Segunda Guerra Mundial – Segunda Fase da Ofensiva Nazifascista

watch_later 11 de fevereiro de 2012
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História

Vários fatores contribuíram para que Hitler tomasse a decisão de invadir a URSS. Ele sabia que mais cedo ou mais tarde os soviéticos tomariam uma posição e, portanto, o melhor era adiantar o embate. O líder nazista subestimara o potencial militar e a capacidade de resistência do Exército Vermelho. Em 1937, Stalin expurgara todo o alto comando das forças armadas, sessenta e cinco per cento dos oficiais desapareceram nos campos de concentração russos ou em fuzilamentos. 
A fragilidade de guerra do exército stalinista fora testada na guerra contra a pequena Finlândia, onde os soviéticos padeceram severos reveses para submeter os finlandeses. Inegavelmente, o peso maior devia-se ao antagonismo dos sistemas políticos, já que Hitler era um grande anticomunista e esperava apoio mundial em sua marcha contra o Socialismo. O pacto germano-soviético foi apenas uma estratagema para consolidar o domínio nazista ocidental. Stalin recebeu inúmeros alertas sobre a invasão. Os serviços secretos britânico e estadunidense alertaram-no com bastante antecipação. Os próprios espiões soviéticos alertaram Stálin, que não deu importância.
Stálin acreditava que eram apenas manobras para envolver a sua nação em um conflito direto com os nazistas. Ordenou, inclusive, que os exércitos presentes na fronteira nazista se afastassem para evitar atritos. Os alemães invadiram a URSS com três grandes grupos de assalto. Era a operação de guerra mais vasta até então ensejada pelos alemães que implicou numa força de cento e cinquenta divisões mais tropas auxiliares com membros de outras nacionalidades (espanhóis, húngaros, romenos, italianos) perfazendo três milhões e duzentos mil soldados. Em comparação as forças de Napoleão quando invadiu a Rússia trinta anos antes, Hitler possuía dez vezes mais tropas.
Os primeiros ataques alemães foram esmagadores, com uma rápida tomada de regiões importantes na URSS. Após cinco meses, Leningrado estava cercada, a estrada para Moscou desguarnecida, a Ucrânia desamparada. Entretanto, a determinação e resistência soviéticos destacaram-se.
Abaixo, trecho do discurso de Stálin em 4 de julho de 1941, dez dias após a invasão nazista:

“ Camaradas, cidadãos, irmãos e irmãs, combatentes do nosso Exército e da nossa Marinha! É a vós que me dirijo, meus amigos! Grave ameaça paira sobre o nosso país [...] Esta guerra nos foi imposta, achando-se o nosso país empenhado agora numa luta de vida ou morte contra o mais pérfido e maligno dos seus inimigos, o Fascismo alemão. Nossas tropas se batem  heroicamente em situação desvantajosa, contra um adversário fortemente armado de tanques e aviões...
[...]
Camaradas, nossas forças são incomensuravelmente grandes. O inimigo insolente logo o perceberá. Unidos ao Exército Vermelho, milhares de trabalhadores de kolkhozniki e de intelectuais irão à guerra. Surgirão muitos milhões mais. Os trabalhadores de Moscou e de Leningrado já começaram a organizar um apolcheniye* de milhares e milhares de militantes para auxiliar o Exército Vermelho... O imenso poder popular será empregado para esmagar o inimigo. Avante! À vitória! ”
STÁLIN, Joseph. in: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/segunda_guerra1.htm
* Corpo auxiliar de voluntários.

Como é possível perceber no trecho em destaque, Stálin reconhece a força do adversário, mas põe em evidência o porte e contingente de pessoal russo, capazes de grande resistência aos ataques alemães.
O famoso teórico de guerra, Clausewitz, já alertava acerca das dificuldades da conquista da Rússia. O território russo é vasto, com poucas estradas e a determinação em lutar do povo russo desgastavam muito quaisquer invasores. Ao adentrar o território russo, as marchas prolongadas diminuem o potencial combativo de um exército. Agora não se tratava de conquistar pequenos países da Europa Ocidental e sim duas vezes superior a toda a região, com uma área de mais de cinco milhões de quilômetros quadrados.
O avanço da área de invasão, com o distanciamento de mil quilômetros das fronteiras, era uma questão difícil em termos de abastecimento e munição. Por ser um exército motorizado, só poderia ser eficiente com reposição constante de peças e combustível.
À medida que o exército nazista avançou, a resistência soviética aumentava proporcionalmente a proximidade de Moscou. O frio de 1941 foi precoce e feroz. As primeiras nevascas deste ano ocorreram durante o mês de outubro. As estradas ficaram em puro lodo e dentro de pouco tempo intransitáveis. Mesmo assim, o exército nazista atingiu a periferia da capital da URSS em novembro, com uma temperatura de vinte à vinte e cinco graus Celsius abaixo de zero. Fora surpreendido sem roupas adequadas para os soldados.
Hitler ordenou a interrupção das ofensivas sobre o território soviético, adiada para primavera-verão de 1942. Durante este período, também, a ofensiva nas regiões ao Sul da URSS (Mar Negro, Cáucaso).
O exército de Stálin crescia em número de combatentes e de preparação de guerra. Hitler passou a mandar melhores equipamentos como o tanque T34. Quarenta por cento (40%) da população russa, até os fins de 1941, estava subjugada ao poder de Hitler, ao custo de trinta e um por cento (31%) das forças empregadas.
Nos últimos anos da década de trinta, os soviéticos passaram a investir em fábricas-móveis, facilmente desmontáveis. Em junho de 1941, iniciou o processo de remoção, de 455 (quatrocentos e cinquenta e cinco) para os montes Urais, 210 (duzentos e dez) na Sibéria e outras duzentas e cinquenta (250) no centro asiático.
Essa mudança estratégica não evitou a destruição de mil e setecentas (1.700) cidades, quase trinta e duas mil (32.000) fábricas destruídas, sessenta e cinco mil quilômetros (65.000 km) de estradas de ferro inutilizadas, setenta e um milhões (71.000.000) de reses mortas, entre outros prejuízos. Toda essa devastação à URSS provocou uma imensa mobilização da população do país, por volta de seis milhões e quatrocentas mil (6.400.000) pessoas além do exército já existente entraram no combate.
As perdas civis e militares só cresceram. Fome, frio, epidemias e o combate direto logicamente; provocaram a morte de vinte e cinco milhões de soviéticos.
Stálin, até o final do conflito, afirmou que seu país construíra cem mil (100.000) blindados e cento e vinte mil (120.000) aviões e recebera dos governos anglo-estadunidense: mil (1.000) caminhões, dois mil (2.000) porta-canhões, trinta e cinco (35.000) mil motocicletas, petróleo e subprodutos, viveres e equipamentos ferroviários. Entre os anos de 1943-44, ocorrera o auge do recebimento de suprimentos de guerra, pelo porto de Murmansk, o que contribuiu enormemente para a contraofensiva soviética.
A política de ocupação adotada pelos nazistas baseava-se nos preceitos da obra de Hitler, o Mein Kampf, com o massacre de vários povos e criação de longas áreas e espaços “politicamente autônomos” que seriam subordinados a metrópole alemã, que seria a única destas nações detentora do direito de industrializar-se. Escolas, universidades e os profissionais destas instituições foram praticamente exterminados.
Para a eliminação dos povos inferiores que poderiam atrapalhar o progresso da raça ariana, foram edificados os Campos de concentração, o mais famoso Auschwitz, onde era possível matar duas mil pessoas em câmaras de gás em meia hora e repetir a operação quatro vezes ao dia. Os campos de concentração que tinham o porte de Auschwitz eram onze (11): Dachau, Ravesbruck, Chelmo, Solibor, Treblinka, Belzec, Maidaneck, Belsen, Neungamme, Theresinstadt e outros novecentos de pequeno porte em território polonês. As estimativas são de dez milhões (10.000.000) a doze milhões (12.000.000) de mortos nestes locais, dos quais três quintos eram de origem judaica. Morriam pela fome, gás e trabalhos forçados.
 Antes do extermínio, marxistas, franco-maçons, sindicalistas, judeus, democratas-burgueses e comissários políticos serviram como mão-de-obra para a indústria alemã, pouco-a-pouco sendo substituídos por alemães voluntários ou sequestrados pela Gestapo.
 Hitler tinha a intenção de transformar a Alemanha em uma potência colonial, onde os povos eslavos seriam seus escravos, adotando neocolonialismo na Europa, berço de colonizadores em regra até então.

           “Para tomarmos uma única casa lutamos quinze dias, lançando mão de morteiros, granadas, metralhadoras e baionetas. Já no terceiro dia, cinquenta e quatro cadáveres de soldados alemães estavam espalhados pelos porões, pelos patamares e pelas escadas. Nossa frente é um corredor ao longo de quartos incendiados [...] Pelas chaminés e escadas de incêndio das casas vizinhas é que chegam reforços. A luta não cessa nunca. De um andar para o outro, rostos enegrecidos pelo suor, nós nos bombardeamos uns aos outros com granadas, em meio a explosões, nuvens de poeira e fumaça, montes de argamassa, em meio ao dilúvio de sangue, aos destroços de mobiliário de seres humanos. Perguntem a qualquer soldado o que significa meia hora de luta corpo a corpo numa luta desse tipo. Depois imaginem Stalingrado oitenta dias e oitenta noites só de luta corpo a corpo. As ruas já não se medem em metros, mas por cadáveres [...] Stalingrado já não é mais uma cidade [...] Quando chega a noite [...] causticante de sangue e gemidos, os cães lançam-se as águas do Volga e nadam desesperadamente à outra margem [...] Só os homens resistem.
 Alain Clark, Stalingrado – século XX. in:  PEDRO, Antônio. A Segunda Guerra Mundial. São Paulo, Atual/Unicamp, 1987, p. 33.

Acima, um depoimento de um dos soldados que lutou contra o exército nazista, na Batalha de Stalingrado, que foi decisiva para a derrocada alemã.
Pela primeira vez na guerra, um general alemão (Friedrich Paulus) se viu obrigado a pedir rendição juntamente com seu exército.
Conquistar Stalingrado era mais uma forma de desmoralizar o exército russo, provocando profundo abalo moral. Essa cidade se encontra às margens do Rio Volga. É importante rota de ligação fluvial-ferroviária entre o Cáucaso Russo (rico em minerais e petróleo) e a capital soviética.
No início desta batalha, Hitler considerava a vitória questão de tempo, pois os nazistas começaram conquistando setenta per cento (70%) do território. Os russos resistiam bravamente e as perdas de ambos os lados eram grandes. A temporada do frio se aproximava e a vitória alemã não se concretizara.
Em 19 de novembro de 1942, após silencioso preparativo, os soviéticos realizaram a contraofensiva. Três grandes corpos de exércitos avançam pelos frágeis flancos do Exército Alemão, terminando por cerca-   -lo completamente a 23 de novembro de 1942. Vinte e duas divisões de elite e mais dois exércitos romenos encontram-se aprisionados no chamado "caldeirão" de Stalingrado.
O Gen. Paulus tenta pedir a rendição, mas Hitler manda-o insistir. Ao contrário dos alemães, os russos possuíam muito mais domínio de táticas de guerra em condições precárias como as baixas temperaturas da URSS. Em dezembro de 1942, sem quaisquer chances de vitória, os exércitos de Von. Paulus proferem a rendição. O natal deste ano fora lúgubre para os alemães. Hitler, como forma de fortalecer psicologicamente seu país, ressaltou em seus discursos públicos que a Alemanha resistiu até o último soldado...
Entre 10 de janeiro de 1943 a 2 de fevereiro do mesmo ano, as tropas soviéticas conseguem a rendição de cem mil soldados nazistas, o que desestabilizou totalmente o Exército do Führer.
Inicia a derrocada nazista. Esse episódio lembra a derrota do Exército de Napoleão, no século XIX, que sucumbiu pelos mesmos motivos.
O Modernismo, escola literária no Brasil da época da Segunda Grande Guerra, manifestou-se a respeito nas suas mais diversas formas de produção literária:


Carta a Stalingrado

Stalingrado...
Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!
O Mundo não acabou, pois que entre as ruínas outros homens surgem, a face negra de pó e de

[pólvora,

e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem
enquanto outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.
Fomos encontra-lo em ti, cidade destruída,
na paz de tuas mortas mas não conformadas,
no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,
na tua fria vontade de resistir.

[...]

As cidades podem vencer, Stalingrado!

[...]

Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua ordem.

ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 2001. p. 158-160. 

 Até dezembro do ano de 1941 pode-se dizer que a guerra era um conflito direcionado à Europa, apesar de alguma participação estadunidense. O Japão, aliado dos alemães desde 1937, encontrava-se em disputas com a China onde ocupou um sexto do território. Os chineses de Mao-Tsé-Tung encontravam dificuldades para conter a invasão japonesa. A região da Indochina francesa também é ocupada.

              “ [...] Na verdade, o brilhante ataque do Japão sobre Pearl Harbour levou a um impasse político. Uniu o povo americano como jamais Roosevelt conseguiria com qualquer ato e mobilizou a sensação de ofensa moral que tornava indispensável aceitar menos que a vitória total. Tamanha unidade e propósito valiam mais do que armas poderosas. Ironicamente o principal estrategista do ataque, o almirante Isoroku Yamamoto dispensou as congratulações de seus colegas oficiais após o ataque a Pearl Harbour: Temo que tenhamos apenas conseguido despertar um tigre adormecido.”
História em RevistaA sombra dos ditadores. Editores de Time-Life Livros – Abril livros, Rio de Janeiro, p. 71.

Em meio às atitudes tomadas pelos nipônicos, o governo estadunidense quebra todos os acordos comerciais com estes, cessa o fornecimento de petróleo e rompe os créditos concedidos. A opinião pública não era favorável até então entrada oficial dos Estados Unidos da América na guerra, atitude a qual não estava nos planos do governo. No entanto, com o ataque nipônico à base de Pearl Harbor (Harbour) no Havaí, os EUA entram na guerra (e despertam o tigre adormecido) em 7 de dezembro de 1941.
 O ataque a base estadunidense não foi uma ação isolada dos nipônicos. Estes buscavam em operações militares estratégicas invadir colônias inglesas, neerlandesas e estadunidenses. O principal objetivo de invadir todas essas regiões foi obter posições estratégicas para travar batalhas de desgaste com os EUA e UK.
No mês de janeiro de 1942, os nipônicos lançam operação de conquista das Filipinas (EUA) e Indonésia que são conquistados em março seguinte. Outra força-tarefa conquista Singapura em fevereiro. Birmânia, Coreia e Hong-Kong são outras conquistas. Látex, Quinino, Bauxita, Estanho, Cromo e Petróleo passam a ser disponíveis em abundância pelos japoneses, que ampliam o potencial de guerra e resistência consideravelmente. A área ocupada totaliza quase cinco milhões e quinhentos mil quilômetros quadrados (5.500.000km2) e quatrocentos e cinquenta milhões (450.000.000) de pessoas.
Poucos dias após o ataque nipônico, o Führer e o Duce declaram guerra aos EUA. Hitler esperava que o Japão fizesse o mesmo em relação à URSS, mas não obteve êxito, pois os japoneses estavam ocupados demais e teriam de aumentar consideravelmente seu raio de atuação.
Enquanto isso, os EUA dedicavam-se freneticamente à produção bélica, com um gasto total de trezentos e cinquenta bilhões de dólares (US$ 350’000’000.00) em apenas quatro anos de guerra e a mobilização de quinze milhões (15.000.000) de dólares.
Em maio de 1942 dá-se a contraofensiva estadunidense, que tem encerramento com a rendição japonesa. No ano seguinte os EUA retomam pequenas ilhas no Pacífico Sudoeste. Em 1944 os Estados Unidos começam uma operação de reconquista das Filipinas, concluída em fevereiro de 1945.
Paralelamente a este processo, britânicos e estadunidenses enviam equipamentos para o exército chinês, que não atinge as expectativas.
Em 19 de fevereiro de 1945 ocorre o primeiro ataque estadunidense em solo nipônico, travando batalhas pela posse das ilhas de Iwojima e Okinawa, respectivamente. A superioridade técnica dos aviões nipônicos não foi o bastante para conter os aviões dos Estados Unidos. Como demonstração do desespero japonês fronte a derrota surgem os kamikazes, ou seja, pilotos que abarrotavam seus aviões de bombas e lançavam-se contra embarcações inimigas. Eram preparados para sentir-se honrados em morrer pela pátria.
Em agosto de 1945, o avião Enola Gay lança o poderoso artefato chamado Bomba Atômica sobre a desprotegida cidade de Hiroshima, o que provoca a morte de cem mil (100.000) pessoas e provocando sérias consequências aos feridos devido à radioatividade. Três dias depois foi a vez da cidade de Nagasaki.
Ao Japão, só restou a rendição, fato histórico que pôs fim a Guerra.
A seguir, depoimento do Físico Nuclear Phillip Morrison, descrevendo em um congresso estadunidense os efeitos da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki:

         “Minha missão era visitar as cidades destruídas do Japão, falar com seu povo e ajudar na realização de certos deveres técnicos.
A bomba atômica não é apenas uma nova arma, é uma revolução na guerra. Ela destrói tão rápida e completamente uma área tão grande que a defesa á impossível.
Quando a bomba é detonada no meio de uma cidade, é como se um pequeno Sol tivesse sido criado. Forma-se o que chamamos bola de fogo, que é uma massa quente, brilhante, com uma temperatura de cerca de cem milhões de graus Fahrenheit no centro.
Os efeitos deste pequeno Sol são terríveis. Em primeiro lugar, há uma súbita expansão que empurra, com terrível violência, o ar que ocupava a área. Esse ar, colocado em movimento, move-se como uma onda de choque de uma grande explosão de TNT*. Esse ar cria enorme pressão, mesmo a grande distância. Atrás da onda de choque, que se propaga rapidamente, vêm fortíssimos ventos que destroem e danificam todas as estruturas.
Toda matéria orgânica foi queimada. A longa distância as pessoas sofreram queimaduras e incendiaram-se as peças de madeira, cortinas e tudo o que fosse inflamável.
No instante da explosão esse pequeno Sol emite grande quantidade de radiação. As pessoas que escaparam do impacto e das queimaduras morreram de efeitos posteriores resultantes dos raios tipo raios X.
É claro que, como a maior parte dos cientistas do projeto, estou completamente convencido de que outra guerra não deve ser permitida. Devem surgir medidas de controle internacional da energia atômica, baseadas em acordo entre as grandes e pequenas potências. Nós temos a chance de construir a paz efetiva sobre a novidade e o terror da bomba atômica.”
* Sigla do nitrocomposto Trinitrotolueno, poderoso explosivo.
MORRISON, Philip (depoimento de). in: Coletânea de documentos Históricos para o Primeiro Grau. São Paulo, CENP/SEE, 1991 p. 95.

A escolha da cidade de Hiroshima como a primeira a ser bombardeada também não foi fortuita. Essa cidade portava um dos principais centros industriais e militares que abasteciam o Império do Sol Nascente, e por isso, tornou-se bastante visada.
Para muitos analistas, não é válida a versão dada por Harry Truman, presidente estadunidense, de que a bomba atômica fora utilizada para apressar a rendição japonesa Para eles, os EUA utilizaram-se da bomba atômica para demonstrar sua força diante da URSS e intimidá-la, e também consideram um crime e guerra deste país.
A poesia da escola Literária Modernista também se manifestou pelos versos de Vinícius de Moraes:

Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rosas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh! Não se esqueçam
Da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor, sem perfume
Sem rosa, sem nada.

Enquanto os alemães sofriam o contra-ataque soviético, anglo-estadunidenses partiam do Egito e paulatinamente tomaram todo o norte africano e retiraram do Eixo o controle do Mediterrâneo. No verão de 1943, os aliados tomam as principais cidades da Sicília como Messina, Tarento e Palermo; o que causou o desprestígio de Mussolini, que foi deposto pelo Rei Vitor Emanuel III e depois preso. Em 25 de julho é constituído um novo governo, dirigido pelo Gen. Badoglio. Este general dissolvera o partido fascista e assinou um armistício com os Aliados.
Hitler persegue Badoglio, que busca refúgio com as Potências Aliadas. Mussolini é resgatado da Cadeia e recebe de volta o norte da Itália.  Não consegue permanecer por muito tempo no poder desta região. Ao tentar exilar-se na Suíça, é morto por guerrilheiros.
Na metade do ano de 1944 os Aliados começam a operação Overlord. Uma frota de mais de três mil (3.000) barcos partiu do sul da Inglaterra em direção à Normandia. Os alemães esperavam uma invasão lenta, mas foram surpreendidos, após as dificuldades iniciais que as tropas anglo-estadunidenses sofreram na praia de Utah. Os portos da região foram dominados graças à absoluta superioridade aérea e naval. Mais de um milhão (1.000.000) de homens e equipamentos de alta qualidade foram desembarcados para o início da ofensiva sobre Paris. Sentindo a inutilidade da continuação do conflito, os altos oficiais como Stauffenberg tentam assassinar Hitler em 20 de julho de 1944. Apesar de sair ferido, o Führer ordena o enforcamento dos envolvidos.
Em setembro de 1944, Paris é ocupada pelos Aliados e o General Charles de Gaule retorna de forma triunfal à cidade. Até o fim do ano, os Aliados conseguem expulsar os nazistas do território francês. Os alemães tentam uma contraofensiva em um descuido das potências Aliadas, que conseguem manter a vitória.
No final do inverno de 1944/45 teve início a invasão à Alemanha. Os ingleses atravessam o rio Reno e isolam os nazistas do Reino dos Países Baixos. As tropas de Omar Bradley vão ao centro industrial nazista e provocam a capitulação de vinte e duas (22) divisões alemãs em quatorze de abril de 1945.
Depois de Stalingrado, a sensação de vitória inundou o exército soviético. O ano difícil de 1942 fora sucedido por brilhantes vitórias militares, as quais provocaram o cessar das melhores energias dos Nazistas bem como foram obrigados a devolver amplas extensões de terras ocupadas. A contraofensiva soviética se dá em toda a frente, das terras geladas do norte às férteis planícies ucranianas. Dotadas de melhor equipamento, as tropas soviéticas sentem-se mais seguras e autoconfiantes de modo que empurraram vigorosamente o inimigo para suas fronteiras.
No verão de 1943 travou-se a maior batalha de tanques de todos os tempos. Estima-se que cerca de seis mil (6.000) blindados e quatro mil (4.000) aviões participaram da batalha de Kursk. Os nazistas tiveram baixas de setenta mil (70.000) mortos, dois mil e novecentos (2.900) tanques destruídos, mil trezentos e noventa e dois (1.392) aviões e cinco mil (5.000) veículos perdidos. Nunca mais os nazistas conseguiram se recuperar de tamanho abalo.
A cidade de Leningrado não foi bombardeada como Hiroshima e Nagasaki, mas foi submetida a imensos problemas. Cercada desde o início pelos alemães, ficou novecentos dias isolada do resto da URSS.
Dos seus três milhões (3.000.000) de habitantes, um terço sucumbiu pelos bombardeios frequentes e principalmente pela fome. Foi o maior e mais prolongado cerco suportado por uma cidade moderna. Logo nos primeiros dias a aviação nazista conseguiu aniquilar suas reservas de alimento, combustível e munição, impondo um terrível racionamento. Pessoas debilitadas pela falta de proteínas simplesmente morriam em suas casas, no trajeto para o trabalho, nos bancos, nas ruas... Foi necessário esperar o congelamento do lago Ladoga para evacuar parte da população, pois era o único acesso à parte soviética não ocupada pelos nazistas. Esse Lago ficou conhecido como Estrada do Gelo. Por ela, os soviéticos conseguiram evacuar quinhentas e doze mil (512.000) pessoas no inverno de 1941-42 e auxiliar com o envio de alimentos, combustível e munição para Leningrado, que possui o maior cemitério de vítimas civis da Segunda Guerra Mundial.
Atualmente Leningrado chama-se São Petersburgo.  Recebeu esta denominação em homenagem ao líder soviético Lênin. Leningrado possuía acesso a outros lagos que não o Ladoga, mas os lagos Ilmen e Onega estavam em posse dos nazistas.
Durante o inverno de 1944/45 os soviéticos prepararam a ofensiva final sobre a capital do Terceiro Reich. Dois milhões e meio (2.500.000) de soldados, seis mil duzentos e cinquenta (6.250) blindados e sete mil e quinhentos (7.500) aviões foram preparados para o triunfo final.
Em 16 de abril de 1945 o Exército Vermelho dá o pontapé inicial que culminará na rendição de Berlim. Hitler ordena a mobilização geral da população, convocando todos os homens entre dezesseis (16) e sessenta (60) anos, organizados em milícias populares.
A indústria alemã, apesar dos constantes bombardeios dos Aliados, continuava a produzir em larga escala; o que faltou ao Reich foi combustível e homens qualificados para utilizar o material bélico. É de comum consenso que a resistência alemã fora muito mais significativa em relação aos soviéticos do que quanto aos Aliados ocidentais. As rivalidades ideológicas e o terrível massacre dos civis no Fronte Oriental fizeram os nazistas temerem represálias por parte dos soviéticos.
Ao fim de Abril de 1945, mesmo com os incríveis esforços alemães, os soviéticos penetram na periferia de Berlim. Hitler escreve seu testamento político, nomeando Doenitz como Presidente do Reich e Goebbels como Chanceler. No dia 30 de abril comete suicídio, aos 56 anos; junto com sua mulher e a família de Goebbels (que decide não desfrutar da herança...). A capitulação alemã se dá nos dias 7 e 8 de maio de 1945, dando fim após mil e setecentos (1.700) dias de matanças.
 

 

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