Com a lâmpada do sonho desce aflito
e sobe aos mundos mais imponderáveis,
vai abafando as queixas implacáveis,
da alma, o profundo e soluçado grito. 

Ânsias, Desejos, tudo a fogo escrito
sente, em redor, nos astros inefáveis.
Cava nas fundas eras insondáveis
 o cavador do trágico infinito. 

E quanto mais pelo infinito cava
Mais o infinito se transforma em lava
E o cavador se perde em distâncias... 

Alto levanta a lâmpada do Sonho,
e com seu vulto pálido e tristonho
cava os abismos das eternas ânsias.