Águas subterrâneas são o futuro para o abastecimento humano?

watch_later 6 de agosto de 2015
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Diante das últimas crises de abastecimento sofridas pelo Sudeste Brasileiro, novamente as atenções se voltaram para as formas possíveis de prover abastecimento contínuo para as cidades, indústrias e a produção agrícola. Os reservatórios atualmente existentes nesta região do Brasil possuíam volume útil capaz de atender às condições mais severas, as quais são tomadas para o mês mais seco que se tinha registro até então, mas, os dois últimos ciclos críticos ocorreram nestes últimos anos, o que exigirá ou uma mudança com readequação nos volumes úteis dos reservatórios, ou a obtenção de novas fontes de abastecimento, como o uso de águas oceânicas dessalinizadas (processo atualmente caro) ou águas subterrâneas. Este desafio pode vir a ocorrer para outros locais também, e a opção por águas subterrâneas possui suas vantagens e seus problemas característicos, dos quais falaremos a seguir.

Beleza natural
[Imagem: Conágua]


Os maiores volumes de água doce do planeta se encontram armazenados na forma subterrânea. Parte destas águas se encontra com possibilidade de aproveitamento com a necessidade de bombeamento apenas, enquanto outra parte se encontra em formações geológicas complexas, que não permitem utilização por conta de não haver tecnologia disponível para tanto.

Para aplicações industriais, o custo final de obtenção de águas subterrâneas é menor, pois indústrias (pelo menos de alguns gêneros) possuem estações de tratamento próprias, dada a necessidade de qualidade da água usada ser maior do que nas aplicações residenciais, e as águas subterrâneas sempre exigirem algum tratamento.

Dentre as principais características das águas subterrâneas, estão:

- Baixa velocidade de escoamento - por isso, a recarga pode não acompanhar a demanda;

- Não influência por variações sazonais de pluviosidade e alguma influência nos escoamentos de rios, pois parte das águas subterrâneas afloram como vazões de base dos rios, abastecendo-os em tempos secos;

- Maior proteção contra efeitos de evaporação, que representam grandes perdas em reservatórios de superfície, e contra a poluição, que tanto afeta rios, lagos e oceanos ao redor do mundo;

- Maior dificuldade de descontaminação, justamente pela baixa velocidade de escoamento;

- É preciso ter um alto controle quanto à contaminação, que ocorre de maneira lenta. Esse controle começa na região não-saturada do solo, de onde são carregados poluentes junto com as águas que infiltram.

Águas subterrâneas
[Imagem: Namu]


Ao falar de águas subterrâneas, é preciso diferenciar poços freáticos e artesianos. Os poços freáticos são aqueles onde a água é retirada diretamente dos lençóis freáticos, não estando confinada por alguma camada rochosa em sua superfície acima e pela rocha impermeável abaixo, sendo os mais comuns. Quando se trata de água confinada (sob pressão, entre rochas), temos poços artesianos, que podem ser jorrantes (quando o nível do terreno onde se perfurou o poço é mais baixo do que o nível do lençol artesiano) ou não jorrantes (água confinada, mas com nível do poço acima do nível do lençol artesiano). É comum chamar qualquer poço perfurado de artesiano, mas suas características são bem distintas.

As águas subterrâneas têm potencial enorme para usos locais e pode ser uma fonte quase inesgotável de abastecimento, mas, como qualquer recurso natural, seu uso exige critério, respeitando-se as condições naturais de reabastecimento e também o controle para não haver contaminação. Atualmente, não são tão utilizadas quanto as águas superficiais apenas por questões de histórico recente de uso, quadro que deve mudar ao longo dos próximos anos. Mas vale ressaltar: nenhuma fonte de obtenção de água será totalmente utilizada em detrimento da outra, assim como virá a acontecer com fontes de energia, onde há complementação no abastecimento.   





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