Revolução Farroupilha e o dia do Gaúcho

watch_later 20 de setembro de 2012
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“Como a aurora precursora,
Do farol da divindade,
Foi o Vinte de Setembro
O precursor da liberdade” 

Hoje, 20 de setembro, comemora-se no estado do Rio Grande do Sul uma das maiores revoltas do século XIX no Brasil, iniciada no período Regencial e encerrada no acordo de paz de Ponche Verde, no ano de 1845. O movimento revolucionário teve, ao todo, duração de dez anos; incluindo o primeiro ano como guerra civil ou revolução (chamado Revolução Farroupilha) e o restante como guerra, assim classificada pela História por passar a envolver duas nações distintas, pois houve a fundação da República Rio-Grandense e, posteriormente, a fundação da República Juliana em Santa Catarina. Diferentemente do que ocorreu com outras revoltas que ocorreram no período regencial, não havia motivação separatista e a própria fundação de um novo país foi alvo de polêmicas dentro do alto-escalão da revolta. 

[Alexandre Carvalho] 

 Vários foram os motivos para que a Revolução fosse deflagrada. Insumos necessários à produção de charque como o sal, assim como os próprios produtos gaúchos como o charque e a erva-mate foram altamente taxados, perdendo mercado para o charque de países vizinhos como a Argentina e Uruguai. Além disso, o Rio Grande do Sul sempre foi palco de instabilidades políticas, estando em uma região da qual o governo imperial não estava dando a devida atenção ás fronteiras. Esperava-se o ressarcimento às famílias que lutaram para defender o território brasileiro em outras oportunidades.  

“Mostremos valor, constância,
Nesta ímpia e injusta guerra.
Sirvam nossas façanhas,
De modelo a toda a Terra.” 

Quanto à liderança, o movimento foi liderado pela elite estancieira gaúcha, Gomes Jardim e Onofre Pires entraram em Porto Alegre às vésperas do dia 20 de setembro de 1835 e, junto com vários homens armados, provocaram a saída de Fernandes Braga, presidente da província de São Pedro do Rio Grande. Ter o direito a escolher o próprio presidente de província era outra reivindicação farroupilha.
Durante o período de revolução e guerra, bandeira, escudo de armas, hino (veja trechos ao longo do post) e jornal próprio (O Povo) foram criados, sendo que os três primeiros permanecem até hoje. A capital da República Rio-Grandense foi itinerante, passando por diversas cidades, entre elas Piratini, Caçapava do Sul, Viamão e Alegrete. Houve constituição própria, com legislação inspirada pela Revolução Francesa e Independência Estadunidense. Apesar de controvérsias históricas que ocorrem em todos os segmentos, é fato que o Rio Grande do Sul, como todo estado que passa por uma revolução em seu território, teve dificuldades financeiras com atraso econômico, perdas humanas, entre outras. Muitas mulheres tiveram de prosseguir o trabalho nas fazendas, apesar das dificuldades. Alguns textos de historiadores afirmam que os negros, na época escravos, não participaram da revolta, entretanto, é difícil supor que houvesse combatentes em número suficientes para manter todo este prazo em revolta armada, na modalidade de luta que havia naquela época. Alguns dos principais líderes foram: Bento Gonçalves, Gomes Jardim, David Canabarro, Onofre Pires e Antônio de Sousa Neto. As condições do acordo de paz foram consideradas honrosas para os Farrapos, que tiveram boa parte das suas reivindicações atendidas. 

“Mas não basta, pra ser livre,
Ser forte, aguerrido e bravo,
Povo que não tem virtude,
Acaba por ser escravo.” 

Após a revolução, a data de vinte de setembro fora relembrada como um marco histórico do povo gaúcho, até que no ano de 1994 a data foi instituída como Dia do Gaúcho e marcada como feriado estadual, onde se realizam desfiles com cavaleiros, acampamentos onde as tradições estaduais são revividas e passadas de geração em geração. Por meio do intenso trabalho de Paixão Côrtes que fez um estudo para catalogar e registrar músicas, costumes e tradições, se possibilitou a continuidade, pois, se um fato, costume ou acontecimento histórico não é registrado, as gerações seguintes não podem mantê-lo e cultivá-lo. Não se trata de que o povo gaúcho fique preso ao passado, mas que não esqueça de suas raízes, seu amor ao pago e à Natureza. □


[Orgulho Hétero] 

Veja também: (Arte) Trancão de Vanera

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