Diferentes linguagens – objetividade ao ler e escrever

          Ao aprofundar-se na leitura de obras literárias de autores clássicos, por muitas vezes torna-se difícil a compreensão de expressões e termos utilizados que são comuns a época em que a obra foi escrita. Algumas pessoas preferem livros com notas de texto ou utilizam-se de dicionários mais antigos a fim de decifrar certos trechos.
Não se pode dizer que a riqueza vocabular existente em nossa língua seja um problema, mas o uso da norma padrão da língua portuguesa também pode gerar problemas, com o uso de expressões por vezes desconhecidas. Ao ler, procure conhecer antes o contexto histórico em que a obra literária fora concebida. Ao escrever, a dica é buscar uma linguagem adequada ao LEITOR do texto, a fim de que se evite certos quiproquós [veja o significado na nota de texto ao fim do post (!)] como o que aconteceu na estória a seguir:

        Alfredo é um rapaz simpático, sociável e adora viver. Numa de suas viagens ao interior, um inesperado acidente obrigou-o a ficar no mato. Por sorte, um fazendeiro socorreu-o dando-lhe abrigo. Com o auxílio do fazendeiro, Alfredo consegue retornar à cidade.
Já em casa, o moço, felicíssimo pela ajuda que recebera, resolve agradecer ao fazendeiro através de uma carta.

PAZ E AMOR, BICHO...

Vc me amarrou na sua, cara legal, muito barra limpa. Achei joia a sua quando sacou que eu estava na rua com a minha máquina, transando no meio do mato e dentro daquele breu danado. O envenenamento do meu carango sempre me deixa baratinado e vc ligou bacana levando-me para seu hábitat. No dia seguinte, com uma colher de chá que vc me deu com o seu trator, consegui emplacar legal no asfalto e batalhar firme uma carona, até conquistar a metrópole. Como não pudemos transar uma melhor, espero vc para morar uns dias comigo em minha lona legal com a turma. Na moral. Vou levar vc para transar com as piriguetes do baile funk, com suas calças apertadas e blusinhas micro, descendo, descendo até o chão...
Você irá para as baladas, inferninhos e para as boates. Tenho certeza que gostará da onda do “Ai se eu te pego”. Curtimos uma oca joia ou sacaremos umas minas na balada para um programa legal. Vc vai gamar, vai se amarrar mesmo, vai ficar de boa. Soh...

RESPOSTA DO FAZENDEIRO

Senhor Alfredo, não entendi bolufas da sua carta, é muito confusa. Estou muito aborrecido com você, por começar me chamando de bicho, quando fui seu amigo sem o conhecer, além do mais, devo lhe dizer que sou homem pra burro e se quiser experimentar, volte aqui novamente, seu cachorro guaipeca. Não amarrei você em coisa alguma, o que fiz foi tratar como gente civilizada.
Se você achou alguma coisa, alguma joia aqui, devia ter entregue à patroa. O que você praticou foi roubo, e isto é caso de polícia. Outra coisa errada sua é que não tirei você de breu nenhum, que aqui não existe isso. Acho que você não está regulando bem.
Também não lhe dei nenhuma colher de chá e se você levou alguma por acaso, que em você pelo que vejo é costumeiro, fique de recordação. Gostaria que você dissesse qual foi o cretino que jogou veneno no seu auto, pois se foi algum empregado meu, vou mandar ele embora.
Com relação a seus papos curtidos não pude entender, aqui não é costume e não vou sacrificar meus perus, minhas galinhas ou minha criação para curtir os papos.
Quanto a ir para o inferno com você, pode ir sozinho, porque sou muito religioso, inferno foi feito para gente doida como você. Tal negócio de joias e minas não servem para mim, nunca tive tempo, não gosto de bancar o garimpeiro. Também não sou marinheiro, não entendo de ondas, além do mais aqui nem tem tanta água assim. Olha moço, aqui sou muito conhecido e respeitado por todos: pelo juiz, pelo padre, pelo prefeito e pelo povo em geral. Nunca ninguém me chamou de bicho ou pelo nome de outros animais.
Esse povo da cidade tem cada uma, eu hein. Deus me livre.
Vê se me respeita, moço.

Observando o texto, percebe-se que as duas personagens são de uma mesma época, porém cada uma reflete o contexto social e histórico em que se encontram inseridas, o que criou o lado cômico da estória. Dessa forma, é importante conhecer esse contexto ao ler um livro antigo, por exemplo. Valem as dicas acima e, se possível prefira usar a norma culta da língua portuguesa ao escrever para um “desconhecido” e evite o uso de gírias e termos em desuso, por conseguinte. 


Segundo o Míni Aurélio Eletrônico:

qui.pro.quó
(qüi) [Lat. quid pro quo, ‘isto por aquilo’.]
Substantivo masculino.
1. Confusão duma coisa com outra.
2. Situação cômica resultante de equívoco(s).


2 comentários:

vanessa souza disse...

Como que ficaria esse texto na norma culta ?

O Mestre Blogueiro disse...

"OLÁ

Admiro muito senhor. Fiquei feliz quando percebeste minha situação, sendo muito gentil em me hospedar em sua fazenda, naquela noite. No dia seguinte, levou-me com seu trator e permitiu que eu arranjasse carona para a metrópole. Como não pudemos trocar ideias, espero-o, em breve, para conversarmos. Irei hospedá-lo em nossa barraca e levá-lo a um baile funk repleto de beldades.
Você irá conhecer várias opções de casas noturnas. Tenho certeza que irá adorar ouvir “Ai se eu te pego”, ou mesmo fazer um programa divertido com moças que viermos a encontrar nas festas noturnas. Você vai adorar!"

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