Por que os chineses comem carne de cachorro?

por - segunda-feira, outubro 21, 2019

Cultura & Comportamento


O hábito alimentar de comer cachorro, pelos chineses, já ocorreu em outras partes do mundo, como por alguns povos indígenas do interior do continente americano. Só na cidade chinesa de Yulin, província de Guangxi, ocorre uma espécie de festival onde se chega a fazer churrasco de dez mil cachorros.

O tema é controverso, mas é importante pensá-lo sob todos os pontos que o norteiam para poder ser justo na crítica ou no apoio. Vamos ver mais a respeito?

https://www.oblogdomestre.com.br/2019/10/FestivalDeCachorros.CarneEAnimais.Cultura.html
[Imagem: AFP/BBC Brasil]



Segundo informações da BBC Brasil, desde os anos 1990 se faz esse festival no dia do solstício de verão no hemisfério Norte. Chineses comem a carne de cachorro e, com a ascensão econômica, ficaram ainda mais interessados em consumi-la.

A notícia do festival gera diferentes reações, desde hashtags e petições virtuais até pessoas que acabam comprando os cachorros do festival para soltar. Há ainda quem afirme que a carne não seria boa por ser advinda, por vezes, do roubo de animais domésticos de outros locais.

O CONSUMO DE CARNE ANIMAL


Segundo apontam os estudos sobre a pré-história e civilizações primitivas, o homem teria hábitos nômades, tendo se fixado em locais específicos com a prática de agricultura. O consumo de carne ocorreria pela caça e, mais tarde, pelos animais que se conseguiu cercar e dominar.

Assim, o consumo da carne animal seria algo primitivo e que veio conosco por muitos anos.  Segundo apontam pesquisas científicas recentemente divulgadas e apresentadas em revistas de variedades, parte da evolução do ser humano passou por consumir carne, incluindo nesse pacote a estrutura dentária.

Vários seriam os animais consumidos pelos seres humanos. Mesmo com a pecuária, sempre houve hábitos alimentares que envolvessem espécies não convencionais ou mesmo a caça por arma de fogo, levando ao consumo de capivaras, tatus, pombas, javalis, lebres e muitos outros tipos de animais.

PRODUÇÃO DE ALIMENTOS EM ESCALA INDUSTRIAL


Quem é amante de bons churrascos costuma afirmar que aquilo que o animal comeu influencia no sabor da carne. Falar em sabor é subjetivo, todavia o fato é que os seres humanos refletem seus hábitos alimentares, sendo uma grande prova disso falar em dietas com nutrientes variados e de boa procedência, alimentos mais simples...

Animais que serão utilizados no consumo humano são tratados com dietas controladas. Aqueles que são onívoros, como as galinhas, não comem quaisquer insetos que encontrem...

Falando em insetos, eles são tendência em alimentação e já estão presentes em alguns alimentos industriais ou na produção de rações animais. Futuramente, devem aumentar sua participação por possuir alto teor proteico, maior até do que das carnes convencionais. Entretanto, precisam ser criados de forma controlada também, pois a barata a ser fornecida como alimento humano não pode ser aquela que circula pelos esgotos.

Quem acompanha um quadro de pratos exóticos no programa Eliana, percebe que animais diversos ou mesmo insetos quaisquer podem entrar na alimentação humana. A questão está em ser adepto ao consumo, sentindo-se confortável, e no manejo controlado do futuro alimento em sua criação.  Assim, seria válida a ideia de não consumir aqueles cachorros chineses por conta da saúde, mas é complicado falar quando o assunto é apenas consumo cultural da carne.

CATIVAR ANIMAIS OU MATÁ-LOS?


O consumo de carne é algo que, em nossos dias, é bastante cultural. Consome-se mais do que o necessário e se pressiona o meio ambiente (a nossa casa) para dar conta de tal demanda.

Por mais estranho que possa parecer matar e comer outro animal qualquer, isso ocorre todos os dias - é corriqueiro. Até mesmo diversas correntes religiosas justificam o consumo de carne animal como sendo algo que o humano pode fazer sem um pingo de culpa.

Mas o fato é que a realidade é mais forte do que a frase dos livros infantis que afirma que um animal "nos dá carne". Nada é dado. Por questões culturais, escolhemos alguns animais e sacrificamos em prol de nossa alimentação. Diante disso: (a) há quem coma qualquer animal, (b) há quem não coma nenhum animal ao fazer suas refeições e (c) há quem coma carne e justifique que alguns animais são domésticos e outros não, podendo ser carneados.

Dos três grupos, talvez a pior corrente seja a (c). Uma vaca pode ser dócil e atender aos seus chamados, receber comida na boca e carinhos na cabeça. Um coelho pode ser tão dócil a ponto de ficar parado e receber afagos na cabeça também. Não são só cachorros e gatos que podem ser amigos de humanos, mas diferentes tipos de animais.

O segredo aqui está, além da cultura, em cativar algum animal. Se você passar a cultivar carinho por qualquer ser, você não o mata.

Os chineses veem os cachorros da mesma forma que alguns criadores de gado, ou seja, sem cativar os animais. Se duvidar, você ouve expressões falando de carne como se fosse um ser ("a carne veio do pasto", por exemplo, mesmo que carne não paste, mas um boi ou uma vaca).

Como falou-se ao longo desse texto, a questão vai muito além do festival de cachorros. Seja a sua escolha consumir ou não carne, é preciso ter a ciência de como funciona a produção ou consumo de carne e os porquês de cada opção. Apenas é inadequado querer elencar algumas espécies como servíveis e outras como seres amigos.




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