diferentes formas de circulação: veículos elétricos de passageiros, cargas e metrô subterrâneo. Outro ponto importante é a presença de áreas verdes, não concentradas em apenas um ponto, mas espalhadas pelo território, similar às matas ciliares que circundam os rios urbanos. Ainda assim, alguns pontos não são privilegiados com essas áreas humanizadas, devido à distância. Existiu a preocupação de usar espécies locais (sic) para reduzir o consumo de água, o que é um aspecto positivo. Entretanto, por mais que ocorra reuso de águas e outras técnicas inovadoras, sua origem está em águas dessalinizadas, com demanda maior de energia e recursos para obtenção.

Masdar é a proposta de cidade sustentável que já saiu da idealização, é inovadora sob muitos aspectos, mas que peca pela origem de seus recursos, não se sabendo até que ponto o desenvolvimento local irá ocorrer e a riqueza ali gerada será capaz de sustentar tamanho aparato tecnológico, e também pelo próprio local de implantação. Para transformar um local extremamente quente e carente de todo o tipo de recurso, propiciando conforto e qualidade de vida, a demanda de recursos é muito grande. E, por diferentes fatores, os títulos a ela atribuídos servem como estratégia de marketing, pois não há nada que não gere alguma forma de impacto.





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