Redução da Jornada de trabalho, o que isso significa?

        A redução da jornada de trabalho semanal é uma luta das entidades sindicais e de partidos políticos em nosso país. O assunto é polêmico porque muitas destas organizações buscam a manutenção de ganhos ao mesmo tempo. Esta redução significa, paradoxalmente, a solução de um problema e a geração de outros.

        A tendência mundial já é de redução da carga horária semanal. De 1850 aos anos 90, um trabalhador vivia, na Inglaterra e na França, de 45 a 50 anos e trabalhava 120 000 horas ao longo de sua vida, em média. Atualmente, nos países centrais, a expectativa de vida é de 75 a 80 anos e 80 000 horas de trabalho ao longo deste tempo. O processo tecnológico, que eliminou funções massivas antes desempenhadas por seres humanos; o crescimento e fortalecimento das entidades de classe; a consolidação de leis trabalhistas mundo afora; a impossibilidade de geração de empregos para todos nas condições atuais; fizeram com que a defesa da redução da jornada de trabalho ganhasse força. Dessa forma, reduzir-se-ia o desemprego e seriam criados novos postos de trabalho. Cada trabalhador teria mais tempo livre para dedicar-se ao lazer e outras atividades. Esse é o argumento dos defensores dessa redução. Segundo André Gorz:


         “[...] o trabalho socialmente útil, distribuído entre todos os que desejam trabalhar, deixa de ser a ocupação exclusiva ou principal de cada um: a ocupação principal pode ser uma atividade ou conjunto de atividades autodeterminadas levada a efeito não por dinheiro, mas em razão do interesse, o prazer ou da vantagem que nela possa encontrar. A maneira de se gerir a abolição do trabalho e o controle social desse processo serão questões políticas fundamentais dos próximos decênios.”
GORZ, Marcelo. Adeus ao proletariado, pág. 12.
            
               Todavia, junto com as reduções de jornada de trabalho, surgiriam outros: a incerteza de que seriam contratados outros funcionários – os custos para cada empresa manter um empregado são altos, e, muitas poderiam manter o mesmo número de funcionários pagando mais horas extras- com aumento de custos; a ocupação, por um indivíduo, de mais de um posto de trabalho, propiciada pela disponibilidade de horários, que ocorreria com maior frequência; aumento de pessoas sem trabalho fixo nos países onde a carga horária já diminuiu. Muitos afirmam que estamos caminhando inevitavelmente para este caminho, embora seja questionável esta perspectiva, diante dos setores secundário/terciário que não desejam abrir mão de um ritmo de crescimento mais acelerado e, consequentemente, de lucro; e estaríamos longe da ‘sociedade do tempo livre’ que se projeta.


Veja também: (Ciência e Saúde) Mandioca

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