Arte
O filme "A Vida Invisível" é uma produção brasileira, adaptação de um livro de Martha Batalha. Antes de "Ainda estou aqui" e "O Agente Secreto", chegou a ser cotado como o representante brasileiro no Oscars®. Vamos entender a estória do filme, a adaptação e mais sobre ele?
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| [Cartaz do filme. Imagem: Jornal Opção | Reprodução] |
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LIVRO ADAPTADO
O filme foi criado por adaptação de Karim Aïnouz (também diretor), Murilo Hauser e por Inés Bortagaray (uruguaia), de um livro de Martha Batalha. Esse livro é "A vida invisível de Eurídice Gusmão", lançado em abril de 2016 pela Companhia das Letras. Mesmo antes do lançamento, em 2015, os autores já trabalhavam numa versão para o cinema, e passaram mais dois anos na escrita e maturação do texto.
Na adaptação de um livro, é uma nova linguagem a construir, há um limite de tempo e de forma. Se você lê um livro e observa a diferença no filme, é algo normal.
Na sétima mesa de debates da terceira edição do Fórum Mostra Internacional de Cinema, evento que ocorreu no Itaú Cultural, a equipe da versão para o cinema contou sobre todo o processo de adaptação. Murilo Hauser estava com a diretora assistente Nina Kopko e com o produtor Rodrigo Teixeira.
Conforme eles indicaram, era um livro com várias narrativas paralelas, então eles recortaram uma em específico para produzir o filme. Outra ideia foi seccionar o texto de Martha e pôr na ordem cronológica.
Claro que na adaptação, alguns detalhes específicos ganharam mudanças, como a redução das ocupações da introvertida Eurídice. De tocar flauta, publicar receitas culinárias, costurar para fora, tudo sabotado pelos pais ou marido, esses sonhos foram resumidos em um, trocando a flauta pelo piano e a projetando em sonhar em ser musicista.
Outra mudança foi no namoro de Guida. No texto do livro, a primogênita saia de casa para viver com o namorado, mas isso tudo acontecia no Rio de Janeiro. No tempero a mais da adaptação, Yorgus – interpretado por Nikolas Antunes – é o marinheiro grego com quem Guida foge para terras gregas antes de ser expulsa de casa. Disso surge aquele drama e aquela aventura do amor distante.
O processo de adaptação foi liberado pela autora. A personalidade de cada personagem ficou, a alma está ali. Por outro lado, as cenas são mais melodramáticas. Os autores afirmam ter se inspirado em telenovelas dos anos 1970 e nos filmes da Sessão da Tarde.
A POSSÍVEL REPRESENTAÇÃO NO ÓSCAR®
A comissão especial da Academia Brasileira de Cinema teve uma acalorada votação em 2019, com quase duas horas de reunião, a fim de decidir qual seria o filme que o Brasil indicaria a uma vaga no Oscars®.
Houve uma divisão interna entre "A vida invisível", com cinco votos, e "Bacurau", com quatro, segundo Anna Muylaert, presidente da comissão. A qualidade do filme foi levada em conta, a campanha internacional que ele poderia fazer, bem como a presença de Fernanda Montenegro, que já havia concorrido ao prêmio de melhor atriz.
Apesar das expectativas, em dezembro de 2019 a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou os dez finalistas para concorrer a uma indicação a melhor filme internacional, e "A vida invisível" não seguiu para a etapa seguinte. Naquela edição, os escolhidos foram:
• Parasita (Coreia do Sul).
• Corpus Christi (Polônia).
• Honeyland (Macedônia do Norte).
• Os Miseráveis (França).
• Dor e Glória (Espanha).
O filme vencedor, nessa categoria, foi o sul-coreano "Parasita".
A PARTICIPAÇÃO DE FERNANDA MONTENEGRO
Como mencionado, a participação de Fernanda Montenegro era um dos pesos especiais em "A vida invisível". Mais tarde, ela estaria em "Ainda estou aqui", que foi vencedor do Oscars® de melhor filme internacional, o que fez jus à grande atriz que nós sempre admiramos.
Ela trabalhou com outros grandes nomes entre autores e atores como: Millôr Fernandes; Nelson Rodrigues, amigo que lhe escreveu três peças, incluindo O Beijo no Asfalto (1960); Paulo Autran; Ítalo Rossi; Nicette Bruno; Renata Sorrah; dentre outros. Sua família também esteve junto na atuação: eram pessoas da arte, como o marido Fernando Torres – cuja formação era a medicina, mas o talento na atuação e na direção falou mais alto – e a filha Fernanda Torres.
Muitos prêmios exaltam o talento de Fernanda Montenegro. Ela ganhou o Golden Globes® e foi, por vários anos, a única brasileira indicada ao Oscars® de melhor atriz, por sua atuação em Central do Brasil (1998), na edição de 1999 das premiações. Sua filha viria a repetir seu feito anos mais tarde.
Em 2019, Fernanda Montenegro apareceu nos cinemas em "A vida invisível" no papel de Eurídice Gusmão. Não parou por aí: naquele mesmo ano, esteve em "O Juízo", filme com roteiro de Fernanda Torres e direção de Andrucha Waddington.
PRÊMIOS DE AINDA ESTOU AQUI
Vários prêmios foram conquistados por "Ainda Estou Aqui", que também contou com Fernanda. Relembre quais foram 👇🏻:
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