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Apaixone-se pelo problema, não pela solução, de Uri Levine

 Literatura

 

Livros servem para a gente se divertir, aprender e descobrir histórias. No caso do livro de Uri Levine, cofundador do Waze, ele traz um pouco de sua trajetória, em paralelo com o desenvolvimento de uma startup. São experiências de vida misturadas a alguns termos técnicos e aspectos práticos ao longo da jornada. Vamos ver alguns destaques do livro?

 

 

Olhe a capa do livro
[Capa do livro. Imagem: O Blog do Mestre | Reprodução]


 

DEPOIS, VOCÊ PODE LER TAMBÉM

» O pensamento disruptivo

 

» Ser ou não ser empreendedor - Quais benefícios e os sacrifícios?

 

» Que fim levou a Esso?

 

RESPONSABILIDADE

 

Ao falar sobre empreendedorismo, uma ressalva dá início ao texto, e que aparece também em guias técnicos, como o PMBOK, do Project Management Institute. São dicas e conselhos genéricos, mas as decisões de dia a dia e os detalhes menores, incluindo orientações fiscais e riscos, sempre são por conta de quem empreende.

 

COMEÇANDO O WAZE

 

Uri Levine é israelense. Apesar de que conheça várias partes do mundo e tenha chegado a mercados como o Brasil, tudo parte da rotina dele. Em 2006, sem conhecer uma rota entre duas cidades israelenses, ele enxergou um problema. De problemas, surgem ideias. De ideias, surgem negócios.

 

O autor vai ressaltando ao longo do livro que é preciso resolver um problema de modo a gerar economia de tempo ou de dinheiro. Se isso vai funcionar depende de que local e contexto. Também é importante que o problema não seja só seu: o viés do um e da opinião não sustentam negócios.

 

FOCO NO PROBLEMA

 

Até pela postura de como uma startup se coloca, Uri afirma que é possível perceber se o problema está claro e bem definido. Quando isso não ocorre, ao invés de contar o tempo, o lucro obtido ou o número de pessoas beneficiadas, a startup foca em seus números de produção ou qualidade de seu app, não centrando no problema.

 

Há alguns exemplos das startups em que Uri atuara. No Waze, o problema (a "dor" ou "pain point") era a melhor rota de carro. O Moovit envolvia múltiplos modos de transporte, e assim por diante.

 

UM LIVRO MODERNO: PASSANDO AO MULTIMÍDIA

 

Um detalhe interessante ao pensar no Waze é que ele não nasceu pronto e foi melhorando com os dados de usuários, inclusive para construir seus próprios mapas. Num trecho do livro, é fornecido um QR code (quem vos escreve nunca imaginou ver isso num livro algum dia) para um vídeo onde aparece a formação dos mapas.

 

TEMPO E ESFORÇO

 

Uri destaca que o começo e a vida de uma startup envolvem altos e baixos.  O tempo a dedicar pode ser grande, e muitos vão questionar a sua ideia de começo, inclusive aqueles que podem te trazer recursos.

 

Você vai precisar, para criar a startup, estar disposto a abrir mão de salário e renda em prol do projeto maior. Essa é uma semelhança com outros tipos de negócio, uma sina de quem empreende, da qual é preciso ter disposição para fazer. Há diferenças, porém, na rota de Uri Levine e daquele dono do mercadinho-da-esquina, que ficam claras em alguns pontos do livro – não desmerecendo ninguém, mas no sentido de como os recursos para financiar o negócio surgem. Nem todos podem começar dessa maneira.

 

ERRANDO E CHEGANDO AO PRODUCT-MARKET-FIT

 

A questão de o produto ser bom o bastante mudava de um país para outro. Em alguns, existiam aplicativos muito consolidados. Em outros, a quantidade de usuários ou os códigos de endereçamento dificultavam a modelagem matemática do problema.

 

Um exemplo disso é o Japão. Como a numeração dos imóveis é por idade, sem um critério linear, a partir dos usuários ativos, o Waze não conseguia calcular os endereços restantes, como faz em outros países. Os carros locais também chegam com um sistema de GPS integrado ao painel. Somente o serviço postal local tem o catálogo com todos os endereços.

 

Diferentemente de alguns setores ou empresas maiores, errar e tentar é rotina no desenvolvimento da startup. Quanto mais rápido vierem a tentativa e erro, mais se acelera a correção de rumos e a chegada ao Product-Market-Fit (PMF ou adequação do produto ao mercado).

 

QUEM INOVA MAIS

 

Em geral – podem haver exceções – quem promove disrupção é quem tem menos a perder. Empresas maiores e players mais consolidados no mercado tenderão a agir de forma mais cautelosa. Isso não bate com a montanha-russa que é uma startup, de onde surgem as disrupções.

 

Disrupção não é apenas tecnologia, mas mudar a forma como se faz algo. Ela pode vir acompanhada de economias de tempo ou de dinheiro (ou ajudar em algum ganho), e os disruptores sempre são combatidos, dizendo que aquilo não vai funcionar.

 

FOCO E ETAPAS

 

A gestão da startup pode gerar aquela vontade de fazer de tudo, desde a melhoria do produto até angariar recursos, mas é preciso ter cuidado com isso, e foco. O autor e a tradução usam uma sigla, de coisa mais importante ou most important thing (MIT), que é um pouco confusa, pensando na universidade dos EUA, mas é reiterada no livro.

 

Se você não entendeu bem, Uri cita Stephen Covey: "A principal coisa é manter a principal coisa como a coisa principal". Não esqueça disso!

 

Cada fase levaria de dois a cinco anos. Após o PMF, vêm a expansão e a monetização. Surgindo a dúvida sobre o que definir como preço, sugere que fique no patamar de 10 a 25 %.

 

EXPANDINDO PELO MUNDO

 

A ideia de se tornar global é tentadora e faz parte do mundo das startups. Isso pode acontecer se você começa num país pequeno, sendo quase uma regra para conseguir crescer. Uri Levine destaca que o Brasil é um país grande e populoso, então seria um desafio enorme expandir internamente e depois conseguir alcançar outro país. Vários apps, inclusive alguns criados por ele, têm o Brasil como um dos cinco principais mercados. Já no de Israel, é um mercado mais restrito, então seria-de-lei conseguir mercados em novos países.

 

STARTUPS UNICÓRNIO

 

As startups unicórnio possuem uma característica especial: elas superam um bilhão de dólares de valor de mercado antes da abertura na bolsa de valores. No Brasil, empresas que alcançaram esse feito foram o Nubank, a MadeiraMadeira ou ainda a 99, por exemplo. 

 

Segundo Uri Levine, os unicórnios surgem quando cinco estrelas se alinham:

 

• Produto necessário e usado.

• Mercado amplo.

• Modelo de negócios funcional (LTV alto).

• Descoberta do crescimento de usuários e globalização.

• Fator X (crescimento equilibrado).

 

DE ONDE SURGE O DINHEIRO

 

Diferentemente dos empreendedores como o dono do mercadinho-da-esquina, cujo capital vêm de financiamento bancário ou, muitas vezes, de economias de anos de trabalho, o financiamento descrito por Uri Levine para startups parte de empresas de Venture Capital. Essas empresas financiam startups com o intuito de obterem lucros mais fortes e rápidos naquelas que dão certo. Elas sabem que startups costumam ter taxas de crescimento acima da média ao longo dos anos: se para uma empresa consolidada são 10 % ao ano em média, isso fica em fatores graduais de dez a duas vezes nos primeiros cinco anos.

 

Como é um financiamento que não é próprio, não é você que precisa estar convencido que seu produto/serviço é bom, mas a empresa de Venture Capital. Por meio de pitchs, conversas e outros, você terá de convencê-los. O autor explica um pouco desse movimento até conseguir os recursos, falando que você deve contar uma boa história e estar preparado para a a dança-dos-cem-nãos.

 

No Brasil, existem plataformas que permitem investir em startups como pessoa física, como um investimento. Um exemplo disso é a Loor.vc. Para esses casos, a lógica é um pouco diferente do que aparece no livro: há materiais e informações sobre a startup, mas não é um contato pessoa a pessoa, como no caso das grandes empresas de Venture Capital: o investidor escolhe e deposita valores, como quando vai fazer investimentos de corretora, como ações ou CDB (salvas as particularidades, como liquidez).

 

RELAÇÕES COM PESSOAS

 

Conselheiros, acionistas, pessoas da Venture Capital, funcionários... são indivíduos com ego e personalidade própria. Uri Levine indica que manter boas relações é importante. Em reuniões e decisões importantes, talvez seja o caso de falar individualmente com cada conselheiro, antes, para que não seja resistente se surgir algo desconhecido por ele e conhecido pelos demais.

 

Demitir pode parecer outra coisa ruim. No ponto de vista pessoal, talvez, mas para a empresa não, incluindo até mesmo os sócios. Levine indica que manter alguém ruim desregula e desmotiva o time, dando um recado errado. Quando alguém não se ajusta (todos sabem, até a pessoa), o desligamento precisa ser rápido.

 

ENTENDENDO O USUÁRIO

 

Todo produto criado por uma startup deve envolver a disrupção, para que ela possa crescer. Por outro lado, nem todas as pessoas estão dispostas a mudar suas rotinas para o uso de ferramentas novas, na verdade, que nem gostam de mudanças num contexto geral. Existem usuários desde os early adopters até os da terra-do-nunca. Os apps se difundem a partir do boca-a-boca e dos perfis dos usuários, segundo Levine.

 

Em alguns casos, a captação de usuários pode envolver anúncios na internet, anúncios em redes sociais, páginas nos principais sites e jornais (dependendo de uma intermediação forte), dentre outros. No caso do Waze, sendo um app, houve parcerias com operadoras de telefonia.

 

Ter apps simples e intuitivos é um ponto. Outro é saber como cada usuário se comporta, coletando opiniões. Uri ilustra formas diferentes de uso conforme o país: enquanto brasileiros relatam muito onde há blitz policial, alemães não fazem tanto esse tipo de relato no Waze.

 

Ele também destaca aspectos de retenção. Além de serem usos espaçados em apps, também ressalta que a retenção de usuários costuma ocorrer após o terceiro uso. Fazendo uma analogia histórica, Levine destaca que a revolução só se justifica pela vitória, nas palavras de alguém de seu convívio.

 

A VENDA E A SAÍDA DA STARTUP

 

Esse é todo um processo de desapegar de algo que era seu, pensar na continuidade imediata ao negócio e a transição. O exemplo detalhado no livro é justamente a oferta de aquisição pelo Google do Waze, como tudo se construiu e investidores que eram descrentes desse potencial. A venda por um bilhão de dólares foi algo marcante.

 

Outras coisas marcantes são o fôlego do administrador, a perda de autonomia (nem todas equipes lidam bem com uma estrutura mais rígida como a da empresa compradora). Também existe uma névoa quando se olha o futuro. No caso do Google, apesar de haver sobreposição, Maps e Waze coexistem até hoje.

 

O valor recebido pode mudar a vida de fundadores, investidores e até dos funcionários, conforme os programas internos da empresa. Por outro lado, você não sabe se virá oferta melhor. Certo modo, ela precisará ser cozida em banho-maria para aparecer. Você decide quando é hora, pensando em si e na sua equipe.

 

MAIS SOBRE STARTUPS

 

Outra dica de leitura para quem gosta de inovação e empreendedorismo é o livro de Maurício Benvenutti 👇🏻:

 

E AINDA MAIS PARA VOCÊ:

👉 Incansáveis, de Maurício Benvenutti

 

 

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