Ciência & Saúde
Ter a possibilidade de recuperar movimentos ou mesmo voltar a andar é algo que desperta o sonho e o brilho nos olhos de muita gente. Apesar de que seja possível a vida com deficiência, a autonomia total e a liberdade de caminhar são muito importantes.
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| [Tatiana Sampaio em laboratório. Imagem: O Globo | Reprodução] |
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O QUE É A PESQUISA?
A ideia é construir uma rede com proteínas que restabelecem a comunicação entre o cérebro e o corpo. Como é um estudo que envolve humanos, similar a vacinas e medicamentos, existem etapas e atualmente, a Anvisa permitiu que haja estudo clínico para teste nas pessoas.
Essas proteínas são as lamininas, que se unem na forma da polilaminina. A partir delas, pode-se reconectar pontos com lesões na medula, permitindo que o cérebro volte a enviar comandos efetivos aos membros. É uma ideia inovadora no tratamento do traumatismo raquimedular.
QUEM TEVE ESSA IDEIA E DESENVOLVE A PESQUISA?
Há cerca de trinta anos, a bióloga Tatiana Lobo Coelho-Sampaio, Professora Doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), começou suas pesquisas sobre esse assunto. Nelas, observa o comportamento das lamininas na formação da polilaminina, que recupera axônios (parte dos neurônios onde ocorre a transmissão de informações). Numa condição original, esses axônios não se recuperavam, mas a substância tem se demonstrado capaz de permitir que isso ocorra.
A partir do currículo Lattes, onde pesquisadores divulgam sua trajetória de estudos, é possível ver as etapas do estudo de Tatiana. Ela é chefe do laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. A graduação foi em Ciências Biológicas (IB, 1986), mestrado (Ciências Biológicas, IBCCF, 1990), doutorado (Ciências, IBCCF, 1992). Os estágios pós-doutorais foram em imunoquímica na Universidade de Illinois (EUA) e outro em inibidores de angiogênese na Universidade de Erlangen-Nuremberg (Alemanha).
As formações em ciências biológicas tiveram foco em bioquímica e química de proteínas. Tatiana faz estudos estruturais de proteínas de matriz extracelular e fatores de crescimento. Ela verifica a regeneração de lesões na medula espinhal pelo uso de células-tronco mesenquimais associadas ou não à polilaminina. Tatiana Sampaio também é sócia e consultora científica da Cellen, empresa de produção de células-tronco para uso veterinário.
Como professora universitária, além de estar envolvida com a pesquisa, ela também orienta pesquisas de pós-graduandos em nível de mestrado e doutorado sobre efeitos da polilaminina. Em janeiro de 2025, havia uma orientanda de mestrado e quatro de doutorado, cujos trabalhos eram assim intitulados:
Mestrado:
• Juliana Pena Gonçalves: Caracterização dos mecanismos de controle da produção de laminina pelas células mesenquimais utilizadas em terapia celular.
Doutorado:
• Cristiane Josefá Lima Bicalho de Barros: Estudo do mecanismo fisiológico de controle da pressão intraocular.
• Raphael de Sequeira Santos: Avaliação dos Efeitos de Implantes de Filamentos de Policaprolactona (PLC) com ou sem cobertura de Polímero de Laminina em Cultura de Gânglio da Raíz Dorsal e na Regeneração após Transecção de Nervo Ciático.
• Andréa de Menezes Machado: Efeito do Treinamento Físico em Modelo de Lesão Raquimedular em Rato.
• Marcos Assis Nascimento: Caracterização das isoformas de laminina expressas na medula espinhal após lesão e terapia celular.
Além das orientações e seus trabalhos finais (dissertação e tese), Tatiana Sampaio e outros professores doutores divulgam suas pesquisas a partir de artigos científicos em eventos (congressos) e principalmente em periódicos científicos. Neles, os procedimentos de pesquisa são descritos e há a chamada revisão por pares, isto é, outros pesquisadores analisam e julgam a relevância, qualidade e ética na pesquisa. A publicação é condicionada ao atendimento desses requisitos.
Também olhando no currículo Lattes, a partir de um indicador da base Web of Science, vê-se que Tatiana já publicou vinte e nove artigos, com trezentas e setenta e sete citações e fator H igual a treze, sendo vários em revistas internacionais. Esses são alguns indicadores que destacam a produção científica e estão atrelados à pesquisa sobre a polilaminina.
Os últimos cinco artigos dela e de autores parceiros foram:
• CHIZE, C. de M. ; VIVAS, D.G.; MENEZES, K.; FREIRE, M. N.; JIDDU, R. F. P.; GRAÇA-SOUZA, A. V.; DE SOUZA-LEITE, E.; LOUZADA, P. R.; COELHO-SAMPAIO, T. A laminin-based therapy for dogs with chronic spinal cord injury: promising results of a longitudinal trial. Frontiers in Veterinary Science, v. 12, p. 1592687, 2025.
• SILVA-OLIVEIRA, G.; LINHARES-LACERDA, L.; MATTOS, T. R. F. ; SANCHES, C.; COELHO-SAMPAIO, T.; RIEDERER, I.; SARAIVA, E. M. Laminin Triggers Neutrophil Extracellular Traps (NETs) and Modulates NET Release Induced by Leishmania amazonensis. Biomedicines, v. 10, p. 521, 2022.
• MESQUITA, F. C. P. ; LEITE, E. S. ; MORRISSEY, J.; FREITAS, C.; COELHO-SAMPAIO, T.; HOCHMAN-MENDEZ, C. Polymerized Laminin-521: A Feasible Substrate for Expanding Induced Pluripotent Stem Cells at a Low Protein Concentration. Cells, v. 11, p. 3955, 2022.
• COELHO-SAMPAIO, T.; TENCHOV, B.; NASCIMENTO, M. A. ; HOCHMAN-MENDEZ, C.; MORANDI, V.; CAARLS, M. B.; ALTANKOV, G. Type IV collagen conforms to the organization of polylaminin adsorbed on planar substrata. Acta Biomaterialia, v. 111, p. 242-253, 2020.
• MENDEZ, C. H. ; COELHO-SAMPAIO, T. ; KENT, A. J.; INMAN, J. L.; BISSELL, M. J.; ROBERTSON, C. . Generating a Fractal Microstructure of Laminin-111 to Signal to Cells. Jove-Journal of Visualized Experiments, v. 163, 2020.
AVANÇOS
O salto foi de 10 para 75 % das pessoas conseguindo recuperar funções motoras. Houve movimentos sutis que voltaram. Num estudo com oito pacientes envolvidos, os avanços foram históricos, para pessoas com lesão completa.
Pacientes em cadeira de rodas puderam ficar em pé. Pacientes com dificuldade motora conseguiram pedalar.
Para que isso acontecesse, a polilaminina foi aplicada por médicos, parceiros na pesquisa, preferencialmente até três dias do trauma. É importante ser rápido porque a medula tenta cicatrizar os axônios e isso dificuta a regeneração esperada. É um dos motivos porque ainda mais e mais pesquisas precisarão se somar a essa para dar esperança a pessoas em outras condições de lesão, como quem tem lesão incompleta, caso onde não funciona como tratamento.
PESSOAS ENTRARAM NA JUSTIÇA PARA FAZER
Além do uso compassivo, isto é, uso quando se esgotam as alternativas, muitas pessoas entraram na justiça buscando que fossem inclusas nos testes da polilaminina, já passando de cinquenta pedidos e de trinta pessoas que ganharam. Como o tempo é crítico no resultado, e há interesse de pesquisa também, médicos viajam de avião para fazerem a aplicação da substância.
AINDA É PERÍODO DE TESTE
Como todo remédio ou vacina (veja mais nos posts sugeridos) existe a pesquisa prévia até a aprovação, começando dos ensaios in vitro até os testes em humanos. Diante disso, os casos em que a justiça indica a aplicação têm entrado, em parte, nos estudos, mas isso não indica uma aplicação em massa.
Nem os médicos defendem isso, por motivos óbvios. Seres humanos não são totalmente previsíveis. É preciso entender efeitos colaterais e adversos, se existem. Também é preciso estudar quando algo acontece e tem ou não a ver com o medicamento testado, como quatro mortes que aconteceram com pessoas que receberam a polilaminina. Os pesquisadores descartaram a relação dela com as mortes.
Depois da aplicação, os pacientes precisam de bastante esforço, pois fisioterapia segue sendo fundamental. É uma soma.
Projeta-se que, se houver sucesso nas três fases de teste que virão, que a polilaminina esteja disponível em até cinco anos. Imagina-se que o remédio, fruto de pesquisa pública, entre para disponibilização pelo SUS.
COMO É O DESENVOLVIMENTO DOS NOVOS REMÉDIOS?
Falamos de testes da polilaminina, e testes são condição para um novo remédio ser liberado para uso. Entenda como isso funciona 👇🏻:
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