Morte e Vida Severina (XIV)

watch_later 26 de outubro de 2012
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[cliptomania] 

APARECEM E SE APROXIMAM DA CASA DO HOMEM VIZINHOS, AMIGOS, DUAS CIGANAS, ETC 

— Todo o céu e a terra
lhe cantam louvor.
Foi por ele que a maré
esta noite não baixou. 

— Foi por ele que a maré
fez parar o seu motor:
a lama ficou coberta
e o mau-cheiro não voou. 

— E a alfazema do sargaço,
ácida, desinfetante,
veio varrer nossas ruas
enviada do mar distante. 

— E a língua seca de esponja
que tem o vento terral
veio enxugar a umidade
do encharcado lamaçal. 

— Todo o céu e a terra
lhe cantam louvor
e cada casa se torna
num mocambo sedutor. 

— Cada casebre se torna
no mocambo modelar
que tanto celebram os
sociólogos do lugar. 

— E a banda de maruins
que toda noite se ouvia
por causa dele, esta noite,
creio que não irradia. 

— E este rio de água, cega,
ou baça, de comer terra,
que jamais espelha o céu,
hoje enfeitou-se de estrelas.
 
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