A arte do Cordel

Literatura


Povos greco-romanos e muitos outros já desenvolviam a literatura de Cordel, que chegou à Península Ibérica no século XVI. De lá, os colonizadores portugueses a trouxeram para o Brasil, onde o pleno desenvolvimento aconteceu na região Nordeste. Um dos principais motivos, segundo a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), foi o início da colonização brasileira se dar justamente em terras nordestinas, com Salvador sendo a capital brasileira até o ano de 1763.

http://www.oblogdomestre.com.br/2016/11/Cordel.Literatura.html
[Imagem: No Pátio]


O nome cordel surgiu antes mesmo de haver a venda de alguma publicação pendurada em uma corda. Originalmente, havia a venda de Literatura de Cordel exposta em bancas e feiras ao ar livre. Alguns outros mitos rondam esta arte (como se fossem itens obrigatórios), como capas em xilogravura, temas rurais e linguagem dotada de erros de português, venda em cordões, apenas escritores nordestinos, entre outros.

De fato, o Cordel é uma modalidade de escrita (literária) com métrica muito bem definida, podendo inclusive ser cantada. Alguns exemplos podem ser citados:

- Parcela: poesias com quatro sílabas (em desuso);

- Versos de cinco sílabas;

- Estrofe de quatro versos com sete sílabas;

- Sextilha: seis versos com cada verso par rimando com os demais;

- Setilha: sete versos;

- Oito pés de quadrão ou oitavas: oito versos com sete sílabas;

- Décimas: dez versos com sete sílabas;

- Martelo agalopado: seis ou dez versos com dez sílabas;

- Galope à beira-mar: dez versos com onze sílabas;

- Meia quadra: quatro versos com quinze sílabas.

Cada métrica de Cordel possui sua história, suas fases de glória ou de esquecimento. O fato é que produzir qualquer tipo de texto com métrica tão rígida e ainda transmitir mensagens, ideias e sentimentos, é uma valorosa arte. Há estudiosos que defendam que o Cordel não é herança, mas algo próprio do Brasil.

Vejamos alguns exemplos de Cordel, extraídos do website da ABLC:

“Quando eu disser dado é dedo você diga dedo é dado
Quando eu disser gado é boi você diga boi é gado
Quando eu disser lado é banda você diga banda é lado
Quando eu disser pão é massa você diga massa é pão

Quando eu disser não é sim você diga sim é não
Quando eu disser veia é sangue você diga sangue é veia
Quando eu disser meia quadra você diga quadra e meia
Quando eu disser quadra e meia você diga meio quadrão”.

“Falei do sopapo das águas barrentas
de uma cigana de corpo bem feito
da Lua, bonita brilhando no leito
da escuridão das nuvens cinzentas
do eco do grande furor das tormentas
da água da chuva que vem pra molhar
do baile das ondas, que lindo bailar
da areia branca, da cor de cambraia
da bela paisagem na beira da praia
assim é galope na beira do mar”.

“Admiro demais o ser humano
que é gerado num ventre feminino
envolvido nas dobras do destino
e calibrado nas leis do Soberano
quando faltam três meses para um ano
a mãe pega a sentir uma moleza
entre gritos lamúrias e esperteza
nasce o homem e aos poucos vai crescendo
e quando aprende a falar já é dizendo:
quanto é grande o poder da Natureza”.



E ainda mais para você: O imperialismo e a obra de Júlio Verne



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