As diferentes finalidades do trabalho.

watch_later 29 de fevereiro de 2012
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História
      Segundo Karl Marx, um dos idealizadores do socialismo, o homem trabalha não só por instinto, mas planeja mentalmente o que será feito e sente-se realizado com seu trabalho concluído. Marx exemplifica, em sua obra “O capital”, desta forma: 

           “Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a construção das colmeias pelas abelhas atinge tal perfeição que envergonha muitos arquitetos. Mas o que distingue o pior dos arquitetos da melhor das abelhas é que ele projeta mentalmente a construção antes de realiza-la. No final do processo de trabalho obtém-se um resultado que, desde o início, já existia na mente do trabalhador. Pois o homem não transforma apenas o material que trabalha. Ele realiza no material o projeto que trazia em sua consciência. Isso exige, além do esforço físico dos órgãos que trabalham, uma vontade orientada para um objetivo, vontade que se manifesta pela atenção e controle das operações durante o tempo de trabalho.”
 MARX, Karl. O capital. I.I, seção III, capítulo V.
 
            Pensemos então sobre o papel do trabalho: nas perspectivas atuais, o trabalho tornou-se massivo e o homem não vê em seu trabalho uma obra sua, trata-se da alienação do indívíduo proposta pelo sistema fordista.  A função do trabalho pode ser vista, por exemplo, sob duas perspectivas:

- Em seu aspecto individual: o trabalho permite ao homem expandir suas energias, desenvolver sua criatividade e realizar suas potencialidades. Através dele o ser humano pode moldar e mudar a realidade sociocultural, bem como transformar a si próprio.

- Em seu aspecto social: com esforço conjunto dos membros de uma comunidade, o trabalho objetiva a manutenção e satisfação da vida e o desenvolvimento da sociedade.

Assim, dentro dessas visões positivas e ideais, o trabalho seria fonte de realização pessoal, edificante culturalmente e solidariamente entre pessoas.
Ocorre que, de seu caráter potencial libertador, o trabalho estaria perdendo seu poder libertador. De que forma?
Ao longo dos tempos, com a dominação de classes por outras, o trabalho desviou-se destas funções supracitadas. Ao invés de servir ao bem comum, serviu para o enriquecimento de alguns. De ato de criação virou rotina de reprodução. De recompensa pela liberdade transformou-se em castigo e instrumento de alienação. Então surge uma terceira finalidade para o trabalho, que é colocada como prioridade sobre as demais: a obtenção do sustento e do lucro. Muitos indivíduos escolhem suas profissões ou simplesmente trabalham em determinados setores da sociedade civil motivados apenas pelo retorno financeiro.
 Marx usa o termo alienação para indicar que o trabalho massivo do capitalismo, faz com que o homem transfira suas potencialidades para os produtos industriais e não reconheça ali alguma obra sua, já que não possuem traços de sua criatividade. Os produtos são “estranhos” a quem os produziu.

       “Primeiramente, o trabalho alienado se apresenta como algo externo ao trabalhador, algo que não faz parte de sua personalidade. Assim, o trabalhador não se realiza em seu trabalho, mas nega-se a si mesmo. Permanece no local de trabalho com uma sensação de sofrimento em vez de bem estar, com um sentimento de bloqueio de suas energias físicas e mentais que provoca cansaço físico e depressão. Nessa situação, o trabalhador só se sente feliz em seus dias de folga enquanto no trabalho permanece aborrecido. Seu trabalho não é voluntário, mas imposto e forçado.
O caráter alienado deste trabalho é facilmente atestado pelo fato de ser evitado como uma praga; só é realizado à base de imposição. Afinal ’o trabalho alienado é um trabalho de sacrifício, de mortificação.’
É um trabalho que não pertence ao trabalhador mas sim à outra pessoa que dirige a produção.”
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos, 1º Manuscrito, XXIII.

 É válido ressaltar que, etimologicamente, o termo trabalho vem do latim tripalium, nome de um instrumento de tortura feito de três paus. Não há exagero em afirmar que mesmo nos dias de hoje, o trabalho ainda serve para torturar e triturar o trabalhador. Mesmo em um mundo que aparentemente aboliu a escravidão, são descobertos casos de trabalho em regime de escravidão baseados no tráfico de pessoas. Veja o excerto abaixo:

O que é trabalho escravo?

Escravidão contemporânea é o trabalho degradante que envolve cerceamento da liberdade

“A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, acabando com a possibilidade de possuir legalmente um escravo no Brasil.
No entanto, persistiram situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões. Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas nativas para formação de pastos, produzir carvão para a indústria siderúrgica, preparar o solo para plantio de sementes, entre outras atividades agropecuárias, contratam mão de obra utilizando os contratadores de empreitada, os chamados “gatos”. Eles aliciam os trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabilizados pelo crime.
Trabalho escravo se configura pelo trabalho degradante  aliado ao cerceamento da liberdade. Este segundo fator nem sempre é visível, uma vez que não mais se utilizam  correntes para prender o homem à terra, mas sim ameaças físicas, terror psicológico ou mesmo as grandes distâncias que separam a propriedade da cidade mais próxima.”
Adaptado de: www.reporterbrasil.org.br.

 O que se busca diante do desafio da continuidade do crescimento industrial no mundo é, sem dúvida alguma, a redução de impactos ambientais pelas empresas. Mas, o impacto do trabalho massivo sobre o trabalhador será outro fator decisivo. Não se fala aqui em implantar um regime socialista no Brasil ou em outros países, trata-se de corrigir os defeitos do sistema de produção em que estamos incluídos. O Toyotismo mudou alguns detalhes desta história, mas não o conjunto, com a integração de profissionais que possuem conhecimento do que estão produzindo e auxiliam uns aos outros. Algumas empresas já perceberam que o trabalhador precisa estar motivado ao trabalhar e criaram premiações por produtividade, espaços de recreação com jogos e inclusive espaços destinados à sesta dos funcionários, entre outros. Isso demonstra respeito com os funcionários, permitindo uma amenização dos efeitos degradantes do trabalho em série.

 



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