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Pega correta, indicações e contraindicações para a amamentação

 Ciência & Saúde

 

A amamentação é uma parte muito importante na vida das mães e bebês, contribuindo para o vínculo afetivo e para o crescimento saudável do bebê. Ao longo deste post, vamos falar mais sobre esse tema, sob os aspectos dos benefícios, aspectos da pega, indicações e contraindições, bem como a ideia do banco de leite humano, trazendo recomendações do Ministério da Saúde e da Universidade Federal Fluminense.

 

Mãe amamentando
[Amamentação: mistura de amor e alimentação. Imagem: Luiza Braun / Unsplash | Reprodução]


 

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BENEFÍCIOS DA AMAMENTAÇÃO

 

A partir da amamentação, vários benefícios podem ser obtidos:

 

• Evitar a mortalidade infantil, pois leite materno é um alimento completo e rico em nutrientes.

• Evitar casos de diarreia.

• Inibir infecções respiratórias.

• Diminuir o risco de alergias.

• Reduzir o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes.

• Minorar a chance de obesidade.

• Melhorar a nutrição.

• Obter um efeito positivo no desenvolvimento da inteligência da criança.

• Melhorar o desenvolvimento da cavidade bucal.

• Reduzir os custos financeiros, pois se a criança não mama o leite materno, acaba sendo necessário gastar com a compra de "fórmulas", que são leites em pó especiais e mais caros.

• Promover o vínculo afetivo entre mãe e filho(a).

• Melhor qualidade de vida.

 

Esse último benefício resume o resto. Crianças mais saudáveis geram menos desafios e preocupações aos pais, vivem mais felizes, levam a menos gastos no orçamento familiar (seja com alimento, seja com remédios) e situações estressantes para os pais. 

 

Para a mãe, existe a proteção contra câncer de mama e diabetes tipo 2. Também evita nova gravidez nos primeiros períodos de amamentação – apesar disso, não se recomenda deixar o uso de métodos contraceptivos (entenda melhor como isso funciona nos posts sugeridos). Além dessas proteções, também há efeitos positivos contra o câncer de ovário, câncer de útero, hipercolesterolemia, hipertensão e doença coronariana, obesidade, doença metabólica, osteoporose e fratura de quadril, artrite reumatoide, depressão pós-parto, e diminuição do risco de recaída de esclerose múltipla pós-parto.

 

ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO E INTRODUÇÃO ALIMENTAR

 

O aleitamento materno exclusivo significa que o bebê recebe apenas leite materno. O recomendável é que seja exclusivo até os seis meses de vida, sendo dispensada a ingestão de qualquer outro alimento ou líquido, inclusive água, chás e sucos. A única exceção cabe ao uso de medicamentos e suplementos específicos que venham de prescrição médica.

 

Essa prática é fundamental porque o leite materno supre sozinho todas as necessidades da criança e oferece proteção imunológica. Nas últimas mamadas, dispõe de mais gordura, permitindo o crescimento.

 

Após os seis meses, a amamentação deve ser continuada até os dois anos ou mais (se possível), porém complementada por outros alimentos. Essa introdução alimentar precisa ser gradual, respeitando os sinais de fome e saciedade do bebê, utilizando preparos higiênicos com itens frescos, variados e naturais. Nesse processo, deve-se evitar a oferta de sal, açúcar, frituras e produtos ultraprocessados, além do mel, que é contraindicado até o primeiro ano de vida.

A introdução alimentar pode ser feita de três modos:

 

• Tradicional: os alimentos são oferecidos amassados ou em papinhas na colher, evoluindo gradualmente para alimentos sólidos.

• Participativa: combina colher com estímulo para o bebê explorar, pegar e se alimentar (seria uma técnica mista).

• Guiada pelo bebê: ele se alimenta com pedaços de alimentos, pegando sozinho o que leva à boca e respeitando seu desenvolvimento motor.

 

No período, não só a alimentação do bebê está em jogo. É necessário criar um contexto de alimentação saudável que favorece o desenvolvimento do bebê. Para isso:

 

• Deve-se oferecer frutas, vegetais, verduras, cereais, feijões e carnes desde o início da introdução alimentar.

• É importante deixar o bebê explorar as texturas, cores e sabores. Isso é mais difícil em dias mais corridos, mas a família deve buscar sempre que possível.

• Refeições feitas com a família favorecem a socialização e bons hábitos, desde que cultivados por todos. Não basta ensinar, é preciso ser.

 

A PEGA

 

A pega é a forma com que o bebê está posicionado para ser amamentado, sendo crucial para uma boa amamentação. O bebê deve conseguir respirar livremente pelo nariz. Existem alguns sinais de que essa pega foi realizada corretamente:

 

Queixo encostado na mama: o queixo do bebê deve tocar ou estar próximo da mama.

Boca bem aberta: a boca do bebê deve estar bem aberta, envolvendo a maior parte da aréola.

Lábios virados para fora: em forma de peixinho.

Aréola visível: a maior parte dela deve estar visível acima da boca do bebê do que abaixo.

Bochechas arredondadas: e que também devem não fazer furinhos.

Ausência de dor na mãe e movimentos de sucção: o bebê deve sugar de forma eficaz, com movimentos de sucção curtos inicialmente e, progressivamente, mais longos e profundos.

 

Ainda em relação à pega, há mais dicas importantes:

 

• A posição é com o bebê estar de frente para a mama, com a barriga encostada na barriga da mãe.

• A mãe deve apoiar a mama para garantir que o bebê consiga abocanhar a maior parte da aréola.

• A mãe estimula o bebê (caso desejar) a abrir a boca com uma pressãozinha no queixo.

• Paciência é fundamental e, se necessário, pedir ajuda de um profissional de saúde, como um consultor de aleitamento materno. Há bons profissionais no Sistema de Saúde (SUS) para esse suporte.

 

Ainda que todos esses detalhes e dicas quanto à pega sejam seguidas, há situações que podem gerar intercorrências e prejudicarem a amamentação. Algumas delas: mamilos planos ou invertidos (é preciso dar confiança à mãe e reforçar a técnica de pega do bebê); nova gravidez (alteração de gosto leite, maior sensibilidade da mãe, redução do espaço de colo); dar a luz a gêmeos (a mulher tem capacidade de alimentar mais de um bebê, mas isso exige mais da mulher, e se torna difícil além de duas crianças); bem como a maternidade de mulheres com necessidades especiais (limitações físicas, auditivas ou visuais que dificultem certas técnicas de amamentação).

 

CONDIÇÕES DO BEBÊ QUE DIFICULTAM A PEGA

 

A pega e a amamentação podem ser dificultadas também por condições do bebê. Crianças com malformações orofaciais não devem ser amamentadas, apesar da dificuldade, pois a amamentação promove o equilíbrio da musculatura orofacial, favorecendo o adequado desenvolvimento das estruturas do sistema motor-oral, que estão afetadas nessas crianças. Apesar disso, as mães podem ter sentimento de culpa pela condição do bebê, o que exige também a sensibilidade dos agentes de saúde para o correto aconselhamento e acolhimento, para afastar pensamentos ruins e promover a amamentação.

 

Algumas crianças nascem com distúrbios neurológicos. Crianças que sofreram asfixia perinatal grave, portadoras de síndromes genéticas, com diversos tipos de infecções congênitas e com malformações do sistema nervoso central podem ter distúrbios neurológicos. Frequentemente elas não têm coordenação motora-oral, dificuldades na deglutição e na sucção, na coordenação de ambas com a respiração, refluxo gastroesofágico, além de eventualmente não aceitarem a alimentação, com risco de se desnutrirem. 

 

Quando a criança não tem condições de sugar a mama ou tem sucção fraca, a mãe deve ser orientada a realizar ordenha (tirar o próprio leite) com frequência e oferecê-lo, além de estimular a região perioral da criança e incentivar a sucção introduzindo o dedo mínimo na sua cavidade oral. Se a criança estabelecer coordenação entre sucção, deglutição e respiração, a mãe pode oferecer cuidadosamente o seio, com supervisão de um profissional.

 

Crianças portadoras de síndrome de Down costumam ter hipotonia, e isso é um dos fatores que dificultam o aleitamento materno. Assim como nos diferentes distúrbios neurológicos, o acompanhamento cuidadoso da dupla mãe/bebê por equipe multiprofissional, somado a orientações adequadas viabilizam a amamentação.

 

Além disso, uma criança pode ter refluxo gastroesofágico nos primeiros meses de vida, mas essa condição ser resolvida espontaneamente com a maturação do mecanismo de funcionamento do esfíncter esofágico inferior. A posição supina do bebê para mamar e os movimentos peristálticos, junto com a língua em sucção fazem com que os efeitos de refluxo sejam menores do que em crianças alimentadas com leite não humano (de vaca, búfala ou outras opções).

 

RESTRIÇÕES AO ALEITAMENTO MATERNO

 

Quando a mãe sente dor, desconforto ou notar algo estranho durante a amamentação deve procurar a orientação de um profissional de saúde, para que consiga mantê-la. Existem condições, porém, que levam à indicação médica de substituição parcial ou total do leite materno:

 

• Mães infectadas pelo HIV (vírus da AIDS), HTLV1 ou HTLV2 (tipos de vírus linfotrópicos de células T humanas.

• Uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação, contraindicados absolutos ou relativos ao aleitamento materno, e.g., os antineoplásicos e radiofármacos. 

• Criança com galactosemia, doença rara em que ela não pode ingerir leite humano ou qualquer outro que contenha lactose.

 

A interrupção temporária se justifica nos seguintes casos, conforme cartilha do Ministério da Saúde: 

 

• Infecção por herpes (vesículas localizadas na pele da mama). Interromper apenas na mama afetada.

• Varicela, caso a mãe apresentar vesículas na pele cinco dias antes do parto ou até dois dias após o parto. Recomenda-se o isolamento da mãe até que as lesões virem crostas. A criança deve receber Imunoglobulina Humana Antivaricela Zoster (Ighavz), até 96 h do nascimento, aplicada o mais precocemente possível.

• Doença de Chagas, na fase aguda da doença ou quando houver sangramento mamilar evidente.

• Drogas lícitas (álcool) e ilícitas (anfetaminas, cocaína, heroína, maconha e fenciclidina) levam à não recomendação de amamentação. Sugere-se ou a interrupção da amamentação, ou pelo menos um período de carência, conforme a lista a seguir (Hale et al. (2005) citado pelo Ministério da Saúde):

 

Droga | Período recomendado de interrupção da amamentação

Anfetamina, ecstasy | 24 a 36 h

Barbitúricos | 48 h

Cocaína, crack | 24 h

Etanol | 1 h por dose ou até estar sóbria

Heroína, morfina | 24 h

LSD | 48 h

Maconha | 24 h

Fenciclidina | 1 – 2 semanas

 

Mesmo sem amamentar, a mãe deve ter estimulada a produção de leite. Deve haver a ordenha (retirada do leite) regular, até a volta da amamentação. Caso contrário, a mulher se sente mal, mamas "empedram", etc.

 

No caso de cigarro, considera-se que os benefícios superem os malefícios quanto a amamentar, e a mãe deve ser recomendada a reduzir ou mesmo parar o consumo durante a amamentação, ou a fumar em outro ambiente. Quanto ao consumo de álcool, a ingestão pela mãe altera o sabor e odor do leite e pode afastar a criança do alimento, levando-a à recusa.

 

Não é contraindicado o aleitamento materno nas seguintes situações (também conforme cartilha do Ministério da Saúde): 

 

• Tuberculose: recomenda-se que as mães não tratadas ou ainda bacilíferas (nas duas primeiras semanas após início do tratamento) amamentem com o uso de máscaras e restrinjam o contato próximo com a criança. Nesse caso, o recém-nascido deve receber isoniazida (10 mg/kg/dia por três meses). Após, deve-se fazer teste tuberculínico (PPD): se reator, a doença deve ser pesquisada, especialmente em relação ao acometimento; ou se pulmonar, se a criança tiver contraído a doença, a terapêutica deve ser reavaliada; em caso contrário, deve-se manter isoniazida por mais três meses; e, se o teste tuberculínico for não reator, pode-se suspender a medicação, e a criança deve receber a vacina BCG.

• Hanseníase: por se tratar de doença cuja transmissão depende de contato prolongado da criança com a mãe sem tratamento, e a primeira dose de rifampicina é suficiente para que a mãe não seja mais bacilífera, deve-se manter a amamentação e iniciar o tratamento da mãe.

• Hepatite B: a vacina e a administração de imunoglobulina específica (HBIG) após o nascimento praticamente eliminam qualquer risco teórico de transmissão da doença via leite materno.

• Hepatite C: a prevenção de fissuras mamilares em lactantes HCV positivas é importante, pois não se sabe (faltam ainda evidências) se o contato da criança com sangue materno favorece a transmissão da doença.

• Dengue: não há contraindicação da amamentação em mães que contraem, pois existe no leite materno um fator que protege a criança.

 

OS BANCOS DE LEITE HUMANO

 

O leite é um alimento essencial para todos os bebês. No caso de bebês prematuros e de baixa massa corporal (com menos de 2.500 g), mais ainda. Em muitas situações, estão internados nas unidades neonatais do Brasil e não podem ser amamentados pelas próprias mães (por motivos de morte, doenças e outros fatores graves).

 

É por isso que existe a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, em todos os estados brasileiros, com mais de duzentos bancos de leite materno e postos de coleta. Essa rede consegue suprir apenas mais de 50% da demanda para os recém-nascidos internados nas unidades neonatais do Brasil. 

 

Algumas mulheres têm bastante leite, e um pote de leite humano de 200 mL, por exemplo, é capaz de alimentar até dez recém-nascidos internados, por dia. Dependendo da massa corporal do bebê, cerca de 1mL é suficiente para a nutrição a cada refeição.

 

Bebês que estão internados têm a chance de receber os benefícios do leite humano com a doação. Com ele, a criança se desenvolve com saúde, tem mais chances de recuperação e sobrevivência, visto que anticorpos e outras substâncias importantes para crianças humanas não estão presentes no leite de outros animais. A doação, assim como de sangue e de medula, é um ato de amor com o próximo e para a sociedade.

 

ALIMENTAÇÃO NA GRAVIDEZ


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