Revoltas do Período Regencial

História

 

O período Regencial, que perdurou entre os anos de 1831 a 1840, consistiu em um momento de nosso país em que Regentes o governaram até que D. Pedro II assumisse a maioridade, ou melhor, fosse considerado maior de idade, após a abdicação do trono por seu pai, Pedro I, que assumiria a coroa portuguesa. Revoltas em todo país marcaram este conturbado período histórico: Revolta dos Malês, Cabanagem e Movimento Farroupilha (Revolução e Guerra). Vejamos abaixo um pouco de cada um destes movimentos e o contexto histórico relacionado. 

Revolta dos Malês 

Entre as várias rebeliões de escravos que se passaram na Bahia, a mais importante foi a dos Malês, que lutavam contra a imposição religiosa sofrida e, trivialmente, a escravidão. Ocorreu em Salvador, no Mês de janeiro de 1835, quando metade da população citadina era de negros, juntando escravos e libertos. Um dos grupos étnicos que os compunha era o dos Nagôs, de religião islâmica. Malê era o termo usado para designar os negros que sabiam ler e escrever em árabe. Outra característica importante é a de que a maioria era de negros de ganho, ou seja, aqueles que exerciam algum ofício (incluindo afazeres domésticos), recebendo uma pequena parcela do pagamento por seus serviços. Poucos conseguiam comprar a carta de alforria, após muitos anos de trabalho.
No início do ano de 1835, mil e quinhentos negros, liderados por Pai Inácio e Manuel Calafate, armaram um plano para libertar companheiros islâmicos e matar traidores (de todas as etnias), com data prevista para 25 de janeiro. Arrecadaram fundos, adquiriram armamentos e atacaram o quartel da cidade, mas foram delatados e acabaram massacrados pela Guarda nacional, policiais e civis muitíssimo superior em número de combatentes.  Sete oficiais e setenta negros (segundo conta a lenda) morreram, duzentos negros foram condenados a açoites, castigos e torturas, sendo mais uns castigados até o óbito. 

Cabanagem 

A província do Grão-Pará (Pará e Amazonas), no ápice da revolta, foi proclamada uma República. A origem do nome da revolta, como a anterior, está na origem humilde dos envolvidos, que moravam em cabanas a beira rio e sofriam de precárias condições de vida.  Comerciantes e fazendeiros também ficaram descontentes com o presidente da província nomeado pelo governo regencial. O primeiro combate ocorreu em 2 de junho do ano de 1831, liderado pelo cônego João Batista Campos, ou Benze-Cacetes. Esfriou a revolta, que ressurgiria anos após. Na fazenda do Acará, de Félix Antônio Malcher, foi arquitetada uma revolução para destituir o presidente da província, Bernardo de Souza Lobo. Malcher assumiu o governo em janeiro de 1835 e nomeou comandante de armas Francisco Pedro Vinagre, mandando executar o ex-presidente, juntamente com o comandante de armas, Cel. Joaquim José Santiago, e o Capitão-de-fragata Guilherme Inglis.
Porém, anos depois, Malcher também gerou insatisfação, por fazer acordos com o governo, e sofreu do mesmo destino de Bernardo Lobo, sendo morto e arrastado pelas ruas de Belém pelos militantes de Francisco Vinagre, que viria a ser o sucessor de Malcher e ser substituído por Manuel Jorge Rodrigues, outro líder cabano. Seguiu-se a dança das cadeiras, com o governo passando pelas mãos de: Eduardo Francisco Nogueira (revoltoso), brigadeiro Soares de Andréia (legalista) e  Gonçalves Jorge Magalhães, que foi o último líder cabano, cuja capitulação se deu a 25 de março de 1840. Historiadores consideram a revolta como um prosseguimento da revolta de Independência da região. Em cinco anos de revolta, os civis mortos ficam em cerca de trinta mil, sem que os cabanos alcançassem seus objetivos. 

Movimento Farroupilha 

Foi um dos períodos mais longos de revolta em toda a história brasileira. No primeiro ano, de 1835 a 1836, foi um período de revolução. Após, como proclamou-se a república Riograndense, passou a ser uma guerra (segundo as definições da História). Os descontamentos foram muitos, incluindo: não atenção do governo, com apoio aos estancieiros que tinham de manter a segurança das fronteiras; aumento do valor dos impostos cobrados pelo charque, o que o tornava pouco competitivo dentro do mercado nacional; baixos impostos cobrados sobre o charque platino, em detrimento da produção nacional e sem nenhuma política de incentivo; nomeação de um presidente de província que não era apoiado pelos estancieiros. Veja mais detalhes desta revolução, clicando aqui..
 

 
 

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