Palavras curiosas
Das doenças que matam às doenças da bebida...
![]() |
| [De quem será esse bastião? Imagem: Zoshua Colah / Unsplash | Reprodução] |
DEPOIS, VOCÊ PODE LER TAMBÉM
» ABRAQUIA
» PUCHERO
BLEFORÉ
Um bleforé seria um adjetivo pejorativo para se referir a festas populares, da classe trabalhadora. Na Bahia, pode ser um sinônimo de forró ou também significar um baile de "baixa categoria ou caga-fumo.
VEISALGIA
Sempre dá para complicar alguma palavra simples, por outro lado, vocabulário mais extenso nos tira da monotonia. A tontura, incômodo e desconforto que surgem depois de um ou mais dias com farra, bebidas e pouco sono são conhecidas popularmente como ressaca, que é um nome de origem portuguesa que atravessou os séculos.
Por outro lado, médicos noruegueses criaram um termo técnico para isso, já no século XXI. Veisalgia é justamente esse novo nome.
COTEJO
Dentro do vocabulário da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), cotejamento significa:
Procedimento pelo qual a estação receptora repete uma mensagem recebida ou parte dela à estação transmissora, com o fim de obter confirmação de que a recepção foi correta.
Muito perto disso está o significado de cotejo, que envolve cotejar, isto é, confrontar e comparar informações.
ALASTRIM
Alastrim é um nome popular dado a um tipo de varíola de menor intensidade, causada por uma cepa menos virulenta do vírus. De acordo com Luiz Antônio Teixeira, em artigo da Revista Hist. cienc. saúde-Manguinhos, publicado em junho de 2000, o alastrim chegou a ser motivo de uma polêmica biomédica sobre a varíola e o alastrim serem ou não a mesma doença, isso lá em 1910.
De um lado, Emílio Ribas, diretor do Serviço Sanitário de São Paulo, e de outro, Antônio Carini, diretor do Instituto Pasteur de São Paulo, que defendia ser varíola também. A partir de um primeiro artigo que apresentava a questão, muitas réplicas e tréplicas deles e dos demais, chegando até a acusações de práticas desonestas.
CABUNGO
Se penico já é um nome meio engraçado, imagine dizer que algum dia você fez uso de um cabungo... essa era uma versão em madeira do famoso utensílio.
Outros significados para cabungo se parecem ao seu uso como penico: pode ser alguém sem higiene pessoal ou asseio, ou ainda quem é irrelevante.
MACILENTA(O)
Esse é um adjetivo para uma pessoa que fica pálida, descorada, amarelenta, sem viço. Também serve para falar de pessoa muito magra, raquítica.
ANACORETA
Sabe aquele monge ou penitente que se afasta da sociedade para ser um eremita ou viver em retiro, solitariamente?! Esse sujeito é o significado literal de anacoreta.
A partir dele é que surge o sentido figurado. Um anacoreta seria quem leva vida solitária, afastada de todo convívio social.
NEFELIBATA
Nessa hora, acho que fiquei um pouco distraído, fora de eixo. Nisso posso dizer que fiquei nefelibata.
Além de ser adjetivo para quem vive-nas-nuvens, que é muito distraído, também tem a ver com o mundo da Literatura. Nefelibata é um escritor, geralmente excêntrico, que faz prosa ou versos que se afastam dos processos literários mais comuns.
ALHURES E ALGURES
Ambos significam a mesma coisa: em algum lugar, em alguma parte, noutro lugar. Olhando a origem etimológica, porém, alhures vem do português arcaico, já com registro em 1274, enquanto algures veio de uma ideia cruzada com "algo" ou "algum". Indo mais longe, alhures tem origem no provençal "alhors", e ele do latim "aliorsu".
Existe também o antônimo "nenhures", que é o mesmo que "em nenhum lugar". Outro detalhe importante de lembrar é que, mesmo tendo variante e antônimo, o sentido não é dentro de um texto, mas em falas espaciais. Dentro de textos, professores do português jurídico já alertam para não peticionar se referindo a elemento acima da página ou antes do texto por alhures, somente sendo adequado quando forem menções a outros documentos.
LAZARETO
O personagem bíblico Lázaro tinha lepra/hanseníase, e hoje é considerado protetor dos hansenianos. Do nome dele que surgiu o nome lazareto, sinônimo de leprosário.
Lazareto era um hospital em que se recolhiam os leprosos. Em alguns casos, era junto aos portos, ficando ali viajantes procedentes de países com moléstia epidêmica ou contagiosa.
No Rio de Janeiro, por exemplo, existiu o Lazareto da Ilha Grande, instalado nas antigas fazendas do Holandês e de Dois Rios, situadas na enseada do Abraão. Ele teve seu projeto de regimento interno aprovado pela decisão n. 114, em 5 de novembro de 1886. No entanto, desde 1884, a lei n. 3.228, de 3 de setembro, já havia autorizado a Secretaria de Estado dos Negócios do Império a empregar recursos na construção de um lazareto de quarentena como uma medida de prevenção contra a invasão no Império do cólera-morbo, que já se propagava do Mediterrâneo para diversos países.
No século XIX, havia uma política pública de saúde de caráter preventivo voltada para o combate das epidemias que se propagavam rapidamente pelo país a partir das cidades portuárias. Nela, era recomendada a construção de centros de triagem e isolamento dos passageiros e imigrantes.
BASTIÃO
Não, Bastião não é só aquele cidadão que se não vier almoçar logo, as crianças comem tudo... Bastião também é a parte saliente de uma fortificação, na forma de um pentágono irregular, com duas faces formando um ângulo saliente dianteiro, enquanto outras duas, mais curtas, formam flancos reentrantes, que protegem as obras adjacentes.
Pensando nessa ideia de fortificação, bastião pode ser baluarte, defensor de uma causa ou princípio, como o Bastião da Fraternidade.
BEXIGA-NEGRA
A bexiga-negra é um outro nome dado para uma doença infectocontagiosa: a varíola. Essa doença não tem cura e foi uma das mais devastadoras ao longo da história, até a erradicação no séc. XX.
No período colonial, as epidemias de bexiga-negra foram um dos principais fatores que dizimaram a população indígena. Eles acreditavam que o contágio vinha da água do batismo usada pelos padres jesuítas.
O primeiro grande surto brasileiro que se tem notícia ocorreu na Bahia em 1562 e 1563, dizimando milhares de índios Tupinambá e aldeias inteiras. Além da epidemia que se alastrou entre as décadas de 1560 e 1580, outros surtos epidêmicos ocorreram no Rio de Janeiro já no séc. XVII, sendo o mais notável o de 1655 que atingiu, também, Bahia e Pernambuco. Ao longo desse período, fora as ideias dos indígenas sobre ser doença da água benta, associa-se o surgimento da doença ao tráfico de escravos africanos, que vinham com ou contraíam a doença no trajeto até o Brasil.
A primeira vacinação brasileira contra a varíola ocorreu em 1798, no Rio de Janeiro. O método era de inoculação do pus da varíola. Mais tarde, em 1811, já com a Família Real no Brasil, houve a criação da Instituição Vacínica, sendo adotada a vacina jenneriana, com a linfa vacínica, extraída do úbere das vacas.
A Instituição Vacínica, criada pelo príncipe regente d. João, era fruto da preocupação com o alastramento da varíola. Ela tinha como alvo principal a população negra cativa, em função de ser associado a ela o contágio. Escravos vacinados eram mais valorizados para a venda, pois a varíola dizimava os negros e "era perdido o investimento".
No séc. XIX também houve grandes epidemias de bexiga-negra, sendo notáveis as do Ceará, em fins doa anos 1870, e na cidade do Rio de Janeiro em 1887, quando a varíola era responsável por 47 % das mortes na cidade.
.
CALANDRA
Na sugestão de post da linha azul 👇🏻, descubra o significado dessa e de outras palavras:
□
E AINDA MAIS PARA VOCÊ:
👉 Calandra
GOSTOU DESSA POSTAGEM ☺? USANDO A BARRA DE BOTÕES, COMPARTILHE COM SEUS AMIGOS 😉!

0 Comentários
Seu comentário será publicado em breve e sua dúvida ou sugestão vista pelo Mestre Blogueiro. Não aceitamos comentários com links, spam ou mensagens desrespeitosas. Muito obrigado!