O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas. 

O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos. 

O vento varria os sonhos,
O vento varria as amizades...
O vento varria as mulheres.
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres. 

O vento varria os meses,
O vento varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo. 

BANDEIRA, Manuel.
(Estrela da vida inteira. 5ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974, p.165-6.) 

Veja também: (Literatura) Hão de chorar por ela os cinamomos