Abusado


Literatura


Abusado - O Dono do Morro Dona Marta, do jornalista Caco Barcellos, é um livro reportagem sobre a história do traficante Márcio Amaro de Oliveira, que no livro é chamado de Juliano VP. Ele foi o resultado de um trabalho de pesquisa de quatro anos de Caco Barcellos reunindo depoimentos de pessoas da favela de Santa Marta, inclusive do personagem principal. Por motivo de segurança muitos nomes dessas pessoas foram substituídos por apelidos para manter as identidades dessas pessoas em segredo.


[Os dois modelos de capa do livro Abusado - O Dono do Morro Dona Marta/Reprodução]


» Maria

O livro foi lançado em primeiro de janeiro de 2003 pela editora Record, possui quinhentas e cinquenta e cinco páginas divididas em trinta e oito capítulos. Na versão que do livro que o autor deste post possui, o posfácio de duas páginas conta qual foi o destino de Juliano depois do lançamento do livro. A história é dividida em três partes: Tempos de Viver, Tempos de Morrer e Adeus às Armas.

TEMPOS DE VIVER


A primeira parte dessa história vai até o capítulo vinte. Nos dois primeiros capítulos fala sobre operação fracassada do bando de Juliano em retomar ao morro de Santa Marta, que fica no Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. A partir do terceiro capítulo começa a história de Juliano e seus amigos que eram conhecidos como a Turma da Xuxa.

O ponto alto da primeira parte da história ocorre na Grande Guerra de 1987, em que Juliano, com apenas 17 anos na época, já estava envolvido com o crime. Nessa guerra Juliano lutou ao lado de Cabeludo, que defendia os interesses do bicheiro Carlos da Praça e o da organização criminosa Comando Vermelho contra a organização rival Terceiro Comando.

Com a perda do comando do tráfico no morro após a Grande Guerra de 1987, Juliano passou um tempo na Bahia, onde acabou sendo preso e torturado pela polícia.  Depois de quatro anos ele volta com a ajuda de Carlos da Praça o controle do morro.

TEMPOS DE MORRER


Na segunda parte do livro, que vai do capítulo vinte e um ao trinta, começa com a gravação do clipe da música They Don't Care About Us de Michael Jackson que aconteceu no morro de Santa Marta em 1996. A favela de Santa Marta disputava com Rocinha para receber as gravações do clipe do Rei do Pop.

Não é à toa que essa segunda parte do livro tem esse nome, Juliano deu uma entrevista para três jornalistas pensando que eles iriam omitir o seu nome. Mas ela foi publicada e Juliano acabou sendo conhecido nacionalmente e entrando na lista dos traficantes mais procurados no Rio de Janeiro.

ADEUS ÀS ARMAS


Para mim a melhor parte do livro. Nos oito últimos capítulos Caco Barcellos conta como foi fazer esse livro, sobre os encontros que teve com Juliano na Argentina para recolher o depoimento dele para a obra. Também nesses capítulos é mencionada a amizade de Juliano com o cineasta João Salles.

COMENTÁRIO


Essa obra literária é tão impressionante que parece um romance de ficção, mas isso é jornalismo investigativo escrito nos moldes do jornalismo literário ou new journalism como o livro A Sangue Frio de Truman Capote. Apenas com os depoimentos das pessoas da comunidade, Caco Barcellos contou a história de Juliano com uma riqueza de detalhes, como se ele mesmo tivesse presenciado todos aqueles momentos, mas esse é o diferencial do jornalismo literário de falar da realidade com uma visão literária.

Caco Barcellos escreveu como as pessoas falavam, mantendo os erros de português que pessoas tinham em falar e escrever, dando mais realidade à história. Vemos outro lado do tráfico, na visão dos traficantes e da comunidade do morro, conhecemos em detalhes a vida das pessoas do morro escrita em uma forma poética falando de discursões éticas, morais e políticas presente em nossas vidas. Vale a pena ler o Abusado, você terá uma outra visão de mundo que está presente em nosso dia-a-dia, mas a gente insiste em ignorar que existe.


ESTE É UM ARTIGO ESCRITO POR MATEUS ROSA, jornalista formado pela UNIFACVEST de Lages/SC. Originalmente, este texto pertencia ao blog Mundo em Pauta, que atualmente faz parte do Blog do Mestre. Mateus Rosa ainda é autor do Repórter Riograndense, site que trata da cultura gaúcha envolvendo curiosidades, tradicionalismo e a agenda local.


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