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O que Pelé tem a ver com Bangladesh, ex-Paquistão Oriental?

 Esportes

 

Bangladesh, mesmo sem uma seleção na copa, envolve-se e torce muito a cada evento. As ruas são enfeitadas, reúnem-se em ginásios com telão para assistir. O mais legal é ver que há muita torcida pelo Brasil, mas tudo teria começado bem antes, quando era Paquistão Oriental, e até Pele aparece nessa história. Vamos entender como tudo aconteceu?

 



 

Torcedores em Bangladesh
 [Torcedores de Bangladesh. Imagem: Globo Esporte | Reprodução]


 

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A INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

 

Em fevereiro de 1952, um grupo de estudantes decidiu marchar pacificamente em defesa da própria língua e da identidade do seu povo, em um território do Paquistão. Esse movimento veio depois de uma decisão do governo local de impor o urdu como único idioma oficial do país, ignorando por completo a existência de falantes do bengali. 

 

O poder político se concentrava no Paquistão Ocidental (com capital em Islamabad), dominado pela elite de língua urdu, o que tornou a medida linguística algo com significado maior. Negava-se parte da cultura local e mais uma vez era usado algo cotidiano como sinal de dominação.

 

A repressão à manifestação foi violenta. A ação da polícia provocou mortes e gerou imensa repercussão. O que parecia querer sufocar o movimento, na verdade impulsionaria o começo de um período de revoltas, que culminaria com a independência da República Popular de Bangladesh.

 

De 1952 até 1970, muita coisa aconteceu. Na Copa de 1970, começou uma conexão do povo do Paquistão Oriental com a seleção brasileira. Naquela Copa veio o título do tricampeonato mundial do Brasil. 

 

Muitas pessoas do país não tinham nem TV em casa e acabaram sabendo pelos jornais, conforme relato de Pratap Hazra, jogador da seleção de Bangladesh naquela época. Enquanto isso, seguia a luta pela libertação e independência, visando deixar de ser o Paquistão Oriental.

 

Bangladesh virou país em 1971, com a separação oficial do Paquistão Ocidental, hoje somente conhecido como Paquistão. Durante a criação e o fortalecimento da identidade nacional, e muito perto da última copa que havia acontecido, um ícone brasileiro do futebol ficou famoso também nas terras de Bangladesh.

 

ONDE PELÉ ENTRA NA HISTÓRIA

 

Na copa de 1970, Pelé era um grande nome da nossa seleção. Edson Arantes do Nascimento era também um homem negro e de origem pobre, que encantava o mundo com a bola nos pés. Pelé, vestindo a camisa da Seleção Brasileira, trazia dribles mágicos, jogadas inacreditáveis e instantes raros em que era possível sonhar.

 

Nas palavras do embaixador do Brasil, Paulo Fernando Dias Férez, em entrevista à Rádio Gaúcha, Pelé representava excelência, autoestima e, por que não, a possibilidade de um povo pequeno, distante dos grandes centros de poder, sentir-se conectado ao resto do mundo. Ele pairava soberano sobre todas as desavenças do mundo.

 

Isso era inspirador. Dentro de um contexto de transformação que o país passava, mais ainda.

 

O novo presidente de Bangladesh quis trazer esse sentimento e determinou que a biografia de Pelé, escrita por Mário Filho, fosse traduzida e incluída como leitura obrigatória nas escolas daquele país.

 

TORCIDA PELA SELEÇÃO BRASILEIRA

 

O fato histórico da Independência, a Copa de 1970 e o livro marcaram aquela geração. Mesmo sem ter seu time na Copa, a população de Bangladesh torce, enfeita suas ruas... sendo uma das maiores torcidas para a seleção brasileira fora de nosso país. Aliás, Bangladesh nunca chegou perto de se classificar para a Copa.

 

Há elementos urbanos nas cores verde e amarela, misturando-se à paisagem urbana. Nas paredes das vilas, os gráficos das divisões dos grupos e a tabela do mata-mata da Copa do Mundo são fixados para consulta dos moradores.

 

E A ARGENTINA, VEIO RIVALIZAR ATÉ NISSO?!

 

O críquete é o maior esporte nacional de Bangladesh. A liga de futebol local, apesar de existir, não atrai grandes públicos.

 

A Copa é um fenômeno diferente. Há bandeiras estrangeiras espalhadas nas fachadas, pois as pessoas adotam um país para torcerem. Muitas bandeiras são do Brasil, mas não só dele, pois também existe uma leva argentina.

 

Assim como Pelé explica a onda brasileira, Maradona a argentina. A entrada da Argentina também como admirada pelo povo de Bangladesh ocorreu na Copa de 1986. Naquele ano, Diego Maradona protagonizou o famoso episódio da mão-de-deus, na partida contra a Inglaterra. Hoje isso não passaria, já que temos VAR. Também dentro de um contexto histórico e simbólico, os bengalis, que integraram a antiga colônia britânica até o processo de independência liderado por Mahatma Gandhi, viram no triunfo da seleção argentina uma espécie de revanche histórica contra seus antigos colonizadores.

 

Ao longo das gerações, a preferência do povo de Bangladesh foi mudando e vêm surgindo mais torcedores da Argentina. Cabe pensar que o último título do Brasil foi há vinte e quatro anos e serão necessários vinte e oito para uma nova copa, visto que nossa seleção sucumbiu à Noruega de Halland em 2026. Já a Argentina tem Messi e foi campeã em 2022, no Catar.

 

Os comerciantes de Dhaka (capital de Bangladesh) apontam que, atualmente, as camisas da seleção argentina representam 60 % das vendas de uniformes da Copa, ante 40 % das do Brasil. É um dado que demonstra os tempos atuais e a divisão de gerações por lá.

 

Em praças públicas, ou até mesmo em ginásios, como mostrado em reportagem do Fantástico, os jogos movimentaram multidões nas madrugadas, mesmo com o fuso horário bem desfavorável (Brasil e Noruega foi às 2h30 no horário local, por exemplo). Houve quem tenha gostado do resultado em Bangladesh, dentre os torcedores da Argentina, mas de forma bem pacífica.

 

ALGUNS RECORDES DO FUTEBOL BRASILEIRO

 

Ainda falando de Pelé e do Futebol brasileiro, veja alguns números interessantes sobre esse tema em nosso post sugerido 👇🏻:

 

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👉 Alguns recordes no Futebol Brasileiro

 

 

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