As questões por trás da adoção

por - sexta-feira, agosto 30, 2019

Cultura e Comportamento


A adoção é um ato de amor muito grande. Você não gera um filho biologicamente, mas se torna pai ou mãe pela vida. Segundo o consenso popular, ser pai ou mãe seria justamente o título de quem cria uma pessoa, então a adoção faz pais, mães, filhos e famílias.

Por mais simples que possa parecer, a adoção é uma realidade difícil. Há muito mais pessoas querendo adotar do que crianças, mas também existe uma série de conceitos e preconceitos pessoais. Vamos falar mais disso ilustrando com alguns dados públicos fornecidos em tempo real pelo CNJ.

https://www.oblogdomestre.com.br/2019/08/Adocao.CulturaEComportamento.html
[Imagem: geralt/Pixabay]



No Brasil, temos em torno de 4 a 5 % das crianças que estão à procura de uma família para cada idade (de um em um ano de idade), até os doze anos. Após, os percentuais de crianças em abrigos aumentam, passando à faixa de 6 a 7 % por faixa etária de um ano, até os dezessete anos e onze meses, o período final da vida infanto-juvenil e começo da vida adulta. Isso representa entre quinhentas e vinte e cinco a setecentas e trinta crianças de uma determinada idade.

No total, seriam mais de nove mil e quinhentas crianças, dentre todas as idades, à espera de um lar. Dessas, mais da metade possui irmãos e um quarto possui problemas de saúde.

Do outro lado, há mais de quarenta e seis mil candidatos na fila de espera pela adoção. Pode parecer bem desproporcional e que há muitos candidatos, mas a forma com a que a adoção ocorre é que a torna algo difícil.

Parte disso vem da necessidade de dar às crianças um lar adequado, com pessoas que tenham condições de dar amor, carinho e um mínimo de estrutura para o novo integrante da família. E a outra parte se deve às várias exigências que as pessoas criam ao adotar.

Ao ver o quadro de pretendentes, observa-se aspectos como escolha de sexo, adotar ou não irmãos, cor de pele, idade... Se mais da metade das crianças que vão para a adoção possui irmãos, mais de sessenta por cento dos pretendentes não querem adotar duas crianças ou mais. No quesito idade, mais de oitenta por cento dos pretendentes desejam adotar crianças de até seis anos de idade, sob o argumento de poder acompanhar o crescimento.

Todos os argumentos que podem restringir a escolha de uma ou outra criança podem ser repensados. O aspecto da cor, por exemplo: por mais que se queira alguém mais parecido, às vezes, até os irmãos biológicos podem ser diferentes até na cor da pele, com mesmo pai e mesma mãe.

Na questão dos irmãos, o fato de não aceitar mais de uma criança pode ser um aspecto de responsabilidade, visto que criar uma criança exige tempo e possui um custo financeiro. Porém é de se imaginar aqueles casos em que o casal recorre à inseminação artificial: há a possibilidade e, sendo tamanha a vontade da paternidade/maternidade, o casal aceita quantos filhos vierem. E ser pai e mãe é estar de peito aberto mesmo!

A idade, que talvez seja um dos mais pesados pré-requisitos, também possui argumentos opostos. Você pode não acompanhar os primeiros anos e as primeiras descobertas, mas existe uma vida toda pela frente. Os jovens estão começando a ir trabalhar para só depois mudarem para suas casas, ou mesmo avançando nos estudos para só depois formarem suas próprias famílias. Dessa forma, o acompanhamento dos pais nesse começo de vida adulta será forte e importantíssimo. E depois, ainda podem vir os netos!

Algumas ações visam chamar a atenção para as crianças em abrigos. Uma delas é a de um aplicativo de celular que mostra as crianças para os pretendentes a pais cadastrados. Outra é um controverso desfile de crianças, bastante divulgado na mídia quanto aos seus lados positivos e negativos. Infelizmente, se falar que um desfile expõe as crianças e pode frustrá-las, esse é o lado triste da adoção, quando a gente ainda precisa se preocupar em aspectos como cor, sexo, idade e outros. A criança para adoção, sem querer, está exposta e ficará assim até que a família definitiva venha, ou não.

Até completar os dezoito anos, jovens podem frequentar abrigos. Depois, precisam viver por si, e isso não é fácil, justamente porque eles estão desprovidos de estrutura e apoio familiar. Há a urgência do emprego para poder começar uma vida digna como adulto, em um país em crise. É possível ver, inclusive em redes sociais profissionais como o LinkedIn, casos de pessoas pedindo emprego por conta dessa situação.

Falamos de vários aspectos, mas o mais intrigante deles é a doença. A exclusão das crianças já pode ter ocorrido por conta de elas não serem plenamente saudáveis. A pessoa ou o casal que adotar essa criança, terá de ter um amor gigante e entender essa condição, provendo, inclusive, o tratamento. Não se verificou nos dados apresentados pela CNJ se deficiências foram agrupadas com doenças.

Esse é um pequeno panorama dentro da realidade da adoção em nosso país. Atrás de cada número que mostramos, são milhares de crianças com a esperança de acordar no dia seguinte e poder fazer parte de uma nova família.





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